Raphinha pressiona por Neymar na Copa e chama craque de “cara do hexa”
Raphinha reforça, neste 2 de maio de 2026, a cobrança para que Neymar seja convocado para a Copa do Mundo. O atacante do Barcelona afirma que o camisa 10 é o “cara do hexa” e vê o colega como peça central no projeto da seleção brasileira para voltar ao topo do futebol mundial.
Apelo público às vésperas da convocação
O pedido ganha corpo em um momento em que a seleção entra na reta final de preparação para o Mundial, a menos de dois meses da estreia. Em entrevista pública no Brasil, Raphinha destaca a boa forma física de Neymar e diz que o veterano, hoje com 34 anos, ainda decide jogos grandes. “Se o Brasil quer ser hexa, o Neymar tem que estar. Ele é o cara do hexa”, afirma o atacante, sem rodeios.
A fala ecoa em um ambiente de disputa intensa por vagas. A comissão técnica trabalha com uma lista inicial de cerca de 40 nomes e deve reduzi-la para 26 convocados na divulgação final. No meio de jovens em ascensão e de jogadores testados ao longo dos últimos quatro anos, a presença de um astro com mais de 120 jogos pela seleção volta a ser tema central. Raphinha insiste que, diante da pressão típica de uma Copa, a experiência pesa mais do que qualquer tabela estatística.
Experiência em jogo e memória recente de fracassos
O apelo de Raphinha toca em uma ferida aberta. O Brasil soma 24 anos sem levantar a taça mundial. Desde o penta, em 2002, o país acumula eliminações em quartas e semifinais, com derrotas marcantes em 2014, 2018 e 2022. Neymar participa diretamente das três campanhas e carrega tanto o rótulo de protagonista quanto o de símbolo de frustrações sucessivas.
A forma atual do jogador, no entanto, muda o tom da conversa. Recuperado de lesões que marcaram a reta final de 2023 e o início de 2024, o camisa 10 volta a ter sequência de partidas e minutos em campo na temporada 2025/2026. Raphinha cita esse dado para sustentar seu argumento. “Ele está treinando forte, está inteiro, está com fome de título. Um jogador assim não pode ficar fora”, diz. Para o atacante do Barcelona, o peso de Neymar em uma Copa não se mede apenas em gols e assistências. Passa pela liderança no vestiário, pela forma como atrai marcações e abre espaço para os companheiros e pelo efeito psicológico sobre adversários.
O debate sobre a presença de Neymar, que parecia arrefecer após as últimas lesões, volta com força às mesas-redondas, rádios e redes sociais. Em poucas horas, a expressão “cara do hexa” vira mote de campanhas espontâneas entre torcedores. Comentários se espalham em perfis oficiais de clubes, de jogadores e da própria seleção, cobrando a convocação do camisa 10. Especialistas dividem opiniões: alguns defendem renovação radical, com elenco majoritariamente abaixo de 27 anos; outros argumentam que nenhuma seleção campeã recente abriu mão de seus veteranos de maior peso técnico.
Raphinha se posiciona claramente no segundo grupo. Para ele, a transição de geração deve ser feita em campo, e não com cortes bruscos. A presença de Neymar, avalia, alivia a pressão sobre jovens que chegam à primeira Copa sob a expectativa de decidir o título. Ele cita conversas internas na seleção e lembra que muitos dos mais novos cresceram vendo o camisa 10 como referência. “Jogar ao lado dele em uma Copa muda a cabeça do jogador. Dá confiança”, afirma.
Pressão sobre a comissão técnica e disputa de narrativas
A manifestação pública de um atleta do porte de Raphinha não passa despercebida na CBF. A comissão técnica, que busca blindar o grupo de influências externas, agora lida com um recado vindo de dentro do próprio elenco. O discurso do atacante amplia a cobrança sobre o treinador às vésperas de decisões estratégicas sobre esquema tático, hierarquia no elenco e distribuição de minutos entre jovens promessas e jogadores consagrados.
O impacto concreto da fala já aparece nos bastidores. Empresários reforçam contatos, torcidas organizadas preparam faixas e mosaicos para jogos preparatórios e programas esportivos dedicam blocos inteiros à discussão sobre Neymar. Em uma era em que redes sociais pautam parte do debate público, a repetição da frase “cara do hexa” cria uma narrativa simples e poderosa: a de que o caminho do título passa, necessariamente, pelo retorno pleno do camisa 10.
Quem defende uma ruptura mais profunda com o ciclo anterior vê na pressão uma ameaça ao espaço de atletas que buscam se firmar. Jogadores que disputam posição na mesma faixa de campo de Neymar temem perder minutos decisivos. A eventual convocação do craque pode redefinir prioridades de treinamento, jogadas ensaiadas e até a lista final para o Mundial, com cortes de última hora em setores considerados hoje equilibrados.
O outro lado lê a movimentação como oportunidade. Patrocinadores enxergam na presença de Neymar um ativo imediato em audiência e engajamento, com potencial de ampliar em dois dígitos a exposição de marcas durante a Copa. Para a CBF, um time com uma grande estrela aumenta o alcance em transmissões internacionais, negociações comerciais e projetos voltados ao mercado asiático e ao Oriente Médio, regiões em que o camisa 10 mantém forte apelo desde os tempos de Barcelona e PSG.
Reta final de decisões e incertezas
A pressão pública de Raphinha se soma a um calendário apertado. A seleção tem, até o início de junho, no máximo dois amistosos para ajustar o time e testar formações com e sem Neymar. Cada minuto de jogo ganha peso na avaliação final da comissão técnica, que precisa equilibrar condição física, histórico de lesões e desempenho recente em clubes.
A decisão sobre a convocação do camisa 10, porém, vai além dos números. Envolve a leitura de ambiente de vestiário, a capacidade do grupo de absorver uma figura central e a disposição do próprio Neymar em aceitar novos papéis em campo, inclusive fora da faixa de protagonismo absoluto. Raphinha aposta que o colega está pronto. A seleção, a CBF e o país do futebol ainda buscam a resposta definitiva: o Brasil de 2026 está disposto a confiar de novo seu sonho de hexa ao jogador que já carregou esse peso em outras três Copas?
