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Marília Campos cobra candidatura de Rodrigo Pacheco ao governo de Minas

A ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) faz neste domingo (3/5) um apelo público para que o senador Rodrigo Pacheco (PSB) dispute o governo de Minas Gerais. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela defende uma aliança de centro-esquerda para “reconstruir” o estado e enfrentar a crise fiscal mineira.

Apelo em meio à incerteza sobre o palanque de Minas

Marília grava a mensagem durante viagens pelo interior e responde a uma pergunta que se repete em encontros com lideranças locais: afinal, Pacheco será candidato ao Palácio Tiradentes em 2026? Ela afirma que o senador, ex-presidente do Senado Federal, reúne condições de liderar um projeto de reconstrução do estado e de diálogo com diferentes esferas de poder.

No vídeo, a pré-candidata ao Senado é direta. “Pacheco precisa vir como pré-candidato ao governo de Minas Gerais”, diz. A fala mira não apenas o eleitorado de esquerda, mas também prefeitos, vereadores e servidores que acompanham, com preocupação, a situação fiscal do estado e a indefinição sobre o palanque de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas, segundo maior colégio eleitoral do país.

O apelo ocorre em um momento em que Pacheco evita cravar o futuro político. Aliados admitem que ele mede o impacto de uma candidatura ao Executivo estadual após comandar o Senado e ganhar projeção nacional. Em declarações recentes, o senador repete que tomará uma decisão “no tempo adequado” e em diálogo com os partidos que o apoiam, agora sob a sigla do PSB.

Dívida bilionária e projeto de reconstrução

Marília ancora o pedido em números. “Veja bem, Rodrigo, Minas Gerais entrou em 2026 com R$ 11,2 bilhões de débito. E você sabe desse problema”, afirma, olhando diretamente para a câmera. Ela lembra que o senador atua na aprovação, pelo Congresso, do Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), criado para aliviar os passivos de unidades federativas com a União.

O programa reduz juros e alonga prazos de uma dívida mineira na casa dos R$ 185 bilhões, valor acumulado ao longo de governos de diferentes partidos. Segundo a ex-prefeita, o mecanismo evita que o serviço da dívida “sangre” as contas do estado e consuma boa parte das receitas que poderiam ser usadas em serviços públicos. A defesa de Pacheco como candidato se apoia nessa experiência de negociação com o governo federal e com o sistema financeiro.

Para Marília, a continuidade desse processo é decisiva para recuperar a capacidade de investimento em áreas básicas. Ela cita infraestrutura, saúde e educação como prioridades e sustenta que um governo liderado por Pacheco teria maior facilidade de articular com o Congresso Nacional, a Assembleia Legislativa e as prefeituras. Na avaliação da petista, essa rede de relações políticas pode acelerar obras, destravar convênios e dar previsibilidade ao pagamento de servidores.

A ex-prefeita também enquadra o debate em um contexto mais amplo, que envolve democracia e desenvolvimento. “O cenário atual exige coragem para enfrentar o processo eleitoral e apresentar um projeto alinhado à defesa da democracia e ao desenvolvimento econômico”, afirma. Ao final do vídeo, ela declara apoio explícito: “Eu estarei junto com você, junto com o presidente Lula, para a gente reconstruir o nosso estado”.

Frente ampla, disputa com conservadores e próximos passos

A movimentação de Marília mira um objetivo maior: consolidar em Minas uma frente de centro-esquerda com musculatura para enfrentar grupos conservadores que dominam parte do cenário estadual. No cálculo do PT, a entrada de Pacheco na disputa fortalece o palanque de Lula em um estado considerado decisivo para o equilíbrio de forças nacionais. Uma candidatura competitiva ao governo tende a puxar votos para a chapa federal e para as disputas proporcionais.

Com um nome conhecido e com trânsito em Brasília, a campanha ao Palácio Tiradentes poderia disputar o protagonismo com candidaturas de direita e consolidar um discurso de responsabilidade fiscal combinado com retomada de investimentos. Para categorias como servidores públicos, prefeitos do interior e setores empresariais que dependem de obras de infraestrutura, a escolha do candidato ao governo indica o tipo de ajuste que será feito nas contas estaduais e quais áreas serão priorizadas.

O gesto de Marília também funciona como pressão pública. Ao trazer para o centro do debate os números da dívida e o papel de Pacheco na criação do Propag, ela desloca a discussão de uma escolha pessoal do senador para uma decisão que, na narrativa petista, passa a ser de responsabilidade coletiva. A pergunta que ecoa entre aliados é se ele aceitará assumir o risco de uma campanha majoritária em um estado historicamente dividido entre campos ideológicos.

A definição deve mexer com o conjunto de alianças em Minas, redesenhar candidaturas a Senado e Assembleia e influenciar até as negociações nacionais entre PT, PSB e outros partidos de centro. Enquanto Pacheco preserva silêncio estratégico, o apelo de Marília antecipa o tom da disputa: a reconstrução de um estado endividado, que tenta equilibrar contas e, ao mesmo tempo, responder à cobrança por serviços públicos de qualidade. Resta saber se o senador aceitará transformar esse diagnóstico em plataforma de governo.

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