HBO Max vira lanterna do streaming e perde espaço para Disney+
A HBO Max se torna, em março de 2026, o streaming menos consumido do país e perde posição para o Disney+, segundo medição do Ibope em 15 regiões metropolitanas. A plataforma da Warner fecha o mês com apenas 0,3% de participação em audiência, enquanto a rival da Disney sobe para 0,5%.
Queda da HBO Max acende alerta na guerra do streaming
O movimento consolida uma virada incômoda para a HBO Max no Brasil. A plataforma, que já enfrenta pressão global por resultados, passa a ocupar a última colocação entre os principais serviços medidos pelo Ibope. O levantamento considera o consumo de vídeo em TVs, celulares e computadores em domicílios de 15 regiões metropolitanas, incluindo Grande São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Distrito Federal.
Os números mostram uma trajetória de desgaste. Em janeiro, a HBO Max tinha 0,5% de share. Em fevereiro, recua para 0,4%. Em março, perde mais um ponto decimal e estaciona em 0,3%. A queda abre espaço para o Disney+, que inverte a lógica recente. Depois de meses na lanterna, o serviço da Disney ganha terreno, sobe de 0,4% para 0,5% e deixa a concorrente da Warner na parte mais frágil da tabela.
Disney+ ganha fôlego enquanto TV aberta dispara
Dentro da métrica do Ibope, o Disney+ é o único streaming que registra alta em março. A variação é pequena, mas simbólica em um cenário de estagnação e recuos. A plataforma vinha sendo tratada no mercado como um serviço ainda em busca de tração no país, com histórico de audiência tímida e presença mais forte em pacotes promocionais com operadoras e fabricantes de TVs.
A fotografia do consumo de vídeo no mês revela um Brasil ainda dominado pela TV tradicional. A chamada TV linear, que engloba emissoras abertas e canais pagos, responde por 63,3% da audiência total, alta de 1,6 ponto percentual em relação a fevereiro. O crescimento ocorre na mesma medida em que cai o consumo de vídeo online, num sinal de que, em março, parte do público volta a priorizar a programação ao vivo e a grade fixa.
O impacto atinge até gigantes digitais. O YouTube, que vinha em trajetória de expansão, perde fôlego e cai de 22% para 20,9% de participação. A Netflix recua de 5,5% para 5,3%. O TikTok desliza de 5,2% para 5,1%. O Prime Video se mantém em 1%, sem avanço, e o Globoplay repete 2,2%. Nesse ambiente de leve retração, o pequeno ganho do Disney+ chama atenção por destoar da curva geral.
Estratégias agressivas e disputa por assinantes
O desempenho fraco da HBO Max ocorre em meio a um esforço da própria plataforma para segurar e ampliar a base de assinantes no país. O serviço oferece até 50% de desconto nos planos anuais até 4 de maio, em uma ação que mira preço, um dos fatores mais sensíveis para o consumidor brasileiro. O recuo no share sugere que, por enquanto, o pacote promocional ainda não se traduz em ganho relevante de audiência.
A leitura no mercado é de que a Warner precisa combinar ofertas agressivas com uma estratégia de conteúdo mais clara. O catálogo da HBO Max tem séries prestigiadas e marcas fortes, mas enfrenta concorrência direta de produções da própria Disney e de gigantes como Netflix e Prime Video. Cada décimo de ponto perdido significa menos tempo de tela e menos relevância na briga por atenção, orçamento de marketing e verbas publicitárias associadas ao ecossistema de streaming.
Do outro lado, o Disney+ tenta capitalizar o momento. O serviço investe em combos com outros produtos da empresa e em parcerias com fabricantes de televisores para reduzir barreiras de entrada. A lógica é simples: quanto mais fácil o acesso, maior a chance de o usuário experimentar a plataforma. O ganho de 0,1 ponto em março pode parecer modesto, mas representa uma inversão de tendência depois de um período em que o streaming da Disney era visto como sinônimo de baixa audiência.
Mercado pressionado e próximos movimentos
O recuo da HBO Max e o avanço do Disney+ ocorrem em um momento em que grandes plataformas repensam preços e modelos de negócio no mundo todo. A Netflix enfrenta decisões judiciais na Europa por aumentos considerados abusivos e eleva valores nos Estados Unidos, enquanto a própria Warner passa por negociações complexas e discute seu futuro societário. O humor do investidor contaminou o setor, e cada mercado nacional passa a ser ainda mais cobrado por resultados.
No Brasil, a fotografia de março indica um campo de batalha em que a TV aberta volta a disparar e os serviços digitais precisam disputar minutos de atenção com mais intensidade. A HBO Max entra no mês seguinte com o rótulo incômodo de lanterna do streaming medido pelo Ibope e a missão de transformar descontos em tempo de tela. O Disney+ ganha algum fôlego, mas ainda está distante dos líderes e precisa provar que a reação não é apenas um soluço estatístico. A pergunta que se impõe é quem consegue converter oscilações de algumas casas decimais em uma virada duradoura na preferência do público brasileiro.
