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Flamengo empata na Argentina e perde Arrascaeta com fratura

O Flamengo empata por 1 a 1 com o Estudiantes, em La Plata, na noite desta quarta-feira (29), mantém a liderança da Libertadores e perde Arrascaeta com fratura na clavícula direita. O meia uruguaio cai de mau jeito após dividida dura ainda no primeiro tempo e deixa o estádio direto para um hospital local.

Jogo quente, liderança mantida e noite cara para o Fla

O empate no estádio Jorge Luis Hirschi preserva o Flamengo no topo do Grupo A, com 7 pontos em 3 partidas, à frente do Estudiantes, que chega a 5. O resultado sustenta a campanha sólida do time na Libertadores, mas a lesão do camisa 14 altera o clima no vestiário e projeta semanas de preocupação no departamento médico.

A partida em La Plata começa truncada, com o Estudiantes abusando dos cruzamentos e das divididas fortes. Aos 16 minutos, Arrascaeta disputa uma bola com Piovi, cai com o ombro direito no gramado e permanece no chão, visivelmente com dores intensas. O uruguaio tenta se levantar, mas não consegue movimentar o braço e é atendido por longos minutos antes de deixar o campo.

O clube informa ainda durante o jogo que o meia sofre uma fratura na clavícula direita e passa por exames em um hospital da cidade. O tempo de recuperação não é divulgado. Sem sua principal referência criativa, Leonardo Jardim lança Carrascal e reorganiza o meio-campo em um ambiente de estádio hostil e entradas cada vez mais duras.

A resposta esportiva vem rápido. Mesmo abalado pela perda do titular, o Flamengo explora os espaços deixados pelos argentinos. Aos 32 minutos, Samuel Lino recebe na intermediária, encontra Bruno Henrique em velocidade pela esquerda e aciona o atacante em profundidade. O camisa 27 dribla o marcador, chega à linha de fundo e cruza para trás. Luiz Araújo aparece livre, finaliza de primeira e abre o placar.

O gol premia a proposta de Jardim, que mexe na espinha do time. Sem Léo Pereira, com problema físico, a zaga titular traz Danilo e Vitão. No ataque, Pedro começa no banco, e Bruno Henrique forma tridente com Samuel Lino e Luiz Araújo. A formação não tem centroavante fixo, mas ganha em mobilidade e velocidade pelos lados.

O Estudiantes responde mais na base da insistência do que da criação. Gabriel Neves e Piovi tentam organizar o meio-campo, mas o time argentino insiste em bolas alçadas na área em direção a Carrillo. Danilo e Vitão seguram bem o jogo aéreo e protegem Rossi, enquanto Everton Araújo e Jorginho fecham os espaços pelo meio.

Estudiantes endurece, jogo ferve e Arrascaeta vira desfalque chave

O segundo tempo começa com o mesmo roteiro físico, mas o Flamengo tem a chance de matar o jogo aos 8 minutos. Em contra-ataque rápido, Bruno Henrique sai cara a cara com Muslera, chuta forte e para em boa defesa do goleiro uruguaio. No rebote, Luiz Araújo bate de primeira e vê Muslera se esticar de novo para evitar o segundo gol.

O lance desperdiçado cobra um preço imediato. No ataque seguinte, o Estudiantes encontra o empate em jogada aérea, sua principal arma na noite. Meza escapa pela direita, cruza na medida para Farías, que testa forte e obriga Rossi a grande defesa. A bola sobra nos pés de Carrillo, que completa para o gol e faz 1 a 1, aos 9 minutos.

O gol incendeia o estádio e endurece ainda mais o jogo. As divididas se multiplicam, e o árbitro chileno Piero Maza passa a distribuir cartões. Tomás Palacios, Farías, Tiago Palacios e Piovi recebem amarelo pelo lado argentino; Emerson Royal é punido no Flamengo. As faltas constantes travam o ritmo ofensivo rubro-negro e exigem controle emocional dos dois lados.

Com a torcida empurrando, o Estudiantes se lança ao ataque nos minutos finais. Alexander Medina coloca Gaich e Cetré para tentar explorar o desgaste da zaga rubro-negra. O time da casa empurra o Flamengo para trás, mas para na boa proteção da área e nas intervenções seguras de Rossi. O 1 a 1 se mantém até o apito final e preserva a liderança brasileira no grupo.

O placar contrasta com a preocupação do departamento de futebol do Flamengo. Arrascaeta, peça central na articulação ofensiva, vinha sendo o elo entre meio e ataque e agora entra na fila do departamento médico em momento chave da temporada. Sem ele, o clube perde drible curto, visão de jogo e qualidade na bola parada, sobretudo em partidas de mata-mata.

A lesão em uma dividida forte cristaliza o tom do confronto em La Plata. A cada bola alta na área, a zaga rubro-negra se vê envolvida em choques e trombadas, o que reforça a sensação de que o empate vem em um jogo de sobrevivência técnica e física. A vitória não aparece no placar, mas a integridade do elenco passa a ser tema central para a sequência do ano.

Calendário apertado, releitura tática e teste sem o camisa 14

O empate mantém o Flamengo em posição confortável na chave. Com 7 pontos, o time não pode ser alcançado nesta rodada, enquanto o Estudiantes soma 5. Independiente Medellín, com 1 ponto, e Cusco, que ainda não pontua, se enfrentam na Colômbia nesta quinta-feira (30) para definir a parte de baixo da tabela.

No curto prazo, a lesão de Arrascaeta mexe no planejamento para um bloco decisivo de jogos. No domingo, o time enfrenta o Vasco, às 16h, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. Pela Libertadores, o próximo compromisso é com o Independiente Medellín, em 7 de maio, fora de casa. O Estudiantes viaja antes, em 6 de maio, para medir forças com o Cusco, no Peru.

A comissão técnica de Leonardo Jardim passa a trabalhar com a perspectiva de ter Carrascal, Jorginho e outras peças do meio-campo como protagonistas. Sem o uruguaio, o Flamengo precisa redistribuir responsabilidades criativas e talvez abrir mão de certas associações consagradas, como a dobradinha entre Arrascaeta e Bruno Henrique pelo lado esquerdo.

O calendário apertado, com jogos a cada três ou quatro dias, também pressiona o departamento médico e o setor de fisiologia. A fratura de clavícula costuma exigir semanas de recuperação e recondicionamento físico, o que torna improvável um retorno rápido do camisa 14 em meio à maratona de Libertadores e Brasileiro. Até que o diagnóstico completo e o prazo oficial sejam divulgados, o clube trabalha com cautela.

O Estudiantes, por sua vez, deixa o campo com a sensação de oportunidade perdida. Empata em casa, segue em segundo lugar no grupo e agora volta as atenções ao Campeonato Argentino, onde visita o Platense no sábado. Os argentinos sabem que a vaga nas oitavas passa por fazer valer o mando na altitude de Cusco e evitar novos tropeços em La Plata.

A noite em La Plata termina com a liderança rubro-negra mantida, mas com uma lacuna aberta no meio-campo. O desempenho sólido na Libertadores passa a conviver com a necessidade de reinventar o setor criativo sem um de seus principais ídolos. A resposta do Flamengo nas próximas semanas dirá se o empate com o Estudiantes foi apenas um ponto na tabela ou o início de um novo capítulo na temporada.

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