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Santos perde do Deportivo Cuenca na estreia da Sul-Americana

O Santos estreia com derrota na Copa Sul-Americana de 2026. O time perde por 1 a 0 para o Deportivo Cuenca, no dia 8 de abril, no Equador, e amplia a pressão sobre o elenco em meio a desfalques de Neymar e Gabriel Barbosa.

Desfalques, domínio inicial e gol sofrido em cobrança fechada

O primeiro jogo do Santos no torneio continental acontece no estádio Alejandro Serrano Aguilar, em Cuenca, a 2.500 metros de altitude, com um time bastante modificado. Neymar é poupado, Gabriel Barbosa se recupera de um procedimento com plaquetas e outros seis jogadores desfalcam a equipe de Cuca. A ausência das principais estrelas já pesa no aquecimento, enquanto a torcida equatoriana lota as arquibancadas e transforma a noite em um teste mental e físico para o elenco santista.

O roteiro em campo, porém, não é de time encurralado. O Santos começa agressivo e cria as primeiras chances claras ainda antes dos cinco minutos. Christian Oliva limpa a marcação na intermediária e chuta forte de fora da área, exigindo defesa firme de Ferrero. Na jogada seguinte, Moisés tabela pela esquerda, invade a área com liberdade e finaliza colocado, obrigando o goleiro equatoriano a se esticar mais uma vez.

O Deportivo Cuenca responde na mesma faixa de tempo, em lance que antecipa o que viria no segundo tempo. Mancinelli recebe em profundidade pela direita e tenta cruzar. A bola muda de trajetória, ganha efeito e quase surpreende Gabriel Brazão, que espalma no reflexo. O susto anima a equipe da casa, mas o volume ofensivo ainda é santista.

Os Meninos da Vila entram na história do jogo. Rafael Gonzaga e Gabriel Bontempo combinam boa jogada pela esquerda, e o meia finaliza de canhota, perto do ângulo. Bontempo volta a aparecer pouco depois, em ataque com Rony pela direita, mas chuta por cima. A bola roda de pé em pé, enquanto Cuca gesticula à margem do gramado e pede calma na tomada de decisão.

Lautaro Díaz e Rony mantêm a pressão pelo alto, em dois cabeceios defendidos por Ferrero. O Cuenca só assusta de novo aos 31 minutos, quando Chacón avança em velocidade pela direita e cruza rasteiro. A bola atravessa toda a área santista e quase encontra Vega, que se estica em carrinho, sem alcançar. O empate sem gols ao fim do primeiro tempo resume um cenário de maior iniciativa do Santos e melhor aproveitamento defensivo do time equatoriano.

Gol contra, desperdício de chances e pressão crescente na temporada

O retorno do intervalo mantém o Santos no campo de ataque. Cuca troca Moisés por Rollheiser, que entra ligado e finaliza com perigo após passe de Gustavo Henrique. O time se adianta alguns metros, empurra o Cuenca e volta a rondar a área com frequência. Bontempo, mais solto, arrisca da entrada da área e acerta o travessão, no lance mais próximo do gol santista em toda a noite.

O momento é de controle visitante quando o jogo muda de eixo. Aos 14 minutos do segundo tempo, Mancinelli cobra falta fechada pela direita. A bola toca a trave e desvia em Gabriel Brazão antes de entrar. O estádio explode, e o Santos vê a partida escorrer pelas mãos em um lance que mistura precisão do meia argentino e infelicidade do goleiro brasileiro.

O gol abala a equipe e alimenta a atmosfera de cobrança que acompanha o clube desde o fim de semana. Quatro dias antes, o time perde para o Flamengo pelo Campeonato Brasileiro, também sem conseguir reagir no segundo tempo. A sequência acende um alerta no departamento de futebol, em meio a atrasos em direitos de imagem, insatisfação de parte do elenco e expectativas elevadas com a presença de Neymar no elenco, ainda que fora de campo nesta viagem.

O Santos tenta a resposta na base da insistência. Rony busca Bontempo em passe cruzado, mas erra a força. Pouco depois, Robinho Jr., que entra na vaga de Oliva, domina na área e finaliza rasteiro para mais uma defesa segura de Ferrero. Thaciano, acionado no lugar de Rony, tem chance clara após cruzamento preciso de Barreal, mas cabeceia para fora, de frente para o gol.

A reta final escancara um problema repetido. O time produz, conclui, mas esbarra em erros de escolha e de execução. Barreal arranca pela esquerda nos minutos finais, opta pelo chute ao invés do passe para Robinho Jr. e desperdiça outro ataque promissor. À beira do campo, Cuca se irrita com a decisão e cobra mais simplicidade. A queixa não é nova e reforça a leitura de que o time ainda não encontra equilíbrio entre intensidade e frieza no último terço do campo.

O resultado de 1 a 0, com gol de Mancinelli, pesa mais pelo contexto do que pelo placar em si. A estreia negativa em competição continental, somada à ausência de Neymar e Gabigol, aumenta a sensação de fragilidade nas noites internacionais. A Sul-Americana, tratada como oportunidade de reconstrução da imagem do clube fora do país, começa com tropeço e reacende dúvidas sobre a capacidade do elenco de responder sob pressão.

Vila Belmiro como termômetro e resposta rápida sob cobrança

A derrota em Cuenca não encerra a caminhada do Santos na Sul-Americana, mas estreita a margem de erro já na fase de grupos. Em um torneio curto, com poucos jogos e diferença pequena de pontuação entre líderes e demais colocados, tropeços fora de casa cobram reação imediata como mandante. A Vila Belmiro volta a ser peça central em qualquer plano de recuperação.

O próximo compromisso, no sábado, 11 de abril, contra o Atlético-MG, vale mais do que três pontos no Brasileiro. O jogo em casa funciona como teste de personalidade para um elenco que convive com atrasos salariais, pressão da torcida e expectativa em torno da presença de Neymar. O presidente Marcelo Teixeira fala em “parceria de sucesso” com o craque, mas a parceria precisa se traduzir em ambiente mais estável e desempenho em campo.

A comissão técnica observa ainda os reflexos físicos da viagem ao Equador e da sequência de jogos em poucos dias. Jogadores como Rony, Bontempo e Rafael Gonzaga, que sustentam a intensidade em Cuenca, disputam espaço com nomes mais experientes em um elenco que tenta se reinventar em meio à crise. A tendência é que Cuca ajuste não apenas a escalação, mas também o desenho tático, para aproveitar melhor o volume ofensivo e reduzir a dependência de bolas paradas defensivas.

O vestiário sente o peso da semana. Duas derrotas consecutivas, pressão pública por resultados, questionamentos sobre a eficiência diante do gol e ruídos externos com a diretoria compõem um cenário em que cada partida ganha contornos de decisão. O treinador sabe que a margem para testes diminui, enquanto a exigência por respostas rápidas cresce a cada rodada.

O Santos volta do Equador com mais perguntas do que respostas. A equipe mostra volume, energia e jovens promissores, mas não encontra o caminho do gol e paga caro por um lance isolado. A Vila Belmiro, no fim de semana, vira palco de uma reação necessária. Resta saber se o elenco conseguirá transformar o incômodo desta noite em combustível ou se a Sul-Americana de 2026 marcará apenas mais um capítulo de frustração internacional na história recente do clube.

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