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A cinco meses da eleição, desaprovação a Lula segue maioria, diz Atlas

A cinco meses da eleição presidencial, 52,5% dos eleitores desaprovam o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, segundo pesquisa AtlasIntel feita entre 22 e 27 de abril. A aprovação alcança 46,8% e mostra leve recuperação em relação a março, mas ainda não altera o quadro de divisão e desgaste em torno do presidente.

Lula enfrenta maioria crítica, apesar de leve reação

O levantamento, divulgado nesta terça-feira, 28, indica que a impopularidade de Lula permanece acima da linha de 50%, mesmo com uma oscilação favorável ao petista. Em março, a desaprovação marcava 54%, frente a 46% de aprovação. Agora, a distância entre os dois polos encolhe, mas ainda mantém o governo em posição defensiva.

Quando a pergunta se volta para a avaliação geral da gestão, o retrato é ainda mais duro. Segundo a AtlasIntel, 51,3% classificam o governo como ruim ou péssimo. Outros 42% consideram a administração regular, enquanto apenas 6,8% a veem como boa ou ótima. A soma dos que rejeitam abertamente o governo e dos que se declaram apenas satisfeitos indica um eleitorado mais desconfiado do que entusiasmado.

A pesquisa é feita pela internet, com base em 5.008 entrevistas coletadas em todo o país por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-07992/2026, o que o habilita a embasar estratégias de campanha neste início de corrida eleitoral.

Os números chegam em um momento em que o Planalto tenta exibir realizações econômicas e sociais e, ao mesmo tempo, administrar um Congresso hostil. A base governista enfrenta derrotas sucessivas em pautas centrais, enquanto o Planalto negocia com partidos que flertam com a oposição. Nesse ambiente, a percepção pública sobre o desempenho presidencial se converte em munição diária para aliados e adversários.

Cenário eleitoral polarizado e Congresso resistente

O avanço de 0,8 ponto na aprovação, dentro da margem de erro, não muda a leitura de um país dividido em torno de Lula. A AtlasIntel registra desde o início de 2024 um movimento de oscilação estreita, sem rupturas na curva de opinião, o que reforça a hipótese de um eleitorado consolidado em campos opostos. A disputa de 2026 se desenha com forte componente de rejeição, mais do que de entusiasmo programático.

Ainda que o levantamento não traga cenários de intenção de voto, a avaliação de governo funciona como termômetro para a largada da campanha. Uma gestão vista como ruim ou péssima por mais da metade da população cria terreno fértil para candidatos de oposição, em especial nomes associados ao bolsonarismo, que seguem influentes no Congresso e nas redes. O próprio diagnóstico da pesquisa dialoga com o ambiente descrito por analistas políticos, para quem a extrema direita não foi derrotada, apenas recuou.

O desempenho de Lula também pesa nas negociações diárias em Brasília. Deputados e senadores medem o custo de se alinhar ao governo em votações impopulares, sobretudo em temas econômicos. Com mais de 50% de avaliação negativa, o Planalto precisa oferecer mais do que cargos e emendas para manter fiel uma base já fragmentada. A fragilidade da aprovação tende a fortalecer blocos conservadores, que impõem sua agenda em áreas como costumes, segurança pública e gastos sociais.

No plano internacional, o governo tenta se afirmar como voz ativa em temas como a guerra em Gaza, a tensão entre Irã e Israel e o conflito na Ucrânia. A diplomacia, porém, pouco influencia a percepção imediata do eleitor, mais sensível a emprego, renda e serviços públicos. Em cenário de instabilidade global, a pressão sobre Brasília aumenta, mas não tem se traduzido, até aqui, em ganhos claros de popularidade para o presidente.

Desafios para a campanha e para o debate público

A fotografia captada pela AtlasIntel impõe desafios concretos à campanha de Lula e ao campo político que o sustenta. Com desaprovação majoritária e uma faixa expressiva de eleitores que o vêem apenas como “regular”, o governo precisa reduzir o desgaste antes que a propaganda eleitoral comece a cristalizar imagens. A capacidade de mostrar resultados palpáveis, como queda da inflação, melhora do emprego e programas sociais visíveis, torna-se decisiva.

A oposição, por sua vez, deve explorar a insatisfação registrada entre os 51,3% que consideram o governo ruim ou péssimo. Candidatos alinhados a forças conservadoras tendem a associar os dados à narrativa de frustração com promessas de campanha não cumpridas e à sensação de insegurança econômica. O risco, avaliam estrategistas, é a radicalização do debate, com pouco espaço para propostas e muita ênfase em identidades políticas rígidas.

O resultado da pesquisa também recoloca em evidência o papel da imprensa e da circulação de informações em um ambiente saturado por notícias falsas. O instituto utiliza metodologia online, sujeita ao escrutínio de especialistas, mas com parâmetros claros: amostra ampla, margem de erro definida e registro no TSE. Em meio à disputa por narrativas, a transparência sobre métodos de pesquisa se torna parte central da disputa política.

O país entra nos próximos meses pressionado por uma pergunta simples e decisiva: até que ponto um governo com desaprovação superior a 50% consegue reverter essa curva em tão pouco tempo? O comportamento da economia, a habilidade de articulação com o Congresso e a capacidade de Lula de falar para além de sua base histórica vão testar os limites dessa recuperação. A campanha de 2026 tende a responder não apenas quem governa o Brasil pelos próximos quatro anos, mas que tipo de democracia o eleitor está disposto a defender em meio a um cenário de divisão persistente.

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