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Melania Trump nega laços com Epstein e cobra ação do Congresso

Melania Trump faz um raro pronunciamento na Casa Branca nesta quinta-feira (9) para negar qualquer relação com Jeffrey Epstein e Ghislaine Maxwell. A ex-primeira-dama afirma que nunca foi vítima, amiga ou associada do financista condenado por tráfico sexual e acusa adversários de espalhar calúnias para destruí-la politicamente.

Ruptura pública com rumores que persistem há anos

A fala de Melania ocorre em meio a uma nova onda de especulações nas redes sociais sobre o alcance da rede de Epstein, morto em 2019 em uma cela em Manhattan após ser preso por tráfico sexual de menores. A ex-primeira-dama diz que decidiu falar agora para tentar encerrar de vez os boatos que a ligam ao escândalo, que há anos envolve bilionários, executivos e figuras políticas de alto escalão nos Estados Unidos e na Europa.

“As mentiras que me ligam ao vergonhoso Jeffrey Epstein precisam acabar hoje”, declara, em tom duro, diante de câmeras e de uma plateia restrita na Casa Branca. Melania descreve seus detratores como pessoas “desprovidas de ética, humildade e respeito” e afirma rejeitar “tentativas maldosas de difamar” sua reputação. Ela insiste que nunca foi amiga de Epstein e que apenas frequentou alguns dos mesmos eventos sociais que ele, ao lado de Donald Trump, em Nova York e em Palm Beach, no início dos anos 2000.

Ao longo de cerca de 15 minutos de discurso, lido em teleprompter, a ex-primeira-dama tenta desmontar ponto a ponto as insinuações que circulam em postagens virais. “Para deixar claro, nunca tive um relacionamento com Epstein ou sua cúmplice, Maxwell”, afirma. Sobre Ghislaine Maxwell, condenada em 2021 por auxiliar o esquema de tráfico sexual, Melania reconhece apenas uma “correspondência casual” por e-mail, que classifica como simples “resposta educada”.

Ela recorda que conhece Donald Trump desde 1998, quando se encontram em uma festa em Nova York, episódio que relata em detalhes em seu livro “Melania”. Diz que só cruza com Epstein pela primeira vez dois anos depois, em 2000, em um evento social ao qual comparece com o então namorado. “Eu nunca havia conhecido Epstein e não tinha conhecimento de suas atividades criminosas”, afirma.

O caso Epstein volta a ganhar tração cíclica desde 2019, quando o financista é preso novamente sob acusações federais e, meses depois, é encontrado morto em uma unidade prisional de segurança em Manhattan. A conclusão oficial de suicídio não encerra as suspeitas de conivência institucional e de proteção a figuras influentes. Ao negar envolvimento, Melania tenta se distanciar de qualquer interpretação que a coloque nesse mesmo círculo de poder.

Discurso mira reputação e cobra transparência sobre rede de abuso

Em tom de defesa pessoal, a ex-primeira-dama sustenta que seu nome jamais aparece em documentos judiciais, depoimentos de vítimas, entrevistas ao FBI ou registros oficiais do caso. “Eu não sou testemunha, nem mesmo uma testemunha nomeada, em relação a qualquer um dos crimes de Epstein”, afirma. “Eu nunca estive envolvida de forma alguma.” Ela também diz que nunca esteve nos aviões particulares usados por Epstein, nem visitou a ilha caribenha que se torna símbolo do esquema.

Melania tenta ancorar sua narrativa em elementos verificáveis. Argumenta que não há registros formais de sua participação em investigações, não há citações em processos civis de indenização nem menções em acordos confidenciais revelados até aqui. O esforço é falar com um público saturado por montagens, recortes de fotos e falsas legendas que circulam há pelo menos cinco anos em diferentes plataformas. “Inúmeras imagens e declarações falsas sobre Epstein e sobre mim têm circulado nas redes sociais há anos. Tenha cuidado com o que você acredita”, alerta.

Ela afirma que, desde 2020, sua equipe jurídica contesta judicialmente publicações que a ligam ao caso, dentro e fora dos Estados Unidos. Sem mencionar valores, lembra que veículos e figuras públicas já recuam formalmente. “Até o momento, diversas pessoas e empresas foram legalmente obrigadas a se desculpar publicamente e retratar suas mentiras a meu respeito, como o Daily Beast, James Carville e a Harper Collins UK”, diz. O recado é dirigido também a influenciadores e perfis anônimos que repetem o conteúdo.

Ao mesmo tempo em que se coloca como alvo de campanhas de desinformação, a ex-primeira-dama tenta evitar a imagem de alguém que se apresenta como sobrevivente do esquema. “Eu não sou vítima de Epstein”, afirma, em uma das frases mais contundentes da tarde. O distanciamento tem peso político e jurídico: ao negar qualquer papel nesse universo, ela se afasta tanto da posição de denunciada quanto da de possível testemunha com informações relevantes.

O discurso ocorre em um momento em que o legado do caso Epstein ainda ecoa nos tribunais e no debate público. Maxwell cumpre pena de 20 anos de prisão. Vítimas seguem processando herdeiros, empresas e figuras ligadas ao financista, em ações que somam dezenas de milhões de dólares. A cada novo lote de documentos liberados pela Justiça, surgem nomes, viagens e registros que alimentam teorias sobre quem sabia o quê, e quando.

Pressão sobre o Congresso e disputa pela narrativa futura

Depois de negar qualquer vínculo com o esquema, Melania volta seu discurso ao Congresso dos Estados Unidos. Ela afirma que “Epstein não estava sozinho” e lembra que vários executivos renunciam a cargos após o escândalo ganhar contornos políticos. Destaca que a saída de cena não significa culpa automática, mas usa o fato para defender mais transparência. “Devemos trabalhar de forma aberta e transparente para descobrir a verdade”, afirma.

A ex-primeira-dama pede uma audiência pública dedicada exclusivamente às mulheres que se declaram vítimas do financista. Quer que elas falem sob juramento diante de parlamentares, com registro permanente nos arquivos oficiais. “Cada mulher deve ter seu dia para contar sua história publicamente, se assim desejar. E então seu depoimento deve ser registrado permanentemente nos arquivos do Congresso. Só então teremos a verdade”, afirma.

O apelo pode reacender discussões em Washington sobre o grau de exposição que o Legislativo está disposto a dar ao caso, quase sete anos após a morte de Epstein. Uma audiência desse tipo teria potencial para citar nomes de empresários, advogados, financiadores de campanha e ex-autoridades, com impacto direto na política doméstica e nas relações internacionais. Também poderia pressionar agências federais, como o FBI e o Departamento de Justiça, a explicar decisões tomadas desde os primeiros acordos firmados com Epstein, ainda nos anos 2000.

Melania termina o discurso ao reafirmar que seguirá acionando tribunais contra quem, segundo ela, tenta “prejudicar” sua imagem “para obter ganhos financeiros e ascensão política”. Garante que continuará a “manter sua sólida reputação sem hesitação” e sugere que a disputa se estende para além dos processos. O caso Epstein, quase duas décadas após as primeiras denúncias, segue produzindo ondas políticas e judiciais. A partir de agora, a ex-primeira-dama se coloca frontalmente nesse debate: não como personagem do escândalo, mas como voz que tenta influenciar a forma como ele será contado daqui para frente.

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