Ônibus invade calçada e deixa quatro feridos no Centro de BH
Um ônibus da linha 9211 invade a calçada e atropela quatro pedestres na noite desta sexta-feira (24), na Avenida Amazonas, Centro de Belo Horizonte. Uma idosa de 66 anos sofre fratura exposta no pé. A principal suspeita é de falha mecânica no freio do coletivo.
Acidente em área de grande fluxo choca quem passa pelo Centro
A colisão acontece na altura do número 885 da Avenida Amazonas, esquina com a Rua Padre Belchior, por volta do início da noite, quando o movimento de pedestres ainda é intenso. O ônibus, que faz a linha 9211 Caetano Furquim/Havaí, segue em direção a um ponto quando, desgovernado, sobe na calçada e avança contra quem espera ou caminha pela via.
Imagens de câmeras de segurança registram o momento em que o coletivo deixa a pista e invade a área destinada aos pedestres. No vídeo, o veículo passa rente ao ponto de ônibus e só para depois de atingir uma placa de trânsito. Alguns segundos depois, pessoas aparecem caídas ao lado da lateral direita do veículo, enquanto outras correm para tentar ajudar.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) é acionado às pressas. Três mulheres e um homem, todos atropelados na calçada, recebem os primeiros socorros ainda no local. A vítima em situação mais grave, uma idosa de 66 anos, apresenta fratura exposta no pé. Os quatro são encaminhados para o Hospital João XXIII, referência no atendimento a politraumatizados em Belo Horizonte. O estado de saúde deles não é informado até o fim da noite.
Quem circula pelo Centro no começo da noite encontra a cena de sirenes ligadas, curiosos cercando a área e um ônibus prensando a placa de trânsito na calçada. A região, que concentra comércio, pontos de ônibus e grande circulação diária de trabalhadores e estudantes, volta a ter a segurança do transporte público colocada em xeque diante de mais um acidente envolvendo coletivo.
Suspeita de falha mecânica acende alerta sobre manutenção de ônibus
A causa do acidente ainda passa por investigação, mas a principal linha de apuração, segundo as primeiras informações, é de falha mecânica no sistema de freios. A hipótese é de que o freio teria travado, impedindo o motorista de controlar o ônibus no trecho final de aproximação ao ponto. Relatos iniciais indicam que o condutor tenta reduzir a velocidade antes de atingir a calçada, sem sucesso.
A Prefeitura de Belo Horizonte informa, em nota, que “lamenta profundamente o acidente” e que apura as circunstâncias do caso junto aos órgãos responsáveis pela fiscalização do transporte coletivo. A administração municipal destaca ainda que a Autorização de Tráfego do ônibus envolvido está válida até 9 de novembro deste ano, o que indica, em tese, que o veículo cumpre os requisitos formais para circular.
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) é procurado, mas não responde até a publicação desta reportagem. A ausência de posicionamento reforça as cobranças que começam a surgir de passageiros, comerciantes e moradores da região, preocupados com a rotina de quem depende do transporte público e atravessa, todos os dias, pontos como o da Avenida Amazonas.
Nas redes sociais, fotos e vídeos do coletivo invadindo a calçada se espalham em poucos minutos. Usuários questionam o estado de conservação da frota que circula na capital e cobram fiscalização mais rígida sobre freios, pneus e sistemas de direção. Também pedem transparência nos laudos técnicos que vão apontar a real causa do acidente.
O histórico de ocorrências com ônibus em áreas centrais de grandes cidades brasileiras, inclusive Belo Horizonte, alimenta o temor de quem se vê exposto diariamente entre a pista e a calçada. Cada nova colisão reabre o debate sobre a idade média dos veículos, a qualidade das vistorias e a responsabilidade compartilhada entre empresas, poder público e órgãos de controle.
Investigação, cobrança por respostas e pressão por mudanças
O caso na Avenida Amazonas passa a ser tratado como mais um teste para os mecanismos de fiscalização do transporte coletivo em Belo Horizonte. A PBH afirma que acompanha a investigação, mas não detalha, por enquanto, quais medidas imediatas pretende adotar junto à empresa responsável pela linha 9211. A expectativa é de que laudos periciais indiquem, nos próximos dias, se houve falha de manutenção, defeito súbito de peça ou erro humano.
Especialistas em mobilidade urbana ouvidos em outros episódios semelhantes costumam apontar três frentes de ação: revisão rigorosa da frota, responsabilização efetiva em casos de negligência e melhoria da infraestrutura para proteger pedestres em pontos de parada. A calçada estreita, a proximidade entre a faixa de rolamento e o ponto de ônibus e o fluxo pesado de veículos na região central agravam os riscos de um eventual descontrole do coletivo.
Moradores e trabalhadores do Centro, que já convivem com trânsito carregado e travessias perigosas, cobram respostas rápidas. Querem saber se o ônibus passava, de fato, por manutenção regular, quantos quilômetros rodava por dia e quando havia sido a última vistoria. Também esperam que o poder público divulgue, de forma clara, os resultados da perícia e eventual punição às empresas que descumprirem normas de segurança.
A ausência de manifestação do SetraBH, até o momento, amplia o desconforto de quem usa o sistema todos os dias. Sem uma fala direta sobre o que ocorreu, as dúvidas se espalham: o acidente é um ponto fora da curva ou sinal de um problema mais amplo na manutenção da frota? A resposta oficial, quando vier, terá impacto direto na confiança de milhares de passageiros.
O desfecho da investigação na esquina da Avenida Amazonas com a Rua Padre Belchior deve orientar decisões sobre fiscalização, contratos e eventuais mudanças nas regras de circulação dos ônibus na região central. Enquanto isso, o ponto onde o coletivo avança sobre a calçada segue como símbolo de uma pergunta que volta a ecoar entre pedestres e usuários do transporte público em Belo Horizonte: até quando caminhar perto de um ponto de ônibus vai significar correr risco de vida?
