Jogos de PS5 exigirão conexão mensal para seguir funcionando
A Sony passa a exigir, a partir de abril de 2026, que donos de PlayStation 5 conectem o console à internet pelo menos uma vez por mês. A medida valida licenças digitais de jogos e reforça o combate à pirataria, mas pressiona jogadores que preferem experiências totalmente offline.
Consoles mais conectados e menos livres
A nova regra vale para jogos digitais de PS5, comprados diretamente na PlayStation Store ou resgatados em assinaturas como a PlayStation Plus. A cada 30 dias, o sistema precisa ir online por alguns minutos para confirmar se as licenças seguem ativas na conta do usuário. Sem essa checagem, os títulos deixam de abrir até a próxima conexão.
A exigência aproxima o videogame de modelos já comuns em softwares profissionais para computador e em serviços de streaming. A empresa reforça, em comunicados a parceiros, que a meta é reduzir o uso irregular de contas, coibir o compartilhamento massivo de bibliotecas e fechar brechas usadas por piratas. O PS5 vende mais de 50 milhões de unidades no mundo desde 2020, o que transforma qualquer mudança de política em tema sensível para uma base diversa de jogadores.
Impacto direto no jogador offline
A decisão pesa sobretudo sobre quem joga em locais com conexão instável ou limitada. Famílias que mantêm o PS5 em casas de praia, sítios ou regiões com internet móvel fraca passam a ter um novo compromisso mensal: conectar o console, nem que seja por poucos minutos, para não perder acesso ao catálogo digital. Jogadores que compram mídia física continuam rodando o disco normalmente, mas atualizações, conteúdos extras e versões digitais seguem presos à validação online.
A política também interfere no uso de contas compartilhadas, prática comum entre amigos e parentes para dividir o custo de lançamentos que custam, em média, de R$ 299 a R$ 399 no Brasil. A checagem recorrente encurta o espaço para bibliotecas “emprestadas” em vários aparelhos e deve reduzir o giro de jogos digitais em mercados cinza. Ao mesmo tempo, tende a aumentar a segurança para quem investe pesado em compras online, já que o controle mais rígido sobre licenças dificulta golpes envolvendo revenda de contas.
Pressão sobre o mercado e próximos passos
A mudança chega em um momento em que a indústria tenta consolidar o modelo totalmente digital. Em alguns países, versões do PS5 sem leitor de disco já respondem por uma fatia relevante das vendas de hardware. A exigência de autenticação mensal envia um recado ao mercado: jogos são serviços sob licença, não bens permanentes. A discussão sobre preservação, acesso em longo prazo e direitos do consumidor ganha novo capítulo, sobretudo para quem vê no console um investimento de vários anos.
O movimento da Sony tende a repercutir entre concorrentes e reguladores. Fabricantes rivais observam se a comunidade gamer aceita a conectividade obrigatória como novo padrão ou se reage com boicotes e pressão pública. Especialistas em direito digital alertam que, se a regra se espalhar, consumidores podem passar a exigir garantias contratuais mais claras sobre tempo mínimo de acesso a seus jogos. Até lá, a rotina de quem joga no PS5 muda de forma discreta, mas concreta: além de escolher o que jogar, será preciso lembrar quando foi a última vez que o console falou com a internet.
