STJD mantém suspensão, e Abel Ferreira fica fora do Dérbi na Neo Química
Abel Ferreira está fora do Dérbi deste domingo (12), na Neo Química Arena. O STJD nega o pedido de efeito suspensivo do Palmeiras, e o técnico segue suspenso.
Decisão às vésperas do clássico amplia tensão
A negativa do Superior Tribunal de Justiça Desportiva chega a menos de 24 horas do clássico contra o Corinthians e muda o roteiro do Palmeiras para o jogo mais sensível da temporada até aqui. A comissão técnica perde à beira do campo o treinador que comanda cada detalhe de estratégia, pressão sobre a arbitragem e ajustes ao longo dos 90 minutos.
Abel cumpre punição de oito jogos aplicada pelo próprio STJD, em razão de duas expulsões no Brasileirão, contra Fluminense e São Paulo. O português já fica fora de duas partidas de forma automática e agora não tem autorização para retornar ao banco, apesar do recurso apresentado pelo clube. A ausência retira do Dérbi uma figura central em campo e reforça a disputa fora das quatro linhas entre Palmeiras, tribunal e CBF.
Julgamento contestado e acusação de tratamento desigual
O estopim da crise é o julgamento da última semana, em que o treinador recebe seis jogos de suspensão pelo Choque-Rei, somados a dois pelo cartão vermelho diante do Fluminense. O Palmeiras sustenta que a pena foge do padrão histórico do tribunal e cobra coerência com casos recentes de outros técnicos, em que o efeito suspensivo é concedido até o exame do recurso principal.
Em nota divulgada na tarde de sábado (11), o clube fala em “rigor desproporcional” e critica o uso, na sessão, de uma suposta leitura labial feita a partir de imagens de transmissão, “sem qualquer respaldo pericial”. Segundo o texto, o processo resgata episódios antigos, pelos quais Abel já havia sido punido, para reforçar a tese de reincidência. “Com o treinador do Palmeiras, contudo, observa-se tratamento desigual, destoando dos princípios da isonomia”, afirma o comunicado.
A diretoria vê na resposta negativa ao pedido de efeito suspensivo um desvio em relação a “inúmeros casos semelhantes” em que o STJD autoriza a presença do réu no banco até o julgamento final. Cartolas entendem que, neste momento, o técnico vira símbolo de um incômodo mais amplo com a condução da justiça desportiva e com decisões recentes da CBF, em especial em relação ao calendário.
O clube ainda acusa o ambiente esportivo de eleger um “bode expiatório” para problemas estruturais do futebol brasileiro, como o clima de hostilidade em campo e a pressão sobre árbitros. “Não é razoável que apenas um seja penalizado por um problema coletivo”, diz a nota. O discurso tenta deslocar o foco da figura de Abel para um debate mais amplo sobre critérios, proporcionalidade e transparência.
Impacto técnico no Dérbi e pressão sobre o STJD
Na prática, o Palmeiras entra em campo sem seu principal líder de campo e de vestiário em um jogo historicamente marcado por tensão e detalhes táticos. Em clássicos recentes, Abel costuma intervir com mudanças ainda no primeiro tempo, altera a saída de bola, ajusta marcações individuais e conversa de perto com árbitros e quarto árbitro, algo que não se repete neste domingo.
No banco, auxiliares assumem o comando e se dividem entre ouvir orientações do treinador à distância e reagir ao que o Corinthians apresenta na Neo Química Arena. A comunicação durante os 90 minutos, embora permitida nos bastidores, perde velocidade em relação à presença física do técnico à beira do gramado. Em um campeonato de pontos corridos, um resultado negativo em clássico direto pesa na tabela e afeta o moral do elenco logo no início da disputa.
Fora do campo, a decisão também atinge a imagem do STJD. Ao rejeitar o efeito suspensivo em um caso de alta visibilidade, o tribunal se expõe ao escrutínio público sobre seus critérios. A cada punição pesada, torcedores e dirigentes voltam a discutir se há uniformidade na aplicação das normas ou se nomes de maior exposição recebem tratamento diferente.
A crise ganha um segundo eixo quando o Palmeiras mira a Confederação Brasileira de Futebol. O clube critica o adiamento, pela entidade, do duelo entre Fluminense e Flamengo, inicialmente marcado para sábado (11) e transferido para domingo (12), a pedido do rubro-negro, que alega atraso de voo vindo do Peru após partida da Libertadores. “É necessário questionar por que somente um clube tem a sua solicitação atendida, enquanto outras equipes vêm tendo pedidos similares sistematicamente rejeitados”, diz a nota.
Recurso ao Pleno e debate sobre critérios disciplinares
O Palmeiras aposta agora no julgamento do recurso pelo Tribunal Pleno do STJD, marcado para quinta-feira (16). A expectativa é convencer os auditores a reduzir a pena ou, ao menos, restabelecer o efeito suspensivo para as rodadas seguintes do Brasileirão. A defesa deve insistir na crítica ao uso da leitura labial como prova e na ideia de que episódios passados não podem inflar uma pena já considerada alta.
Dentro da CBF e do próprio tribunal, o caso entra na conta de uma temporada em que o calendário aperta, viagens se acumulam e decisões pontuais ganham peso de precedentes. Se o Pleno mantiver a punição de oito jogos, o recado ao mercado é de endurecimento contra reclamações e gestos excessivos na área técnica. Se recuar, abre espaço para a narrativa de que a primeira instância erra na mão e corrige o rumo apenas sob forte pressão pública.
Para o torcedor, o clássico deste domingo vira também termômetro político: um resultado convincente sem Abel reduz o ruído e devolve o foco ao campo; tropeços reforçam a percepção de que a ausência do técnico interfere no desempenho e alimentam a ideia de perseguição esportiva. Com o julgamento do dia 16 no horizonte, STJD, CBF, clubes e treinadores entram em uma disputa por autoridade e legitimidade que vai além do Dérbi e atravessa todo o Brasileirão.
