Criminosos explodem cofre de banco em Guidoval e usam miguelitos na fuga
Um grupo de criminosos encapuzados explode o cofre de uma agência do Banco do Brasil no Centro de Guidoval, na Zona da Mata mineira, na madrugada desta sexta-feira (10/4/2026). As imagens de câmeras de segurança mostram o momento da detonação, que projeta destroços pela rua e derruba um dos suspeitos. A quadrilha foge deixando um rastro de medo e miguelitos pelas vias de acesso à cidade.
Explosão registrada em vídeo transforma madrugada em cena de guerra
A rotina silenciosa de uma cidade de pouco mais de 7 mil habitantes é rompida pouco depois das 3h. O estouro violento sacode o Centro de Guidoval, a 285 quilômetros de Belo Horizonte, e acende luzes em casas vizinhas à agência bancária. Em poucos segundos, a fachada de vidro se desfaz, placas metálicas entortam e fragmentos de concreto voam em direção à calçada, como mostram as imagens que circulam nas redes sociais.
No vídeo, ao menos um dos suspeitos aparece de capuz, próximo ao cofre, no instante em que o explosivo é acionado. O impacto o lança para trás, em meio a uma nuvem espessa de poeira. Lá fora, a rua fica tomada por destroços, que se espalham por vários metros. Moradores relatam um tremor seco, seguido de gritos e barulho de carros em fuga.
A Polícia Militar informa que a ação atinge especificamente a unidade do Banco do Brasil instalada na área central da cidade. O grupo entra já com o alvo definido: o cofre principal da agência. A corporação não divulga o número de envolvidos, mas confirma o uso de explosivos de alto poder de destruição para violar a estrutura metálica, procedimento que se repete em outros ataques a bancos registrados em Minas nos últimos anos.
O crime só não passa despercebido porque um vigilante, que mora perto da agência, percebe a movimentação estranha e liga para a polícia por volta das 3h. As viaturas seguem para o local, mas a quadrilha já está em retirada. Até a manhã desta sexta, não há informação oficial sobre o valor levado pelos criminosos ou se todo o conteúdo do cofre é acessado.
Fuga com miguelitos, criminoso ferido e cidade em suspense
A saída do grupo é marcada por uma estratégia já conhecida em ações desse tipo, mas ainda muito eficaz em cidades pequenas. Os criminosos espalham miguelitos, pequenos pregos triangulares usados para furar pneus, em diferentes pontos das vias de acesso a Guidoval. O objetivo é claro: atrasar ou impedir a perseguição imediata das viaturas da PM e de outras forças de segurança.
Em meio à confusão, um dos integrantes da quadrilha se fere durante a explosão. A Polícia Militar relata que ele invade uma loja de roupas na sequência e troca de camisa, numa tentativa de despistar os militares. A descrição do ferido circula entre policiais de cidades vizinhas, que passam a monitorar hospitais e unidades de saúde em busca de alguém que chegue com lesões compatíveis com a detonação.
Vídeos gravados por moradores logo após o ataque mostram o interior da agência destruído, com mobiliário retorcido e partes do teto no chão. Do lado de fora, pedaços de vidro e concreto se acumulam nas calçadas, bloqueando parcialmente a passagem de veículos. Comerciantes da região calculam prejuízos indiretos, com o fechamento temporário de ruas e a dificuldade de acesso ao Centro em plena manhã de sexta-feira.
Relatos ainda não confirmados, colhidos pela polícia, indicam que o carro usado na fuga é encontrado incendiado em uma área rural do município. A queima do veículo, prática recorrente em ataques semelhantes, pode eliminar impressões digitais e vestígios biológicos. As equipes, no entanto, buscam câmeras de fazendas e estradas próximas para tentar reconstruir a rota dos criminosos antes e depois do incêndio.
A Polícia Federal é acionada em razão do envolvimento de instituição financeira federal e do uso de explosivos, o que enquadra o caso em um tipo de crime que costuma mobilizar estruturas especializadas. O Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da PM de Minas segue para Guidoval para reforçar o patrulhamento e atuar na perícia de artefatos, já que bombas não detonadas exigem equipe treinada para manuseio e desativação.
Cidade pressionada por medo cobra resposta rápida das autoridades
O ataque coloca Guidoval no mapa recente de cidades brasileiras atingidas por quadrilhas que usam explosivos contra agências bancárias. Minas Gerais registra, na última década, diferentes ondas de ataques concentrados em municípios de pequeno e médio porte, onde a presença de equipes especializadas é menor e a logística de fuga, em estradas estreitas e áreas rurais, favorece os grupos criminosos.
Moradores relatam medo de novos ataques e cobram reforço permanente no policiamento. Comerciantes do Centro temem queda no movimento e atraso em pagamentos, já que a agência atacada concentra grande parte das operações financeiras do município, de salários de servidores a aposentadorias. Até uma definição do banco, a população deve recorrer a cidades vizinhas para resolver questões básicas, como saques e atendimento presencial.
Autoridades de segurança avaliam que a possível destruição do carro de fuga dificulta a identificação rápida dos suspeitos, mas não encerra as pistas. Imagens de câmeras de segurança públicas e privadas, registros de pedágios em estradas próximas e mensagens de aplicativos interceptadas com autorização judicial podem ajudar a mapear a quadrilha. O padrão de ação, com uso de explosivos e miguelitos, também alimenta a hipótese de atuação de um grupo especializado em ataques a instituições financeiras.
A investigação agora busca entrelaçar esses elementos para chegar aos responsáveis. A PM mantém o efetivo reforçado na região, enquanto a Polícia Federal coordena as apurações relacionadas ao explosivo e ao planejamento do crime. O Bope permanece em alerta para novas varreduras e eventual identificação de artefatos não detonados.
O Banco do Brasil é procurado para informar a extensão dos danos, o valor roubado e o plano de retomada do atendimento, mas ainda não responde até a conclusão deste texto. A cidade acompanha, em tempo real, a chegada de viaturas e equipes especializadas, na expectativa de prisões e de medidas concretas de prevenção. A investigação deve mostrar se Guidoval foi alvo isolado ou parte de uma estratégia mais ampla de quadrilhas que testam, em cidades pequenas, os limites da capacidade de reação do Estado.
