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Datafolha mostra alta rejeição a Lula a seis meses da eleição

A nova pesquisa Datafolha, realizada entre 7 e 9 de abril de 2026, mostra que 40% dos eleitores avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo. O levantamento aponta ainda 29% de avaliação positiva e 29% de conceito regular, num momento em que o presidente se prepara para disputar um quarto mandato.

Medição decisiva em Brasília

Os números chegam a Brasília como um termômetro de um governo pressionado por uma economia em recuperação lenta, um Congresso hostil e um ambiente internacional instável. A menos de seis meses da eleição de 2026, a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva se torna peça central nas contas de partidos, do empresariado e de movimentos sociais.

No auditório de um centro de convenções na capital federal, assessores, parlamentares e analistas acompanham a apresentação dos dados. Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin assistem aos gráficos que projetam, em cores, a divisão do eleitorado. A fotografia captada pelo Datafolha sugere um governo que enfrenta rejeição alta e apoio consolidado, porém limitado, em torno de três em cada dez brasileiros.

Comparação com FHC, Dilma e Bolsonaro

A divulgação da pesquisa reacende uma comparação inevitável com os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro na mesma fase de seus mandatos. Em eleições passadas, medições deste período funcionam como prenúncio de desempenho nas urnas e de capacidade de articulação política. A curva de Lula hoje difere do auge de popularidade obtido por ele próprio em mandatos anteriores e se aproxima mais do cenário de governos sob contestação intensa.

No ambiente político, interlocutores próximos ao Planalto admitem preocupação com o patamar de 40% de avaliação negativa. A leitura é que, acima desse nível, a rejeição tende a funcionar como barreira estrutural para a expansão de votos, especialmente em disputas polarizadas. Ao mesmo tempo, o percentual de 29% de aprovação indica um núcleo duro que resiste ao desgaste e enxerga no governo uma proteção contra a volta do bolsonarismo.

A comparação histórica insere a gestão atual em um quadro mais amplo. FHC conviveu com crises cambiais e impopularidade crescente na reta final do segundo mandato. Dilma atravessou protestos de rua e recessão antes do impeachment. Bolsonaro governou em meio à pandemia, ao desemprego elevado e ao embate permanente com instituições. O Datafolha de abril de 2026 coloca Lula nesse continuum de presidentes testados por choques internos e externos.

Clima de inflexão democrática

O pano de fundo da pesquisa ultrapassa a disputa de nomes e atinge o desenho da democracia brasileira. Nas conversas nos corredores de Brasília, a avaliação é que o País vive novo ponto de inflexão, semelhante ao de 2018 e, em menor medida, a 2014. A ameaça bolsonarista permanece no horizonte, com uma direita radicalizada que não desaparece após a derrota nas urnas, apenas recua e se reorganiza.

Líderes governistas enxergam na pesquisa um alerta. Com um Congresso de maioria conservadora, cada ponto de impopularidade reduz a margem para avançar em pautas econômicas e sociais. Medidas de incentivo ao emprego, recomposição do salário mínimo e programas de transferência de renda esbarram em resistência fiscal e ideológica. O cálculo eleitoral também entra em cena: partidos aliados medem o custo de seguir com Lula no centro da campanha ou de buscar alternativas estaduais mais distantes do Planalto.

Entre eleitores ouvidos em eventos públicos recentes, o sentimento oscila entre frustração e expectativa. Há quem cobre entregas mais rápidas em áreas como inflação, segurança e saúde. Outros relativizam o desempenho, lembram o cenário herdado e veem o governo como barreira a um retorno da extrema-direita. Em ambos os casos, a pesquisa reforça a ideia de que a confiança no governo segue em disputa cotidiana.

Repercussão eleitoral e próximos passos

O efeito imediato do levantamento recai sobre as estratégias de campanha. No Palácio do Planalto, a tendência é reforçar agendas de impacto direto na renda, acelerar anúncios de obras e intensificar viagens ao Nordeste e a periferias de grandes centros, onde o apoio ao presidente costuma ser mais robusto. A presença de Geraldo Alckmin em eventos econômicos e industriais ganha peso, numa tentativa de dialogar com o empresariado e reduzir resistências no centro político.

Na oposição, o dado de 40% de avaliação negativa funciona como combustível. Pré-candidatos alinhados ao bolsonarismo exploram o desgaste e associam o governo a inflação, juros altos e insegurança. Setores da centro-direita, por sua vez, testam um discurso de estabilidade e gestão, na tentativa de atrair eleitores cansados da polarização, mas ainda receosos de aventuras autoritárias.

O contexto internacional amplia a sensação de incerteza. Guerras em Gaza, no Irã e na Ucrânia pressionam preços de energia e alimentos, afetam comércio exterior e alimentam tensões diplomáticas. A ascensão da extrema-direita em países europeus e nos Estados Unidos serve de alerta sobre o potencial de retrocesso democrático. A leitura corrente em Brasília é que, sem resultados econômicos mais palpáveis, a narrativa em defesa da democracia corre o risco de soar abstrata para boa parte do eleitorado.

A pouco mais de seis meses da eleição, a pesquisa Datafolha não define o desfecho da disputa, mas redesenha o tabuleiro. O governo precisa reduzir a rejeição e transformar apoio difuso em voto firme. A oposição tenta converter insatisfação em alternativa viável. Entre os dois polos, milhões de eleitores acompanham os números, pesam a memória recente do País e se perguntam que tipo de democracia estarão dispostos a defender em outubro.

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