Palmeiras reage com Ramón Sosa e estreia com empate na Libertadores
O Palmeiras estreia na Copa Libertadores de 2026 com empate por 1 a 1 com o Junior Barranquilla, nesta quarta-feira (8), em Cartagena. O time colombiano sai na frente em pênalti convertido por Téo Gutiérrez, e Ramón Sosa evita a derrota na etapa final.
Gramado irregular, pênalti cedo e Palmeiras em desvantagem
O primeiro capítulo da campanha palmeirense no torneio continental começa com sobressalto. Aos poucos minutos de jogo, Mauricio comete pênalti dentro da área, em lance que expõe a dificuldade do time para se adaptar ao gramado irregular do Estádio Olímpico de Cartagena. Téo Gutiérrez assume a responsabilidade, bate com firmeza, desloca Carlos Miguel e abre o placar, incendiando a torcida local.
O campo pesado e com muitos remendos atrapalha a circulação de bola da equipe de Abel Ferreira. A proposta de controlar o jogo com posse e passes curtos esbarra em quiques imprevisíveis e domínios imprecisos. O Junior se beneficia do cenário e recua as linhas, tenta acelerar pelos lados e força o erro alviverde. O Palmeiras até ocupa mais o campo de ataque, mas cria pouco, se mostra previsível e chega ao intervalo sem transformar o domínio territorial em chances claras.
Abel mexe, Sosa muda o jogo e o Verdão assume o controle
O vestiário marca o ponto de virada da atuação brasileira. Abel Ferreira volta para a etapa final com duas mudanças e altera a configuração ofensiva, em busca de mais profundidade e improviso. A entrada de Ramón Sosa, em especial, oferece exatamente o que o time não encontra no primeiro tempo: velocidade, drible e capacidade de romper a marcação individual.
O empate nasce de um lance típico de Libertadores, em que a insistência se impõe à técnica. Após lançamento longo, Flaco López desvia de cabeça e prolonga a jogada dentro da área. A bola sobra para Sosa, que domina com calma, dribla o goleiro Mauro Silveira e empurra para as redes, anotando o primeiro gol do Palmeiras na edição 2026 do torneio. O relógio aponta a segunda metade do jogo, e a sensação é de que o visitante enfim se encontra em campo.
O gol transforma o ambiente e a dinâmica da partida. O Junior recua ainda mais e tenta explorar os contra-ataques, especialmente com Kevin Pérez e os movimentos de Téo entre as linhas. O Palmeiras adianta a marcação, empurra o adversário para o próprio campo e passa a rondar a área colombiana. Marlon Freitas e Andreas Pereira distribuem o jogo, Allan e depois Felipe Anderson tentam acelerar pelos lados, enquanto Sosa se torna a principal válvula de escape.
As chances aparecem em sequência nos minutos finais, em cruzamentos e chutes de média distância, mas faltam precisão e frieza para a virada. Do outro lado, o Junior responde em arrancadas rápidas, aproveitando os espaços nas costas dos laterais que se projetam ao ataque. O 1 a 1 se mantém até o apito final, com um gol para cada lado em cada tempo, em um duelo de estilos marcado mais pelo esforço que pelo brilho técnico.
Grupo F aberto, disputa equilibrada e novas opções para Abel
O empate deixa Palmeiras e Junior Barranquilla com um ponto cada no grupo F, que ainda reúne Sporting Cristal, do Peru, e Cerro Porteño, do Paraguai. A matemática é simples neste início de fase de grupos: a igualdade em Cartagena mantém tudo em aberto e transfere a pressão para as próximas rodadas, sobretudo nos jogos em casa. Em uma chave sem favoritos absolutos, cada ponto perdido fora pesa menos do que um tropeço como mandante.
O resultado também oferece elementos para a leitura interna de Abel Ferreira. A atuação de Ramón Sosa, decisivo no gol e ativo na construção ofensiva, reforça sua candidatura a um lugar de maior protagonismo na rotação do elenco. O paraguaio transforma um cenário adverso em estreia menos traumática e mostra capacidade de desequilibrar em campo difícil, traço valioso em mata-matas e viagens pela América do Sul.
O gramado irregular expõe outra preocupação prática. Um time que se acostuma a jogar em pisos bem cuidados, como no Allianz Parque, precisa se adaptar rapidamente a estádios com condições mais precárias, recorrentes em deslocamentos continentais. A dificuldade na troca de passes, evidente no primeiro tempo, serve de alerta para ajustes na estratégia fora de casa, com mais bola longa e jogo direto quando o campo não colabora.
Clássico, maratona e o desafio de dividir forças
O calendário não oferece respiro. No domingo, 12 de abril, às 18h30 (de Brasília), o Palmeiras visita o Corinthians, na Neo Química Arena, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro. O clássico surge como teste imediato para o fôlego físico e mental de um elenco que volta da Colômbia com a sensação de ter deixado escapar a vitória, mas também com a confiança de ter reagido sob pressão.
O Junior Barranquilla, por sua vez, retorna ao cenário local para enfrentar o Rionegro Águilas, fora de casa, pelo Campeonato Colombiano. A equipe de Alfredo Arias tenta transformar o ponto conquistado contra um dos protagonistas habituais da Libertadores em combustível para a sequência da temporada. A noite em Cartagena não resolve nada no grupo F, apenas adianta que a classificação deve ser decidida nos detalhes. Resta saber qual dos dois lados aprenderá mais rápido com o próprio tropeço inaugural.
