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Acidente em brinquedo ‘minhocão’ mata visitante em parque de Itabirito

Uma visitante morre na noite deste sábado (11) após um acidente no brinquedo “minhocão” do Minas Center Park, em Itabirito (MG). A estrutura se desprende, cai e provoca a morte ainda no local, apesar das tentativas de reanimação.

Brinquedo desaba e transforma noite de lazer em tragédia

O que começa como um programa de fim de semana no Centro de Itabirito termina em sirenes, correria e telas de celular registrando o caos. O brinquedo conhecido como “minhocão”, uma espécie de trem articulado voltado para toda a família, sofre uma falha abrupta na noite de 11 de abril de 2026. Parte da estrutura se desprende e despenca, atingindo em cheio quem estava a poucos metros de altura.

De acordo com o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, o impacto derruba uma das visitantes e causa ferimentos em outras pessoas. A corporação informa que duas vítimas ficam com lesões leves e são encaminhadas para unidades de saúde da região. A terceira passageira entra em parada cardiorrespiratória ainda dentro do parque de diversões.

Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência chegam pouco depois, acionadas pela administração do parque. Os socorristas iniciam manobras de reanimação ali mesmo, em uma área isolada pelos bombeiros. Os procedimentos duram vários minutos, mas a visitante não reage. O óbito é confirmado no local, antes de qualquer transferência para hospital.

A Polícia Militar também é chamada para controlar o entorno e colher depoimentos. Moradores relatam que o parque, que se apresenta como itinerante e circula por diferentes cidades, está instalado há poucos dias em Itabirito, na Região Central de Minas Gerais, município com pouco mais de 55 mil habitantes. A noite de sábado, em tese uma das mais movimentadas para o lazer de rua, termina com o parque esvaziado e interditado.

Pressão por respostas sobre segurança em parques itinerantes

O acidente reacende uma preocupação antiga em relação à segurança de parques de diversões itinerantes, que se instalam temporariamente em praças e centros urbanos. Em Minas, assim como em outros estados, esses equipamentos dependem de laudos técnicos, vistorias e alvarás municipais para funcionar. A ruptura da estrutura do brinquedo em Itabirito expõe, mais uma vez, a fragilidade desse sistema de controle.

Pelas redes sociais, o Minas Center Park lamenta a morte e afirma prestar solidariedade à família da vítima. “Desde o primeiro momento, o Minas Center Park adotou todas as medidas cabíveis, acionando prontamente os serviços de atendimento e colaborando integralmente com as autoridades competentes”, diz a nota divulgada neste domingo (12). Em outro trecho, a empresa reforça que “está à disposição das autoridades para apuração completa dos fatos, contribuindo de forma transparente com as investigações, a fim de esclarecer as circunstâncias do ocorrido”.

O parque sustenta ainda que atua “em conformidade com as normas técnicas e de segurança” e que mantém “rotinas de manutenção e fiscalização dos equipamentos”. As afirmações entram agora na lista de pontos que serão conferidos pela perícia e por órgãos de fiscalização municipal e estadual. Laudos emitidos antes da abertura, contratos de manutenção, certificados de engenheiros responsáveis e registros de inspeção serão fundamentais para entender se houve falha humana, negligência ou defeito imprevisível.

A tragédia também provoca reação imediata entre frequentadores. Em grupos de moradores, pais relatam que evitam esse tipo de brinquedo mais radical, enquanto outros admitem confiar na fila cheia como sinal de segurança. Em um município onde eventos itinerantes ajudam a movimentar o comércio local e gerar renda para ambulantes, o choque convive com o temor de uma paralisação prolongada das atrações.

Investigações, possíveis sanções e impacto na confiança do público

A Polícia Civil abre inquérito para apurar as circunstâncias do desprendimento da estrutura do “minhocão”. A expectativa é que os primeiros laudos periciais fiquem prontos em algumas semanas, com análise de peças metálicas, pontos de solda, parafusos e sistemas de travamento. O Ministério Público de Minas Gerais pode ser acionado para acompanhar o caso e avaliar a necessidade de ações civis públicas, caso sejam identificadas falhas de fiscalização ou de manutenção.

Em paralelo, a prefeitura de Itabirito tende a rever as autorizações concedidas ao parque e a outros empreendimentos similares. Suspensões temporárias, exigência de novos laudos e revisão de normas locais de segurança são medidas que costumam aparecer após episódios dessa gravidade. Dependendo do resultado das investigações, o Minas Center Park pode enfrentar desde multas administrativas até uma interdição prolongada, além de processos de indenização movidos pela família da vítima.

O impacto, porém, vai além do parque envolvido diretamente no acidente. Em todo o estado, proprietários de parques itinerantes observam o caso com preocupação. Cada registro de morte em brinquedo de diversão amplia a desconfiança do público e derruba o fluxo de visitantes, sobretudo em atrações que viajam de cidade em cidade. A confiança, uma vez abalada, demora a ser reconstruída, mesmo com reforços em inspeções e campanhas de marketing voltadas à segurança.

A morte em Itabirito entra para a estatística de acidentes em equipamentos de lazer que, embora não sejam frequentes em números absolutos, carregam enorme peso simbólico por envolverem ambientes associados à diversão de famílias e crianças. A investigação agora precisa responder a uma pergunta central: o que exatamente falha no “minhocão” naquela noite de sábado e que garantias as autoridades e os responsáveis pelos brinquedos vão oferecer para que cenas como essa não voltem a se repetir?

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