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Polícia Civil apreende 200 mil figurinhas falsas da Copa no Rio

A Polícia Civil do Rio de Janeiro apreende, nesta quinta-feira (21), 200 mil figurinhas falsificadas do álbum oficial da Copa do Mundo. A operação mira uma rede que abastece camelôs e pontos de venda informais na capital fluminense.

Mercado paralelo cresce com a proximidade do Mundial

O carregamento é encontrado em um galpão na Zona Norte do Rio, após semanas de monitoramento de policiais da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial. Investigadores acompanham a movimentação de caixas que entram e saem do endereço desde o início de maio, quando chegam as primeiras denúncias de consumidores e da indústria licenciada.

As figurinhas falsificadas imitam o layout oficial, usam cores e escudos das seleções e até reproduzem o logotipo da Copa. A diferença aparece na qualidade do papel, mais fino e poroso, e na impressão, com cores estouradas e falhas nos detalhes. “O objetivo é enganar o consumidor na pressa da compra, principalmente crianças”, afirma um delegado ouvido pela reportagem sob reserva.

O movimento em torno do álbum da Copa cresce a cada nova edição do torneio. Em 2018 e 2022, filas em bancas e encontros de troca em shoppings e praças se repetem pelo país. Neste ano, com a proximidade do Mundial, o álbum volta a ser febre entre colecionadores, famílias e revendedores. Esse aquecimento também alimenta o interesse de grupos que veem na falsificação uma espécie de atalho para lucrar rápido.

As investigações apontam que o galpão funciona como centro de distribuição. As figurinhas saem de gráficas clandestinas da Região Metropolitana e seguem em carros de passeio e utilitários sem identificação. Cada pacote é vendido a intermediários por valores muito abaixo do praticado no mercado oficial, abrindo espaço para revenda agressiva em calçadas e pontos com grande circulação de torcedores.

Prejuízo para colecionadores e para a indústria oficial

A apreensão de 200 mil unidades expõe o tamanho do risco para o mercado formal. Se chegassem às ruas, os pacotinhos falsos poderiam movimentar, em poucos dias, centenas de milhares de reais fora do controle fiscal. A indústria licenciada, responsável por pagar direitos de imagem e impostos, calcula que cada figurinha pirata em circulação representa uma perda direta de receita e erosão da confiança no produto oficial.

O impacto mais imediato recai sobre o colecionador comum, que junta moedas, organiza trocas e acompanha lançamentos. Quem compra um pacote falsificado dificilmente completa o álbum, já que a numeração pode vir repetida, fora de padrão ou até inventada. “O prejuízo não é só financeiro. A frustração de uma criança que percebe que o álbum não fecha é enorme”, diz um representante do setor de brinquedos, que participa de campanhas de educação do consumidor.

Especialistas em propriedade intelectual veem na operação um recado para o mercado ilegal. A produção de figurinhas falsas envolve uso indevido de marcas, violação de contratos com a organizadora da Copa e sonegação fiscal. Em alguns casos, redes de falsificação também lavam dinheiro de outras atividades criminosas por meio da venda em massa de itens de baixo valor unitário, como figurinhas, bonés e camisas.

A Polícia Civil afirma que a ação desta quinta-feira integra uma estratégia mais ampla de proteção ao consumidor. O foco não se limita ao confisco de mercadorias. O objetivo é mapear toda a cadeia, das gráficas clandestinas aos pontos de venda nas ruas. “A população precisa entender que, ao comprar o mais barato sem origem, ajuda a manter esse ciclo de fraude”, afirma um investigador.

O efeito pedagógico também pesa na balança. Uma apreensão de 200 mil unidades, em uma única operação, reforça a mensagem de que o risco compensa pouco para quem insiste no mercado paralelo. A possibilidade de perder todo o estoque em uma batida e ainda responder por crimes de falsificação e contra a economia é, na avaliação de delegados, um freio concreto para parte dos envolvidos.

Investigação mira redes e reforça vigilância até a Copa

Os desdobramentos da operação começam a aparecer nas próximas semanas. A perícia técnica analisa o material apreendido, identifica a origem do papel, o tipo de tinta e eventuais marcas que liguem as figurinhas a uma gráfica específica. A partir desses dados, a Polícia Civil cruza informações com notas fiscais suspeitas, registros comerciais e histórico de investigações anteriores.

Delegados ouvidos reservadamente afirmam que o caso pode levar ao desmantelamento de ao menos uma rede estruturada de falsificação que já atua em outros segmentos, como camisetas de times, bonés e bandeiras. A apreensão de 200 mil unidades indica capacidade de produção em larga escala e planejamento logístico, o que exige, do outro lado, uma resposta coordenada entre polícias, Ministério Público e a própria indústria licenciada.

O alerta vale também para quem vende. Camelôs e lojistas de pequeno porte que compram lotes sem nota fiscal se tornam parte da cadeia de fraude e podem responder por receptação e comércio de produto falsificado. Entidades de defesa do consumidor recomendam atenção a detalhes básicos, como selo de autenticidade, qualidade da impressão e procedência do estabelecimento, especialmente em compras feitas por crianças e adolescentes.

A Copa do Mundo movimenta, a cada ciclo, bilhões de reais em produtos oficiais e derivados. A capacidade de proteger esse ecossistema, do álbum na banca de jornal ao grande patrocinador, passa por operações como a desta quinta-feira. A repressão à falsificação, quando constante, tende a fortalecer a confiança dos fãs no produto oficial e a reduzir o espaço para o mercado paralelo.

Com a proximidade do torneio, novas ações de fiscalização devem ocorrer em centros comerciais populares e regiões com histórico de venda de mercadoria pirata. A pergunta que fica é até que ponto a combinação de repressão, informação ao consumidor e parceria com a indústria será suficiente para manter as figurinhas falsas longe das mãos de colecionadores que só querem completar, em paz, o álbum da Copa.

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