Presidente do Deportivo Recoleta pode jogar contra o Santos na Sul-Americana
Luis Vidal, presidente do Deportivo Recoleta, pode entrar em campo como jogador contra o Santos, nesta terça-feira (14), na Vila Belmiro, pela Copa Sul-Americana. O dirigente de 52 anos está inscrito no torneio e aguarda liberação da Conmebol para atuar.
Presidente em campo e duelo decisivo na Vila Belmiro
O Deportivo Recoleta, estreante em competições continentais, chega a Santos com um personagem improvável no centro das atenções. O clube paraguaio inscreve Vidal como um dos reforços da Copa Sul-Americana e abre a possibilidade de ver o presidente dividir o gramado com jogadores profissionais, em um jogo que pode pesar na disputa do Grupo D.
O time empata em 1 a 1 com o San Lorenzo na estreia, em Assunção, e encara o Santos pressionado por pontos fora de casa. A presença de Neymar no elenco santista transforma o confronto em vitrine continental rara para o Recoleta. Em meio a esse cenário, o presidente-jogador vira símbolo de ousadia e de um clube que tenta se afirmar entre os grandes.
Da sala da presidência ao vestiário: a jornada de Vidal
Vidal comanda o Deportivo Recoleta desde 2019 e lidera o projeto que leva o clube de bairro, de Assunção, de volta à primeira divisão paraguaia pela segunda vez na história. O passo seguinte vem em 2025, quando o time garante vaga inédita na Copa Sul-Americana ao eliminar o Nacional nos pênaltis, depois de empate no tempo normal.
A relação dele com o campo, porém, não fica restrita ao bastidor. Em novembro passado, na última rodada do Clausura, o presidente entra nos acréscimos do empate por 0 a 0 com o Nacional e se torna o jogador mais velho a atuar na elite paraguaia, com 52 anos. A cena corre o país, alimenta o imaginário em torno da figura de dirigente-atleta e abre espaço para um passo ainda maior: o torneio continental.
Na inscrição para a Copa Sul-Americana, o Recoleta utiliza a brecha do regulamento que permite a inclusão de até cinco novos jogadores até a terceira rodada da fase de grupos. Vidal confirma, à rádio Monumental, que seu nome aparece na lista enviada à Conmebol e registrada dentro do prazo. “Ainda estamos analisando isso, há a questão da autorização, que vai até a terceira rodada. Fui incluído como um dos cinco reforços e vai depender muito de como tudo se desenrolar”, afirma.
O clube agora aguarda um sinal formal da entidade sul-americana para que o presidente fique à disposição do técnico na Vila Belmiro. Sem essa liberação, a presença de Vidal se limita ao banco ou ao camarote. Com o aval, ele pode aparecer entre os reservas e, a depender do jogo, entrar em campo diante de um estádio historicamente hostil para visitantes.
Regulamento, vitrine e a imagem de um clube em ascensão
A possível participação de Vidal escancara a flexibilidade do regulamento da Sul-Americana em relação ao perfil dos inscritos. A Conmebol exige registro profissional e respeito aos prazos, mas não veta que um dirigente acumule funções. No caso do Recoleta, a inscrição é regular; o que falta é a confirmação de que o presidente, já utilizado em torneios nacionais, esteja apto também no âmbito continental.
Se entrar em campo, Vidal pode se tornar o jogador mais velho em atividade na atual edição da competição. A imagem de um dirigente de 52 anos marcando, por exemplo, Neymar, ganha potencial imediato para viralizar em redes sociais e telejornais esportivos no continente. O impacto esportivo pode ser limitado a poucos minutos, mas o efeito simbólico e de marketing tende a ser muito maior.
Para o Deportivo Recoleta, a história funciona como vitrine num momento estratégico. O clube disputa apenas sua segunda participação na elite paraguaia e tenta consolidar a permanência entre os principais. A Sul-Americana amplia a exposição, atrai patrocinadores, aumenta receitas de televisão e bilheteria e aproxima torcedores que ainda veem o time como um azarão. Ter o presidente como jogador reforça a narrativa de um projeto personalista, com forte identificação entre direção, elenco e arquibancada.
O Santos, por sua vez, entra em campo sob outra pressão. O clube brasileiro, que busca reconstruir a própria imagem na América do Sul, não pode se dar ao luxo de tropeçar em casa. Um resultado negativo na segunda rodada complica a disputa com Recoleta, San Lorenzo e Deportivo Cuenca pelas vagas na próxima fase. A eventual entrada de Vidal, ainda que breve, não tira o peso competitivo do jogo, que pode influenciar de forma direta a classificação do Grupo D.
Próximos passos e o que está em jogo para a Conmebol
A decisão da Conmebol sobre o caso ultrapassa o roteiro curioso do presidente-jogador. Uma autorização formal sinaliza que a entidade aceita esse tipo de acúmulo de funções em torneios continentais, desde que as exigências burocráticas sejam cumpridas. A mensagem pode estimular outros clubes médios e pequenos a repetir a fórmula, em busca de visibilidade ou de um gesto simbólico de seus dirigentes.
Uma negativa, por outro lado, tende a ser interpretada como movimento em direção a um perfil mais rígido e profissionalizado de participante, mesmo em clubes menores. Em qualquer cenário, o nome de Luis Vidal já entra no noticiário internacional antes mesmo do apito inicial em Santos. A bola que rola na Vila Belmiro decide pontos fundamentais para o Grupo D. A caneta da Conmebol define se o presidente continua apenas como personagem de bastidor ou se vira protagonista dentro das quatro linhas.
