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Netanyahu apoia bloqueio naval dos EUA a portos do Irã

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declara nesta segunda-feira, 13 de abril de 2026, apoio aberto ao bloqueio naval dos Estados Unidos contra os portos iranianos. A medida americana responde ao fracasso das negociações de paz com o Irã em Islamabad e eleva o risco de uma nova escalada no Oriente Médio.

Crise após negociações fracassadas no Paquistão

Netanyahu faz o anúncio durante a reunião semanal de gabinete em Jerusalém, horas depois de o Pentágono confirmar o início da operação. Em vídeo divulgado por seu escritório, o premiê afirma que Teerã descumpre, desde o primeiro momento, os termos acordados para a abertura de um canal de diálogo com Washington.

“O Irã violou as normas das negociações de paz no Paquistão, o presidente Trump decidiu impor um bloqueio naval”, diz o primeiro-ministro a seus ministros. Ele reforça que a decisão é tomada em coordenação direta entre Jerusalém e Washington. “Nós apoiamos, é claro, a postura firme e estamos em constante coordenação com os Estados Unidos”, acrescenta.

O bloqueio é anunciado depois de um fim de semana de tentativas frustradas de acordo em Islamabad, capital do Paquistão. As conversas, conduzidas pelo vice-presidente americano, JD Vance, e por uma delegação iraniana, terminam sem resultado concreto. Poucas horas após deixar a mesa de negociação, Vance informa Trump sobre o impasse e retorna a Washington.

Pelas regras combinadas, segundo Netanyahu, Teerã deveria aceitar um cessar-fogo imediato e reabrir sem restrições o Estreito de Ormuz, rota por onde circulam cerca de 20% do petróleo transportado por mar no mundo. “O acordo era que haveria um cessar-fogo e os iranianos abririam imediatamente o estreito. Eles não o fizeram. Os americanos não puderam aceitar isso”, afirma o premiê israelense.

Trump anuncia a decisão em suas redes sociais ainda no domingo à noite, no horário de Washington, e determina à Marinha americana que bloqueie todos os portos iranianos a partir desta segunda-feira. A ordem atinge terminais no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã e se estende às duas margens do Estreito de Ormuz, ponto mais sensível da rota comercial.

Bloqueio naval amplia pressão sobre Teerã e o mercado de energia

As Forças Armadas dos Estados Unidos informam que o bloqueio começa às 11h, no horário de Brasília, e vale para qualquer navio que saia de portos iranianos ou tente atracar neles. A operação inclui porta-aviões, destróieres e navios de apoio logístico e se soma ao regime de sanções econômicas em vigor contra Teerã desde a saída de Washington do acordo nuclear, em 2018.

Na prática, a ofensiva americana tenta estrangular a principal fonte de receita externa do Irã, baseada na exportação de petróleo e derivados. Mesmo sob sanções, o país ainda embarca centenas de milhares de barris por dia, em especial para aliados asiáticos. Um bloqueio físico, ainda que parcial, ameaça reduzir esse fluxo a quase zero e afeta a oferta global de energia, com impacto imediato sobre preços de petróleo e frete marítimo.

Netanyahu indica que o objetivo central de Washington vai além da disputa pelo controle do estreito. Segundo ele, Vance relata, após as reuniões em Islamabad, que a “questão central” para Trump é impedir qualquer avanço no programa nuclear iraniano. “A prioridade dele é a retirada de todo o urânio enriquecido do Irã e garantir que não aconteça mais enriquecimento nos próximos anos – inclusive nas próximas décadas –, nenhum enriquecimento dentro do Irã”, afirma o israelense.

O foco no urânio responde ao temor de que Teerã reduza, em poucos anos, a distância técnica para dominar a tecnologia necessária à fabricação de uma bomba nuclear. O governo iraniano insiste que o programa tem fins exclusivamente civis, como geração de energia e produção de radioisótopos para uso médico. Potências ocidentais, Israel à frente, veem na política nuclear iraniana uma ameaça direta à segurança regional.

O apoio público de Netanyahu sela mais um capítulo da cooperação estratégica entre Israel e Estados Unidos. Os dois países compartilham informações de inteligência e coordenam, há décadas, ações de pressão econômica e diplomática sobre Teerã. Ao lado das sanções, o bloqueio naval adiciona um instrumento militar explícito a esse arsenal e sinaliza que Washington está disposto a testar até onde o Irã quer levar o confronto.

Risco de escalada no Oriente Médio e próximos movimentos

A decisão conjunta de Trump e Netanyahu isola ainda mais o Irã no tabuleiro internacional e levanta dúvidas sobre a reação de Teerã. O governo iraniano, historicamente, ameaça responder a esse tipo de iniciativa com ataques a navios mercantes, interrupções no fluxo de petróleo ou ofensivas indiretas, por meio de grupos aliados na região. Um único incidente no estreito, onde a passagem chega a ter apenas 40 quilômetros de largura, pode acender um conflito aberto.

Países que dependem do petróleo do Golfo acompanham a crise com apreensão. Entre eles estão grandes importadores asiáticos e nações europeias que ainda enfrentam os efeitos de oscilações de preços desde 2022. Segmentos como transporte marítimo, aviação e indústria petroquímica sentem rapidamente qualquer aumento de custo. Investidores reagem com cautela, e bolsas internacionais medem, em tempo real, o risco de um choque de energia em plena tentativa de recuperação econômica global.

A pressão também recai sobre aliados do Irã, como Rússia e China, que podem tentar contornar o bloqueio com rotas alternativas ou escoltas navais. Esse movimento tende a testar os limites do direito internacional e ampliar a disputa pelo controle das principais vias marítimas do planeta. Cada novo navio militar na região adiciona uma camada de tensão a um cenário já saturado de crises simultâneas, da guerra na Síria à instabilidade no Iraque e no Iêmen.

Em Israel, o discurso de Netanyahu reforça a imagem de um governo alinhado de forma quase automática a Washington em tudo o que se refere ao dossiê iraniano. Ao apoiar o bloqueio, ele aposta que a demonstração de força americana pode conter Teerã e produzir um acordo mais duro sobre o programa nuclear. O cálculo, porém, carrega o risco de empurrar a região para uma espiral de retaliações que foge ao controle dos próprios articuladores.

Os próximos dias revelam até onde o bloqueio americano consegue pressionar o Irã sem desencadear uma resposta militar direta. A dúvida no horizonte diplomático é se a ofensiva abre espaço para uma nova rodada de negociações, mais desequilibrada, ou se inaugura uma fase em que a força naval substitui, de vez, a mesa de diálogo no Golfo Pérsico.

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