Flamengo atropela Atlético-MG por 4 a 0 e encosta na liderança
O Flamengo goleia o Atlético-MG por 4 a 0 neste domingo (26), na Arena MRV, em Belo Horizonte, pela 13ª rodada do Brasileirão. Pedro, duas vezes, Gonzalo Plata e Giorgian de Arrascaeta comandam a vitória que confirma o ótimo momento rubro-negro e expõe a crise do time mineiro.
Flamengo impõe ritmo e desarma o Galo no primeiro tempo
A noite toma forma logo no primeiro ataque organizado do Flamengo. Aos oito minutos, a bola sai dos pés de Rossi, passa por Jorginho, Alex Sandro e Arrascaeta até chegar a Samuel Lino na esquerda. O atacante cruza rasteiro, Vitor Hugo se atrapalha na marcação e Pedro completa na pequena área. O gol abre o placar e dita a sensação de desequilíbrio que acompanha o Atlético-MG até o intervalo.
O time de Leonardo Jardim se sente à vontade em Belo Horizonte. Compacto, agressivo na pressão pós-perda e preciso nos passes, o Flamengo aproveita cada brecha oferecida pela zaga alvinegra. Aos 31 minutos, Samuel Lino volta a ser protagonista. Ele encontra Gonzalo Plata aberto na direita. O equatoriano traz a bola para o meio, deixa três marcadores para trás e finaliza colocado da entrada da área. A bola toca a trave e entra, sem chance para Éverson.
A torcida do Galo reage com vaia e impaciência. O clima nas arquibancadas carrega a sequência de protestos contra a diretoria e as dúvidas sobre o futuro de Hulk, ausente diante do Flamengo após sondagem de outro clube brasileiro. Em campo, o time de Eduardo Domínguez não consegue responder. O meio-campo perde duelos, a defesa se desorganiza e o ataque se limita a cruzamentos previsíveis.
O terceiro gol, aos 46 minutos, expõe de vez a fragilidade defensiva atleticana. Pedro recua até a intermediária para ajudar na marcação, recupera a bola e aciona Plata pela direita. O equatoriano alcança a linha de fundo, serve Varela de calcanhar e o lateral cruza de primeira. Arrascaeta aparece sozinho na área, sobe sem ser incomodado e cabeceia para o fundo da rede. O 3 a 0 antes do intervalo transforma a Arena MRV em um cenário de incredulidade para os anfitriões.
Fragilidade do Atlético contrasta com sequência rubro-negra
O Atlético-MG entra no segundo tempo com postura diferente. Alan Minda vem do banco e muda o ritmo do ataque. Em dez minutos, o equatoriano participa de duas boas chegadas pelo lado esquerdo. Em uma delas, encontra Cuello na área, que finaliza com perigo. Pouco depois, arrisca o próprio chute e obriga Rossi a fazer grande defesa. O goleiro rubro-negro reage com reflexo e mantém o placar intacto.
O domínio da posse de bola não se traduz em eficiência. O Galo chega a rondar a área adversária, mas esbarra na falta de precisão e na noite segura da defesa do Flamengo. Léo Ortiz e Léo Pereira cortam cruzamentos e reduzem o espaço de Cassierra, isolado entre os zagueiros. Pela esquerda, Pascini sobe pouco, tem dificuldade para conter Samuel Lino e, mais tarde, Luiz Araújo.
O sistema defensivo atleticano não se encontra. Vitor Hugo, zagueiro de 14 na camisa, se vê envolvido em três dos quatro gols sofridos. No primeiro, perde Pedro na área. No segundo, abre espaço para o arranque de Plata. No quarto, falha na linha de impedimento. A atuação do defensor vira símbolo de uma noite em que nada funciona na retaguarda alvinegra.
No ataque, o Flamengo reduz o ritmo, mas continua perigoso. Leonardo Jardim poupa peças, tira Arrascaeta e Samuel Lino, lança Bruno Henrique e Luiz Araújo. Aos 38 minutos, a equipe volta a acelerar. Luiz Araújo recebe pela direita, aciona Evertton Araújo em profundidade. O volante chega à linha de fundo e rola para Pedro completar de primeira. A arbitragem anula o lance em campo por impedimento, mas o VAR corrige a marcação e confirma o 4 a 0.
O resultado encerra a invencibilidade do Atlético-MG em casa na temporada e aprofunda o desconforto da torcida com a diretoria. O time estaciona nos 14 pontos e ocupa a 15ª posição, rondando a zona de rebaixamento após 13 rodadas. O Flamengo, por sua vez, alcança 26 pontos, soma a sétima vitória consecutiva em todas as competições e aparece consolidado na vice-liderança, pressionando o topo da tabela.
Crise no Galo, confiança em alta no Flamengo
A derrota em casa, com goleada e falhas repetidas, chega em momento sensível para o Atlético-MG. Nas últimas semanas, o clube convive com protestos de torcedores, questionamentos sobre o planejamento esportivo e incerteza em relação ao elenco. A possível saída de Hulk, principal nome do time nos últimos anos, adiciona tensão a um ambiente já carregado. A ausência do atacante neste domingo reforça a sensação de transição mal conduzida.
Dentro de campo, a atuação expõe problemas que vão além de uma noite ruim. O meio-campo não protege a zaga, a recomposição pelos lados falha e a equipe se desorganiza sempre que precisa correr atrás do placar. A Arena MRV, que vira fortaleza desde a inauguração, assiste à primeira derrota na temporada, justamente em um jogo que poderia servir para reaproximar time e torcida. Em vez disso, termina a noite com vaias e cobranças pesadas.
O Flamengo segue em direção oposta. A vitória em Belo Horizonte coroa uma sequência de sete triunfos seguidos e consolida a ideia de um time que equilibra talento técnico e disciplina tática. Gonzalo Plata participa diretamente de três dos quatro gols, marca um golaço e se afirma como peça central no ataque. Pedro chega a duas bolas na rede, se movimenta fora da área e reafirma o peso de seu protagonismo em jogos grandes.
O desempenho coletivo também chama atenção. A saída de bola construída desde Rossi, a participação constante dos laterais, a mobilidade de Arrascaeta e a intensidade na marcação ajudam a transformar a fragilidade defensiva do Atlético em oportunidade. A equipe aproveita as chances, administra o placar no segundo tempo e mostra maturidade de quem se vê, sem rodeios, na briga direta pelo título brasileiro.
Os próximos capítulos tendem a ampliar o contraste. O Atlético-MG volta a campo pressionado, obrigado a reagir para não se aproximar ainda mais da zona de rebaixamento e para conter o desgaste com a torcida. O Flamengo mira a liderança e testa até onde vai a sequência de bons resultados, com elenco confiante e titulares em alta. A goleada em Belo Horizonte deixa uma pergunta em aberto: o jogo marca apenas uma noite desastrosa do Galo ou o início de uma mudança estrutural nas forças do campeonato?
