Avaí arranca empate no fim, mantém liderança e segura Sport
Avaí e Sport empatam por 2 a 2 neste sábado (quarta rodada da Série B), na Ilha do Retiro, em um jogo decidido no último lance e que mantém as duas equipes invictas. O time catarinense segura a liderança com oito pontos, enquanto os pernambucanos chegam a seis e permanecem no bloco de cima, mas saem de campo sob vaias após sofrer o gol aos 50 minutos do segundo tempo.
Viradas de roteiro em uma noite tensa na Ilha
O encontro em Recife se vende como confronto direto entre dois candidatos ao acesso. A expectativa se confirma em campo, não pela técnica refinada, mas pela intensidade. O Sport tenta impor pressão desde os primeiros minutos, empurrado por mais de 15 mil torcedores, enquanto o Avaí se fecha, espera o erro e escolhe bem quando atacar.
O primeiro golpe vem justamente do visitante. Aos 18 minutos, uma tentativa de cruzamento pela direita desarma a defesa rubro-negra e acerta a mão de Zé Marcos dentro da área. O árbitro Lucas Paulo Torezin não hesita e marca o pênalti. Luiz Henrique assume a responsabilidade, desloca Thiago Couto e abre o placar, reforçando o início seguro do time catarinense como líder da Série B, agora com oito pontos em quatro rodadas.
O gol muda o clima na Ilha. O Sport se lança à frente, tenta acelerar pelos lados, mas esbarra em erros no último passe. Felipinho chega a balançar as redes em chute forte, porém a bandeira sobe e o impedimento é confirmado. A arquibancada reage com irritação, e cada decisão da arbitragem se transforma em novo motivo de contestação.
O primeiro tempo parece caminhar para uma vantagem tranquila do Avaí, que controla o relógio e reduz o ritmo do jogo. Nos acréscimos, o VAR entra em cena de novo. Em bola cruzada, o árbitro é chamado ao monitor e vê toque de mão de Zé Ricardo na área. Novo pênalti, desta vez para o Sport. Barletta bate com calma e empata aos 53 minutos, no último lance da etapa inicial, devolvendo alguma confiança ao time da casa.
De Pena muda o Sport, mas Sorriso estraga a festa
O intervalo vem com o placar em 1 a 1 e duas leituras distintas. O Avaí lamenta perder a vantagem construída cedo, o Sport se apoia na reação tardia. Márcio Goiano, técnico interino, mexe no vestiário: entram Carlos De Pena e Iury Castilho, saem Clayson e Biel. A resposta é imediata. Em cobrança de falta na área, De Pena acha Perotti livre para cabecear e exigir boa defesa de Léo Aragão. Em seguida, o uruguaio acerta o travessão em tiro livre direto, levantando o público e mudando o cenário da partida.
O Avaí demora a se reencontrar. Quando consegue, chega com perigo em jogada aérea: após escanteio, Allyson sobe mais que a zaga e obriga Thiago Couto a grande defesa. Na sequência, Iury Castilho perde chance clara para o Sport, ao tentar encobrir o goleiro em vez de finalizar de forma simples. O jogo entra em um vai e vem de oportunidades, com o time da casa mais perto da virada e o líder resistindo como pode.
Os números explicam a sensação de domínio rubro-negro na etapa final: mais finalizações, posse de bola maior e presença constante no campo ofensivo, embora sem a frieza para decidir. A Justiça parece, enfim, chegar aos 43 minutos. Marlon Douglas cruza rasteiro pela esquerda, Iury Castilho fura, mas De Pena aparece atrás da zaga e, de bico, empurra para o gol. É a virada por 2 a 1, que faz a Ilha do Retiro explodir e coloca o Sport momentaneamente mais perto do G-4, com oito pontos virtuais na tabela.
O Avaí, porém, recusa o papel de coadjuvante. Mesmo com a derrota desenhada, a equipe de Cauan de Almeida mantém a organização, adianta a marcação e tenta o tudo ou nada nos acréscimos. O Sport recua, aceita sofrer e chama o adversário para seu campo. O roteiro se inverte em poucos minutos, e a Ilha volta a viver o drama que parecia superado.
No último lance, aos 50, a bola viaja da defesa catarinense para o ataque em busca de um milagre. Sorriso recebe em velocidade, invade a área e finaliza com calma na saída de Thiago Couto. O empate em 2 a 2 cala o estádio por alguns segundos, antes das primeiras vaias e dos aplausos tímidos de quem reconhece o esforço, mas sente o gosto amargo de dois pontos que escapam no apagar das luzes.
Liderança segura, pressão crescente e Série B embaralhada
O empate mantém o Avaí na liderança com oito pontos em quatro rodadas, invicto e com campanha que começa a legitimar o discurso de acesso em 2026. A equipe catarinense soma duas vitórias e dois empates, demonstra solidez defensiva e exibe frieza para reagir em momentos de pressão máxima, como neste sábado na Ilha do Retiro. A atuação segura de Léo Aragão e a capacidade de definição de Luiz Henrique e Sorriso reforçam a sensação de elenco competitivo, mesmo sem grande brilho técnico.
O Sport amarga a frustração de ver escapar a segunda vitória seguida. Com seis pontos, dois empates e uma vitória, o clube permanece invicto, mas estaciona em oitavo lugar e sente a cobrança pelo desperdício de vantagem em casa. A presença do VAR em dois pênaltis, um para cada lado, alimenta discussões, mas não explica a queda de concentração nos minutos finais, que aparece novamente como ponto de atenção.
A Série B, conhecida pelo equilíbrio e pelas oscilações bruscas, ganha mais um capítulo que embaralha o topo da tabela. O Avaí abre pequena vantagem simbólica ao se manter líder após quatro rodadas, enquanto o Sport se vê pressionado a pontuar fora de casa para não se afastar do pelotão da frente. A diferença entre os dois é de apenas dois pontos, mas o clima após o jogo é bem distinto: confiança de um lado, cobrança e impaciência do outro.
Agenda pesada e disputa por acesso esquentam a próxima rodada
As duas equipes voltam a campo no próximo sábado pela quinta rodada, em duelos que podem consolidar tendências. O Sport enfrenta o América-MG às 18h, na Arena Independência, em Belo Horizonte, e precisa transformar boas atuações em vitórias para sustentar o discurso de candidato ao acesso. Qualquer novo tropeço pode aumentar a pressão sobre a diretoria e acelerar a busca por um técnico definitivo, já que Márcio Goiano ainda atua como interino.
O Avaí recebe a Ponte Preta às 20h30, na Ressacada, em Florianópolis, com a chance concreta de manter a liderança e abrir distância para rivais diretos. A atuação disciplinada na Ilha do Retiro fortalece a confiança de um elenco que, rodada a rodada, se acostuma a decidir sob pressão. A Série B mal começa, mas já cobra regularidade e nervos firmes. A noite deste sábado deixa uma pergunta no ar: quem vai conseguir sustentar essa invencibilidade quando o calendário apertar e a disputa pelo topo ficar ainda mais pesada?
