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Neymar falta a treino no Santos por virose e irrita diretoria

Neymar não aparece para o treino do Santos na manhã deste domingo (26), no CT Rei Pelé, em Santos (SP). O clube atribui a ausência a uma virose diagnosticada na noite de sábado (25). O episódio ocorre um dia após o atacante ser flagrado em um boteco na cidade, o que amplia o desconforto interno na Vila Belmiro.

Santos alega virose e tenta conter desgaste

A ausência de Neymar no campo de treinamento surpreende a comissão técnica. O atacante é esperado para as atividades voltadas ao duelo da próxima terça-feira, contra o San Lorenzo, pela Copa Sul-Americana, na Argentina. Sem aparecer no CT, o jogador tem seu estafe acionado pelo clube para explicar o motivo do não comparecimento.

A direção opta por oficializar a versão médica. Em nota enviada à ESPN, o Santos informa que o camisa 10 passa mal desde a noite de sábado. “O atleta Neymar Jr. apresentou quadro de virose na noite de sábado, foi medicado, reagiu bem e segue acompanhado pelo departamento médico do Santos FC”, diz o comunicado do clube.

O texto ainda confirma a presença do astro na viagem para Buenos Aires. “Neymar está confirmado na delegação que estará na Argentina para a partida de terça-feira, contra o San Lorenzo, pela Copa Sul-Americana. Neymar Jr., Gabriel Brazão, Igor Vinicius, Willian Arão e Gabriel Barbosa juntam-se à delegação nesta segunda-feira, em Buenos Aires.” A tentativa é encerrar a polêmica antes do embarque.

O cenário, porém, encontra um vestiário pressionado. A equipe entra na zona de rebaixamento do Brasileirão neste domingo, após a vitória do Corinthians sobre o Vasco por 2 a 1, em Itaquera. O resultado leva o rival a 15 pontos, na 14ª posição, e empurra o Santos para o 17º lugar, com 14 pontos, acentuando a cobrança sobre o desempenho em campo e a conduta dos principais nomes do elenco.

Flagra em boteco aumenta pressão sobre o elenco

Neymar já não entra em campo no sábado, contra o Bahia, por escolha do técnico Cuca. O treinador decide poupá-lo pensando na sequência da temporada e na disputa continental. A decisão parece planejada até o registro da tarde de sábado, que passa a circular em sites e redes sociais pouco depois da partida na Vila Belmiro.

O UOL publica a imagem do atacante em um boteco em Santos comendo feijoada, cercado de amigos. A cena, aparentemente banal em um dia de folga, ganha outra dimensão quando, menos de 24 horas depois, o jogador é desfalque em um treino considerado importante pela comissão técnica. O contraste entre o lazer registrado em foto e o atestado de virose alimenta desconfianças nos bastidores e irrita parte da diretoria.

Internamente, dirigentes veem o episódio como mais um ruído em um elenco já desfalcado. Além de Neymar, Gabigol, Igor Vinícius, Willian Arão e Gabriel Brazão também não atuam diante do Bahia e trabalham em regime diferenciado para o jogo contra o San Lorenzo. A ausência conjunta de cinco jogadores de peso, somada à má fase no Brasileiro, acende o alerta sobre a gestão do grupo.

O clube procura blindar o vestiário e evita críticas públicas. A comunicação oficial insiste na versão clínica, reforça que o craque “reage bem” ao tratamento e estará apto para viajar. O discurso contrasta com o incômodo relatado por pessoas próximas à cúpula santista, que esperavam uma postura mais discreta do principal nome da equipe em um momento de turbulência esportiva.

Clube sob pressão e dependente do astro

A situação de Neymar expõe a delicada relação entre imagem, desempenho e resultado em um time ameaçado de rebaixamento. Com 14 pontos e apenas uma posição fora do Z4, o Santos entra na semana com a missão dupla de reagir no Brasileirão e buscar fôlego na Sul-Americana. A presença do camisa 10 em campo, mesmo após a virose, torna-se peça central nesse plano.

O episódio também reacende o debate sobre o grau de dependência do clube em relação ao astro. Em um elenco com jovens e veteranos em reconstrução, qualquer sinal de desgaste envolvendo o principal nome rapidamente se converte em crise. Dirigentes sabem que o desempenho do time, a venda de ingressos e o interesse de patrocinadores passam, em boa medida, pelo protagonismo do atacante.

A imagem do jogador em um boteco, em um sábado à tarde, não é inédita no futebol brasileiro e, isoladamente, não configura indisciplina. O problema surge quando esse registro antecede, por poucas horas, uma ausência em treino justificada por problema de saúde. Para uma torcida acostumada a ver ídolos atuando mesmo no sacrifício, a combinação de fatores alimenta dúvidas e pressiona o departamento de futebol.

No curto prazo, a resposta virá em campo. Se Neymar embarca, treina e atua com intensidade diante do San Lorenzo, o episódio tende a perder força e se transformar em nota de rodapé de uma temporada ainda em disputa. Se a virose se prolonga, limita minutos ou afeta o rendimento, a relação entre o jogador, a diretoria e a arquibancada volta ao centro do debate, em um clube que não tem mais espaço para tropeços.

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