City vira sobre o Southampton e vai à quarta final seguida da FA Cup
O Manchester City vence o Southampton por 2 a 1, de virada, neste sábado (25), no Etihad Stadium, e se classifica para a final da Copa da Inglaterra. A equipe de Pep Guardiola garante lugar em Wembley em 16 de maio e mantém viva a chance de fechar a temporada com mais um título nacional.
Virada em seis minutos e fim de série invicta
O roteiro da semifinal parece previsível durante boa parte da tarde em Manchester. O City controla a bola, cerca a área rival e empurra o Southampton para trás, mas esbarra em erros de definição e na boa atuação da defesa adversária. O time visitante, em longa série invicta de 20 jogos, aceita ficar recuado e espera um contra-ataque perfeito.
Esse contra-ataque enfim aparece aos 33 minutos do segundo tempo. O Southampton recupera a posse no meio de campo com Jander, acelera pela esquerda com o brasileiro Léo Scienza e encontra Fellows bem posicionado. A bola chega a Azaz na entrada da área, ele gira sem marcação e acerta o ângulo, silencioso o Etihad por alguns segundos. O 1 a 0 coloca o City contra a parede e ameaça a quarta final consecutiva do clube na FA Cup.
A resposta é imediata. Três minutos depois, aos 36, Doku recebe espaço na intermediária ofensiva e arrisca de fora da área. A finalização desvia na zaga, engana o goleiro Peretz e empata a partida. O empate devolve a energia à torcida e muda a temperatura do jogo. O City se lança de vez ao ataque e transforma a semifinal em um duelo de um time só.
A virada chega aos 41 minutos, em outra jogada construída com paciência, mas decidida com precisão. A bola vem da direita, atravessa a área e encontra Nico González em posição frontal. O argentino domina, escolhe o canto e solta um chute forte, indefensável. A imagem dos jogadores do City abraçando o meia, reproduzida nas redes sociais do clube, sintetiza o alívio de um elenco que flerta com a eliminação e termina a noite com vaga em mais uma decisão.
Domínio do City, resistências do Southampton e brasileiros em foco
O primeiro tempo se desenha em um único lado do campo. O City prende o Southampton no campo de defesa, gira a bola entre zagueiros e meio-campistas e tenta encontrar brechas com infiltrações curtas. Kovacic tem a melhor chance aos 19 minutos, quando invade a área e chuta cruzado, rente à trave. A arbitragem anula um gol do brasileiro Léo Scienza, em impedimento na origem da jogada, e reforça a sensação de que o time visitante só consegue machucar o rival em escapadas isoladas.
Scienza se destaca como válvula de escape e principal opção ofensiva do Southampton na primeira etapa. Ele recebe aberto pela esquerda, parte para cima dos defensores e tenta acelerar os contra-ataques. Na defesa, o também brasileiro Welington cumpre papel discreto, porém vital. O lateral participa de desarmes dentro da área e ajuda a fechar o lado esquerdo, atrasando as tentativas de Doku e dos meias do City.
Na volta do intervalo, o cenário se intensifica. O Southampton se fecha ainda mais, com duas linhas compactas, e praticamente abdica de atacar durante mais de meia hora. O City aumenta o volume, roda o elenco e tenta variar as formas de finalização. Reijnders arrisca de longe e passa perto. Savinho entra para explorar o um contra um na área e obriga Peretz a fazer defesa difícil em chute rasteiro. Em outro lance de pressão, González finaliza forte, o goleiro espalma, Cherki pega o rebote, a bola explode na zaga e sobra limpa para Reijnders, que manda para fora.
O gol de Azaz, aos 33 minutos, parece premiar a disciplina defensiva do Southampton e punir a dificuldade do City em transformar posse em gol. Em poucos toques, a equipe visitante desmonta o sistema de marcação rival e encontra espaço onde não encontrava desde o início do jogo. A reação rápida do City, porém, mostra a capacidade do elenco de lidar com a pressão e virar jogos que se anunciam traumáticos.
Quarta final seguida, pressão por títulos e próximos capítulos
A classificação coloca o Manchester City em sua quarta final consecutiva de FA Cup, um recorte que reforça a hegemonia recente do clube nas copas nacionais. Desde meados da década passada, o time de Guardiola transforma Wembley em extensão natural do calendário. Manter essa sequência em 2026 significa não só disputar mais um troféu, mas também sustentar a narrativa de potência dominante no futebol inglês.
A virada também derruba uma invencibilidade de 20 partidas do Southampton, série que servia como escudo para o clube em meio à disputa doméstica. A derrota em Manchester expõe as limitações ofensivas da equipe em jogos grandes, mas confirma a capacidade de competir em alto nível com uma proposta reativa. O desempenho defensivo e a atuação de nomes como Léo Scienza e Welington tendem a pesar na avaliação interna para a próxima temporada, tanto em termos de manutenção do elenco quanto de eventuais reforços.
Para o City, o efeito imediato é técnico e emocional. A vitória em um jogo tenso, resolvido aos 41 minutos do segundo tempo, alimenta a confiança de um elenco que encara uma maratona de competições nacionais e internacionais. Guardiola ganha mais um argumento para defender o rodízio constante e o uso intenso do banco de reservas, com protagonistas surgindo em momentos decisivos. A atuação de Savinho, decisivo em lances de um contra um, e o gol de González, autor da virada, ampliam o leque de opções para o treinador.
Final em Wembley e pressão sobre Chelsea e Leeds
A decisão da FA Cup está marcada para 16 de maio, em Wembley, e ainda depende da definição do rival. Chelsea e Leeds se enfrentam neste domingo, na outra semifinal, sob a sombra do que o City apresenta em Manchester. Quem avançar já sabe que terá pela frente um adversário acostumado a decisões, com elenco profundo e capaz de virar jogos em poucos minutos.
O City volta a campo nos próximos dias pelo calendário doméstico, mas joga com a certeza de que maio reserva mais uma final de copa. A pergunta agora não é apenas se o time vai levantar o troféu em Wembley, mas quantos títulos ainda consegue encaixar nesta temporada antes de o fôlego, físico e mental, começar a cobrar seu preço.
