Esportes

Sob pressão, Massis banca Roger Machado e cobra união no São Paulo

Harry Massis sai em defesa de Roger Machado e garante a permanência do técnico no comando do São Paulo ao menos por ora. Em manifestação oficial divulgada nesta sexta-feira (24), o presidente tenta conter a pressão da torcida e de conselheiros em meio à crise política no clube.

Presidente reage à arquibancada e ao Conselho

A nota de Massis chega menos de 24 horas após uma nova onda de protestos no Morumbis. No duelo contra o Juventude, a torcida vaiou o treinador desde o anúncio da escalação até o apito final, transformando o ambiente em júri permanente sobre o futuro do técnico. As críticas saem das arquibancadas, atravessam o gramado e alcançam a diretoria, em especial o executivo de futebol Rui Costa.

Nesse clima, o presidente se reúne com lideranças do grupo Nova União, que reúne mais de 180 conselheiros do São Paulo, para discutir a situação do comando técnico e o momento do clube. O movimento cobra respostas da gestão em meio a resultados aquém do esperado e a um cenário político em ebulição. Da conversa, sai a decisão de tornar público o apoio a Roger e ao departamento de futebol.

Na manifestação, Massis tenta amarrar o discurso em torno de um inimigo comum: a crise. “Ontem nos reunimos com lideranças do grupo Nova União, que representa mais de 180 conselheiros da instituição. Entendemos que o momento pede união de todos os são-paulinos para que, juntos, consigamos alcançar os resultados que esperamos”, afirma o presidente.

O recado mira diretamente a arquibancada, que nos últimos jogos assume o protagonismo da pauta no clube. “É muito importante termos a torcida ao nosso lado, pois são o nosso grande combustível para lutar pelo melhor para a entidade. Queremos reforçar que Rui Costa e Roger Machado têm o apoio e a confiança da gestão e de toda a nossa coalizão no clube”, completa Massis, em tom de blindagem ao treinador e ao dirigente.

Crise esportiva cruza com disputa política

O respaldo público não apaga o contexto de desgaste. A sequência recente de atuações irregulares derruba o humor do torcedor e alimenta o debate interno. A cada tropeço, cresce a percepção de que o problema vai além do campo e envolve o projeto de poder no São Paulo. Conselheiros ligados a diferentes grupos usam o mau momento como munição na disputa por espaço na estrutura do clube.

Nos bastidores, interlocutores da diretoria admitem preocupação com a escalada da insatisfação. A pressão sobre Roger nasce dos resultados, mas rapidamente se converte em crítica à condução do futebol e à capacidade da gestão de oferecer ambiente estável. Rui Costa, responsável por escolhas de elenco e planejamento, vira alvo recorrente e precisa ser defendido na mesma frase que o treinador.

O episódio mais recente no Morumbis funciona como síntese dessa tensão. Vaias já durante a escalação expõem a ruptura de confiança entre parte da torcida e a comissão técnica, ainda que o contrato de Roger siga em vigor. Após o jogo, o técnico admite sentir o peso do momento, mas sinaliza que não pensa em desistir. Há entendimento, entre dirigentes e o próprio treinador, de que o componente político amplia cada tropeço esportivo.

Enquanto o presidente fala em união, o elenco tenta trabalhar em meio ao barulho. A expectativa de retorno do zagueiro Arboleda ao Brasil, para resolver pendências com o clube, entra no radar como possível reforço simbólico num elenco que precisa de referências em campo. Cada peça recuperada ganha peso num cenário em que desempenho, bastidor e calendário se misturam.

Treinador segue, mas cobrança aumenta

No curto prazo, a manifestação de Massis afasta a hipótese de demissão imediata de Roger Machado. A avaliação interna é que uma troca agora alimentaria ainda mais a instabilidade e fortaleceria grupos de oposição que reclamam de falta de planejamento. O presidente prefere dobrar a aposta e cobra reação com a mesma firmeza com que oferece respaldo.

Roger, por sua vez, reforça o discurso de continuidade e afirma que pretende cumprir o contrato. A mensagem encontra eco em parte do elenco, que enxerga na permanência do treinador uma chance de manter algum grau de previsibilidade no dia a dia. A outra parte observa o movimento com pragmatismo: o apoio está dado, mas a régua passa a ser cada jogo, sobretudo os disputados no Morumbis.

O próximo compromisso, contra o Mirassol, ganha contornos de teste de estresse para o pacto costurado entre presidente, conselheiros e comissão técnica. A atmosfera no estádio, o comportamento da torcida e a atuação do time se tornam indicadores imediatos da eficácia da nota oficial. Uma vitória pode dar fôlego à diretoria e reduzir o volume da crítica; um novo tropeço tende a reacender as especulações sobre ruptura.

No tabuleiro político, o gesto de Massis tenta reorganizar forças e reafirmar liderança diante de um Conselho fragmentado. O grupo Nova União, com seus mais de 180 conselheiros, passa a ser observado como termômetro da governabilidade do presidente. Se o apoio se mantiver firme em meio à turbulência esportiva, o presidente ganha tempo para conduzir reformas e ajustes internos. Se rachar, a pressão volta à porta do vestiário.

A temporada segue longa, e a margem para erros encolhe a cada rodada. A blindagem pública de hoje não elimina o fato de que o futebol do São Paulo, em campo, precisa responder com desempenho e resultados. A pergunta que se impõe, e que ecoa entre arquibancadas e gabinetes, é simples e urgente: quanto tempo de paciência ainda existe para que o discurso de união se traduza em vitórias?

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