Ultimas

Geada ameaça plantações em mais de 120 cidades do Sul do país

Mais de 120 cidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul entram em alerta de perigo para geada entre a madrugada e a manhã desta terça-feira (28). A massa de ar frio associada a um ciclone extratropical derruba as temperaturas para perto de 0°C e coloca em risco plantações e a saúde da população mais vulnerável.

Frio chega forte após passagem de ciclone

A mudança de tempo se consolida ao longo da noite de segunda-feira (27), com a entrada de uma massa de ar frio que sucede a formação de um ciclone extratropical no Sul do país. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emite dois alertas simultâneos: um de perigo para geada e outro de perigo potencial para declínio acentuado de temperatura.

O aviso para geada vale para seis regiões específicas: Serrana, Noroeste Rio-grandense, Nordeste Rio-grandense, Centro Oriental Rio-grandense, Sul Catarinense e área Metropolitana de Porto Alegre. Nessas áreas, a previsão indica temperatura mínima entre 3°C e 0°C entre a madrugada e o começo da manhã desta terça-feira, faixa em que o gelo se forma sobre o solo e pode queimar folhas e brotos de cultivos sensíveis.

O alerta de declínio de temperatura, de nível um degrau abaixo, já está em vigor desde a meia-noite desta segunda-feira (27) e se estende até o fim do dia 28. O Inmet prevê queda entre 3°C e 5°C em partes de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, com “leve risco à saúde, especialmente para grupos mais vulneráveis”.

Na prática, o cenário é de madrugada gelada, com possibilidade de marcas negativas em áreas de maior altitude, ainda que o aviso oficial fale em valores entre 0°C e 3°C. A geada tende a se formar principalmente em baixadas e vales, onde o ar frio se concentra, enquanto topos de morro podem registrar frio intenso, mas sem formação de gelo visível.

Impacto direto no campo e na saúde

O principal alvo da preocupação é a agricultura familiar e as grandes lavouras em fase de desenvolvimento. Plantios de hortaliças, frutas de clima temperado em brotação e culturas de inverno recém-implantadas são as mais expostas a danos. Em propriedades que trabalham com margens apertadas, uma única madrugada de geada forte pode comprometer parte significativa da renda do mês.

Em municípios da Serra catarinense e do planalto gaúcho, produtores se mobilizam desde o fim de semana para reduzir os prejuízos. Técnicas como irrigação noturna, uso de lonas plásticas e proteção de mudas em estufas são acionadas, mas nem sempre alcançam toda a área plantada. Quanto mais ampla a geada, maior o risco de perdas em escala regional, com reflexos nos preços ao consumidor nas próximas semanas.

A preocupação não se limita ao campo. O resfriamento rápido aumenta a demanda por atendimento em unidades de saúde, com agravamento de doenças respiratórias e cardiovasculares. Idosos, crianças e pessoas em situação de rua formam o grupo mais sensível, especialmente em cidades onde o frio intenso chega antes da estrutura de inverno estar totalmente preparada.

Prefeituras e defesas civis municipais acompanham os avisos do Inmet desde o início da semana. Orientações incluem reforço em abrigos para população em vulnerabilidade, atenção redobrada em hospitais e postos de saúde e campanhas para o uso de agasalhos e cobertores durante a madrugada. Em áreas rurais, técnicos recomendam que animais de produção sejam mantidos em locais protegidos do vento e da umidade, para evitar queda brusca de desempenho e doenças.

O frio de fim de abril reabre o debate sobre a adaptação das cadeias produtivas do Sul do país às mudanças no regime climático. Agricultores relatam maior frequência de extremos, com ondas de calor intenso fora de época, seguidas por incursões de ar frio que encurtam o período de transição entre estações. Em anos de safras já pressionadas por custos elevados, qualquer evento extremo adiciona uma camada extra de incerteza.

Próximas horas serão decisivas

O período crítico se concentra entre a madrugada e o início da manhã desta terça-feira (28), quando o céu tende a ficar mais limpo e o vento enfraquece, combinação ideal para a geada se formar. Técnicos ouvidos por órgãos de imprensa locais reforçam que as primeiras imagens do amanhecer, em lavouras e áreas abertas, vão indicar o tamanho do estrago e a necessidade de medidas emergenciais.

Nos próximos dias, a massa de ar frio perde força gradualmente, mas o padrão de temperaturas abaixo da média de abril ainda deve persistir em parte do Sul. O Inmet mantém o monitoramento em tempo real e pode atualizar os avisos conforme novas rodadas de previsão do tempo. Secretarias estaduais de Agricultura avaliam a possibilidade de levantamento de perdas em regiões mais atingidas, o que pode abrir caminho para linhas de crédito emergenciais e renegociação de dívidas, caso a geada se confirme como severa.

O episódio reforça o papel de sistemas de alerta precoce e de comunicação clara com a população. Para quem vive do campo, algumas horas de antecedência fazem a diferença entre salvar uma safra e assistir ao gelo tomar conta da plantação. Para quem enfrenta o frio nas cidades, a informação precisa pode ser a fronteira entre uma noite desconfortável e um risco real à saúde.

À medida que o dia avança, produtores, prefeituras e órgãos estaduais aguardam o balanço dos danos e os próximos boletins meteorológicos. A dúvida que permanece é se esta primeira onda de frio será um evento isolado ou o prenúncio de um inverno mais rigoroso no Sul do Brasil.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *