Datafolha: Lula e Flávio Bolsonaro empatam em simulação de 2º turno
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem em empate técnico em um cenário de segundo turno, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado, 11 de abril de 2026. O levantamento mostra o presidente em queda e, pela primeira vez, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro numericamente à frente, em uma disputa direta.
Pesquisa acirra disputa e expõe cenário mais competitivo
O novo retrato do Datafolha indica uma eleição mais disputada do que nas sondagens anteriores. Em uma simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro tem 46% das intenções de voto, enquanto Lula aparece com 45%. A diferença de um ponto está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, o que caracteriza empate técnico. Em março, o presidente liderava com 46%, contra 43% do senador, também empatados dentro da margem de erro, mas com vantagem numérica do petista.
O movimento, embora ainda limitado aos limites estatísticos da pesquisa, altera o clima da pré-campanha. A série de levantamentos vinha mostrando Lula à frente em cenários de segundo turno, sustentado pela força de seu nome e pela memória recente da eleição de 2022. Agora, o Datafolha registra pela primeira vez Flávio numericamente acima, o que alimenta o discurso de reorganização do bolsonarismo após a condenação de Jair Bolsonaro.
Lula mantém vantagem contra outros nomes, mas em margem apertada
Nos cenários contra outros possíveis candidatos do campo da direita, o presidente continua numericamente à frente, também em situação de empate técnico. Em disputa com o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 42% do adversário. Em simulação semelhante com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), o petista repete 45%, enquanto Zema soma 42%.
Os dados reforçam a centralidade de Lula como principal nome do campo governista e mostram que, mesmo em queda pontual contra Flávio, o presidente ainda supera outros candidatos em teste direto. O desempenho de Caiado e Zema, porém, sinaliza que a direita dispõe de alternativas competitivas, com capacidade de manter a disputa em patamar apertado. A leitura de estrategistas eleitorais é que qualquer nome que herde o espólio político de Jair Bolsonaro entra na corrida com piso elevado de intenções de voto.
Primeiro turno revela espaço aberto e força do bolsonarismo
No cenário espontâneo de primeiro turno, quando o instituto pergunta em quem o eleitor pretende votar sem apresentar lista de nomes, Lula aparece com 26% das menções. Flávio Bolsonaro é citado por 16% dos entrevistados. Também surgem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado, e o governador Ronaldo Caiado, ambos com 2% das citações.
A pesquisa mostra ainda um contingente expressivo de indefinidos. Nessa pergunta aberta, 42% dos entrevistados dizem não saber em quem votar. Outros 7% afirmam que pretendem votar em branco, nulo ou em nenhum candidato, enquanto 5% mencionam outros nomes. O quadro aponta um eleitorado em observação, ainda distante de uma definição consolidada, mas com núcleos já cristalizados em torno de Lula e do bolsonarismo.
Cenário estimulado confirma frente de Lula, mas com margem enxuta
No cenário estimulado de primeiro turno, quando a cartela de candidatos é apresentada ao entrevistado, Lula lidera com 39% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 35%. Na sequência, o ex-governador Ronaldo Caiado registra 5%, e Romeu Zema, 4%. Renan Santos (Missão) soma 2%, enquanto Aldo Rebelo (DC) e Cabo Daciolo (Mobiliza) marcam 1% cada.
Os votos em branco, nulo ou em nenhum candidato chegam a 10%, e uma parcela dos entrevistados diz não saber em quem votar. O quadro confirma o presidente na dianteira na largada da disputa, mas sem folga. A vantagem de quatro pontos sobre Flávio, combinada ao desempenho do senador no cenário de segundo turno, aponta para uma campanha que tende a se concentrar na disputa pelo eleitor que hoje está indeciso ou inclinado a anular o voto.
Peso da condenação de Jair Bolsonaro e reconfiguração das campanhas
A presença simultânea de Flávio e Jair Bolsonaro nas menções espontâneas ilustra a transição em curso no campo da direita. Condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente está impedido de disputar eleições e concentra rejeição elevada, mas ainda mantém influência entre seus apoiadores. A migração gradual desse capital político para o filho senador é observada por analistas como fator decisivo para o desempenho de Flávio no Datafolha.
No Palácio do Planalto, a leitura inicial é de alerta. A perda da vantagem numérica em um eventual segundo turno contra o principal nome do bolsonarismo reforça a necessidade de Lula recuperar terreno entre eleitores de renda média e baixa escolaridade, segmentos decisivos em 2022. A avaliação de aliados é que a pauta econômica, com foco em emprego, renda e combate à inflação de alimentos, volta ao centro da estratégia. “O jogo está aberto e ninguém ganha eleição em pesquisa de abril”, resume um dirigente petista, em conversa reservada.
Estratégias em disputa e incerteza até a reta final
No campo adversário, aliados de Flávio veem na pesquisa um sinal de que o senador se consolida como herdeiro político direto do bolsonarismo. A aposta é explorar a insatisfação com o governo em pautas como segurança pública, custo de vida e críticas à aliança do PT com partidos do centrão. A campanha do senador deve intensificar viagens pelo País e buscar ampliar a presença em Estados onde Lula ainda mantém folga, em especial no Nordeste.
A pesquisa Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios entre os dias 7 e 9 de abril e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03770/2026. O levantamento não define o resultado das urnas, mas orienta movimentos de campanha, discursos e alianças. Com a disputa em aberto e a polarização renovada, a pergunta que passa a guiar os próximos meses é se o presidente consegue recuperar a dianteira ou se o avanço de Flávio Bolsonaro se transforma em tendência estável até a reta final da eleição.
