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Datafolha: governo Lula mantém 40% de reprovação e aprovação cai a 29%

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vê sua aprovação cair para 29% na nova pesquisa Datafolha, enquanto a avaliação negativa do governo permanece em 40%. O levantamento, feito entre 7 e 9 de abril de 2026, indica desgaste político em meio ao alto endividamento das famílias e ao ambiente eleitoral cada vez mais competitivo.

Governo sob pressão em cenário de estagnação

O retrato captado pelo Datafolha mostra um governo que não consegue converter ações em melhora de imagem. A fatia de brasileiros que avalia a gestão Lula como “regular” sobe de 26% para 29%, o que sinaliza uma faixa de eleitores distante tanto da aprovação quanto da rejeição aberta. Apenas 2% dos entrevistados dizem não saber como avaliar o governo.

Os números reforçam a percepção de um terceiro mandato mais difícil para Lula. Diferente dos períodos anteriores no Planalto, ele enfrenta agora uma economia marcada por juros ainda altos, inflação teimosa em itens básicos e famílias sufocadas por dívidas. Nesse quadro, a paciência com a política econômica se encurta, e o apoio espontâneo ao governo encolhe.

A pesquisa, realizada com 2.004 pessoas em todo o país, por meio de entrevistas presenciais, tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O estudo foi bancado com recursos próprios do instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03770/2026.

Desempenho pessoal de Lula também piora

O Datafolha também mede a percepção sobre o desempenho pessoal de Lula à frente da Presidência. A curva repete a trajetória do governo. A reprovação ao trabalho do petista sobe de 49% para 51%, enquanto a aprovação cai de 47% para 45% desde a última rodada.

O avanço da desaprovação, ainda que dentro da margem de erro, consolida uma tendência de desgaste. Eleitores que resistem em abandonar Lula passam a enxergar a gestão com mais reservas. Entre aliados, a leitura é que a economia, e em especial o endividamento das famílias, trava qualquer tentativa de recuperação rápida.

No Planalto, a avaliação é de que o problema central não é apenas a inflação, mas o peso das dívidas no orçamento doméstico. Lula tem repetido a auxiliares que “o povo não respira” com o atual nível de comprometimento de renda. A equipe econômica trabalha em um novo pacote de renegociação e abatimento, inspirado no programa Desenrola, que perdoou ou reorganizou dívidas de milhões de brasileiros no mandato anterior.

O desenho final do plano ainda não é público, mas integrantes do governo tratam o tema como prioridade absoluta para 2026. A expectativa é anunciar uma combinação de incentivos para bancos, prazos mais longos e descontos progressivos, em uma tentativa de dar fôlego às famílias e, ao mesmo tempo, produzir um gesto político de alto impacto.

Eleição apertada e campo adversário fortalecido

Os números de avaliação do governo e do presidente se conectam diretamente com o cenário eleitoral. A mesma pesquisa Datafolha indica que 48% dos eleitores dizem não votar em Lula de jeito nenhum. Entre os adversários testados, Flávio Bolsonaro, do PL, aparece com rejeição de 46%.

No primeiro turno, Lula registra 39% das intenções de voto, contra 35% de Flávio Bolsonaro, em confronto direto. Em simulações de segundo turno, a disputa fica ainda mais embolada: o Datafolha aponta 46% para Flávio e 45% para Lula, dentro da margem de erro e configurando empate técnico.

O presidente também empata tecnicamente com outros dois nomes que ganham espaço no campo oposicionista: Ronaldo Caiado, do PSD, e Romeu Zema, do Novo. Os percentuais variam conforme o cenário estimulado, mas em todos eles a diferença entre governista e adversário fica dentro dos dois pontos percentuais da margem de erro.

O quadro contrasta com disputas anteriores em que Lula aparecia com vantagem confortável contra quase todos os rivais. A fragmentação do eleitorado, somada ao desgaste da gestão e à rejeição consolidada, produz um ambiente mais aberto em que o favoritismo do incumbente é colocado em dúvida. Analistas ouvidos por partidos governistas e de oposição avaliam que o eleitor hoje aceita com mais naturalidade a ideia de alternância de poder.

Endividamento trava recuperação e define estratégia

O endividamento das famílias se transforma no eixo da estratégia de Lula para tentar reverter o quadro. O governo já havia apostado no Desenrola para limpar o nome de consumidores e reduzir a inadimplência. Agora, busca uma segunda onda de medidas para atacar parcelas que continuam atrasadas e renegociações consideradas pesadas demais.

A equipe política vê nessa agenda uma chance de reconstruir o diálogo com o eleitor de baixa renda, que sente com mais força o peso dos juros do cartão e do cheque especial. A leitura é que qualquer melhora de popularidade passa antes pelo alívio imediato no orçamento de milhões de famílias.

O movimento ocorre enquanto Lula enfrenta dificuldades para ampliar sua base no Congresso. Aliados reclamam de verbas contingenciadas e liberação lenta de emendas, o que reduz a disposição de defender o governo em votações impopulares e desgasta ainda mais a imagem do presidente em regiões onde deputados e senadores são fortes.

Próximos passos e incertezas até a eleição

No núcleo do governo, a ordem é acelerar a formatação do novo programa de renegociação para anunciá-lo ainda no primeiro semestre. A intenção é produzir efeitos visíveis até o início oficial da campanha, quando o horário eleitoral e os debates devem cristalizar a imagem dos candidatos.

Especialistas em opinião pública lembram que, em cenários de economia frágil, a avaliação de governo costuma reagir lentamente, mesmo após medidas populares. O desafio para Lula é transformar um pacote econômico em percepção de melhora concreta, o que exige coordenação política, comunicação eficaz e algum respiro nos indicadores macroeconômicos.

O Datafolha não encerra o jogo, mas estabelece o ponto de partida de uma corrida mais equilibrada do que o governo gostaria. O presidente aposta que o alívio no bolso pode recolocar parte do eleitorado ao seu lado. A pesquisa sugere que, até aqui, a confiança do país no terceiro mandato ainda espera por sinais mais claros de mudança.

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