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ONU acusa Israel e Rússia de violência sexual em guerras

A ONU torna pública, em maio de 2026, uma denúncia contundente de violência sexual em zonas de guerra em Gaza e na Ucrânia. O relatório aponta Israel e Rússia entre os responsáveis pelos abusos cometidos em 2026 e acirra a tensão política em torno dos dois conflitos.

Relatório expõe padrão de abuso em campos de batalha

O documento, assinado pelo secretário-geral António Guterres e enviado ao Conselho de Segurança, descreve casos de estupro, mutilação e outras formas de violência sexual ligados diretamente às operações militares. Investigadores da ONU reúnem depoimentos de vítimas, familiares, profissionais de saúde e organizações locais ao longo de vários meses, em meio a ofensivas intensas em Gaza e à continuidade da guerra na Ucrânia.

Em linguagem dura, o relatório afirma que a violência sexual deixa de ser consequência indireta do combate e passa a ser usada como instrumento de intimidação, punição e controle da população civil. A ONU registra episódios em diferentes cidades, campos de deslocados e centros de detenção, com vítimas de várias idades, incluindo adolescentes, e relata que muitos sobreviventes enfrentam silêncio e estigma, o que reduz a chance de denúncia formal.

O texto inclui Israel e Rússia na lista anual de partes em conflito acusadas de violações graves, que tradicionalmente reúne governos e grupos armados envolvidos em crimes contra civis. Segundo auxiliares de Guterres, a inclusão de dois atores centrais em conflitos que dominam a agenda internacional confirma a avaliação de que nem a pressão diplomática nem a ameaça de sanções conseguem, até agora, frear os abusos. “A violência sexual associada a conflitos continua a ser uma tática de guerra devastadora, com impacto de longo prazo sobre indivíduos e comunidades”, escreve o secretário-geral.

Reação dura de Israel e novo foco sobre crimes de guerra

A divulgação provoca reação imediata em Jerusalém. O governo israelense chama a decisão de “vergonhosa” e anuncia, poucas horas depois da publicação, a suspensão de relações oficiais com António Guterres. Na prática, ministros israelenses deixam de atender ao secretário-geral, e a missão do país na ONU recebe instruções para limitar contatos com o gabinete dele a questões estritamente técnicas.

Diplomatas em Nova York avaliam que o gesto israelense amplia o isolamento político entre o governo e parte da estrutura multilateral, já pressionada por imagens diárias de destruição em Gaza. Assessores de Guterres, por sua vez, dizem em caráter reservado que o secretário “não tem alternativa” a não ser registrar o que as equipes em campo apontam, sob risco de desmoralizar o próprio sistema de monitoramento de violações. Eles lembram que relatórios anteriores sobre outros conflitos, como na Bósnia nos anos 1990 e na Síria a partir de 2011, também marcam viradas na forma como a comunidade internacional enxerga a violência sexual em guerras.

Na frente ucraniana, o texto reacende o debate sobre responsabilidade de comandantes e de autoridades políticas russas. Desde a invasão em larga escala do território ucraniano, em 2022, órgãos internacionais de direitos humanos vêm documentando casos de estupro em áreas ocupadas. Agora, a nova peça da ONU consolida essas denúncias e reforça a pressão por investigações formais em tribunais internacionais, incluindo cortes especializadas em crimes de guerra.

Especialistas em direito internacional humanitário apontam que o relatório soma força a processos já em curso no Tribunal Penal Internacional, que desde 2022 abre inquéritos sobre possíveis crimes cometidos na Ucrânia. Em relação a Gaza, entidades de direitos humanos veem na inclusão de Israel na lista da ONU um marco simbólico que pode alimentar futuras ações em cortes internacionais ou em tribunais nacionais que adotam o princípio de jurisdição universal para crimes de guerra.

Pressão por proteção às vítimas e próximos passos diplomáticos

O documento não se limita a descrever abusos. A ONU recomenda que governos e forças em conflito adotem medidas imediatas para prevenir novos casos, garantir atendimento médico e psicológico às vítimas e criar canais seguros de denúncia. As equipes sugerem protocolos claros em hospitais de campanha, treinamento específico para militares e monitoramento externo mais rígido em centros de detenção. Defensores de direitos humanos insistem que, sem proteção efetiva, a maioria dos casos seguirá invisível.

Organizações internacionais calculam que, em conflitos recentes, menos de 20% dos episódios de violência sexual chegam a ser oficialmente registrados, por medo, vergonha e falta de confiança nas instituições. Em Gaza e na Ucrânia, a presença de bombardeios contínuos, deslocamento forçado e colapso parcial de serviços públicos aumenta ainda mais essa subnotificação. Não há números fechados no novo relatório, mas investigadores falam em “padrões recorrentes” e em “escala preocupante” para descrever o que encontram no campo.

Nas próximas semanas, a expectativa em Nova York é de que o tema entre no centro das discussões do Conselho de Segurança, com propostas de resoluções específicas sobre proteção de civis e responsabilização de comandantes. Países aliados de Israel e da Rússia devem tentar suavizar a linguagem de eventuais textos, enquanto membros europeus e latino-americanos tendem a defender compromissos mais claros. O tom dos debates vai indicar se a denúncia se converte em ação concreta.

Para especialistas e organizações de vítimas, a questão central permanece a mesma de outros conflitos: quem será responsabilizado, em qual prazo e com que efeito real na vida dos sobreviventes. A resposta, admitem diplomatas experientes, depende menos do teor do relatório e mais da disposição política dos governos de aceitar que a violência sexual em guerra não é dano colateral, mas crime que exige resposta rápida e visível.

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