WhatsApp libera uso de duas contas e reforça IA a partir de março
O WhatsApp começa a liberar, a partir de março de 2026, uma leva de recursos focados em organização, troca de celular e inteligência artificial. As novidades incluem uso de duas contas no mesmo aparelho, transferência simplificada de conversas entre iPhone e Android e ferramentas de edição com IA.
WhatsApp mira rotina de quem vive com o celular lotado
A Meta tenta resolver, de uma vez, alguns dos incômodos mais comuns de quem usa o aplicativo todos os dias. O pacote de atualizações reorganiza o jeito de lidar com arquivos pesados, facilita a migração de conversas ao trocar de aparelho e leva recursos de inteligência artificial para dentro do chat. A liberação é gradual, ao longo das próximas semanas, para usuários no Brasil e em outros países.
O primeiro alvo é o armazenamento. Em vez de obrigar o usuário a apagar conversas inteiras para liberar memória, o WhatsApp passa a mostrar, conversa por conversa, quais arquivos ocupam mais espaço. Dentro do app, basta tocar na foto de perfil, na parte inferior, acessar “Armazenamento e dados” e depois “Gerenciar armazenamento”. O aplicativo exibe as conversas que concentram vídeos, fotos e documentos grandes, permitindo apagar só o excesso, sem sacrificar o histórico.
A mesma lógica vale dentro de cada chat. Ao tocar no nome do contato ou do grupo e selecionar “Gerenciar armazenamento”, o usuário vê uma espécie de raio X de tudo o que aquela conversa acumulou. Em smartphones com 64 GB ou 128 GB, cada vídeo de alguns minutos faz diferença. A aposta da empresa é reduzir a pressão constante por espaço, que costuma empurrar usuários para a exclusão de conteúdos importantes ou para a compra antecipada de um novo aparelho.
Troca de celular e duas contas no iPhone ganham atalho
A transferência de conversas também muda de patamar. A Meta afirma que o WhatsApp agora permite levar o histórico completo – mensagens, fotos e vídeos – de iOS para Android, e o inverso, sem depender de cópias em nuvem ou cabos. É preciso manter os dois aparelhos próximos, com o aplicativo aberto no celular antigo. Na sequência, o usuário toca em sua foto, entra em “Conversa”, escolhe “Transferir histórico de conversas” e confirma em “Transferir”. O processo tenta reduzir o risco de perder anos de trocas pessoais e profissionais na mudança de sistema.
O movimento não é trivial. A migração entre plataformas sempre funcionou como barreira invisível para quem pensa em trocar de iPhone para Android, ou o contrário. Ao simplificar esse passo, o WhatsApp ajuda a destravar decisões de compra e, de quebra, reduz a dependência de backups em serviços como iCloud e Google Drive. A Meta não divulga números, mas analistas de mercado estimam que bilhões de conversas cruzam essas fronteiras todos os anos, à medida que usuários renovam seus aparelhos em ciclos de dois a três anos.
Outra frente atinge diretamente a forma como muita gente separa vida pessoal e trabalho. A função de duas contas no mesmo celular, já disponível no Android, chega ao iOS. O iPhone passa a exibir, na barra inferior, a foto do perfil ativo, ajudando o usuário a saber se está respondendo pelo número pessoal ou profissional. Para quem administra negócios, atende clientes ou presta serviços por meio do app, a mudança diminui a necessidade de carregar dois aparelhos ou recorrer a soluções paralelas.
A expectativa é que o recurso ganhe tração rápida em mercados como o brasileiro, onde pequenos negócios dependem do aplicativo para atender encomendas, marcar horários e negociar pagamentos diariamente. Em um único aparelho, o dono de um salão de beleza, por exemplo, pode separar reservas de clientes e vida privada sem misturar contatos, notificações e listas de transmissão.
Figurinhas sugeridas e IA da Meta entram na conversa
No campo da linguagem, o WhatsApp passa a sugerir figurinhas automaticamente a partir de emojis. Ao digitar um símbolo, o usuário vê stickers relacionados e pode trocar com um toque. A mudança parece simples, mas encurta o caminho até a comunicação visual, hoje dominante em grupos de família, trabalho e estudo. No dia a dia, o gesto reduz a caça manual por imagens salvas ao longo dos anos.
A principal aposta estratégica, porém, está na inteligência artificial. Ferramentas da Meta AI chegam às edições de foto e à escrita de mensagens. Antes de enviar uma imagem, o usuário poderá remover elementos indesejados, trocar o fundo ou aplicar estilos visuais gerados por IA. Na troca de textos, o sistema passa a sugerir respostas com base no contexto da conversa, como confirmações rápidas de horário, endereços ou recados mais elaborados.
A empresa reforça que as mensagens permanecem protegidas por criptografia de ponta a ponta e que o processamento respeita a privacidade do conteúdo. Na prática, a Meta tenta equilibrar conveniência e desconfiança. O avanço de robôs de texto e imagem, nos últimos dois anos, acendeu alertas sobre vigilância, coleta de dados e manipulação. Ao embutir a IA dentro do principal app de mensagens do país, a companhia leva essa discussão para o centro da rotina digital dos usuários.
O pacote de novidades também tem efeito competitivo. Rivais como Telegram, Signal e iMessage já testam recursos de automação, respostas inteligentes e edição avançada de mídia. Ao reagir com um conjunto integrado de funções, a Meta busca manter o WhatsApp como ponto de partida da vida digital de mais de 2 bilhões de pessoas. Quanto mais tarefas o usuário resolve ali dentro, menor a chance de migrar para outros serviços.
Próximos passos e dúvidas em aberto
As atualizações começam a ser distribuídas globalmente a partir de março de 2026 e devem levar algumas semanas para alcançar toda a base de usuários. Nem todos os recursos chegam ao mesmo tempo, e parte deles depende de versões recentes do iOS e do Android. Usuários mais antigos, com celulares de entrada e pouco espaço, tendem a sentir primeiro o impacto da nova gestão de arquivos e da transferência simplificada de histórico.
As ferramentas de IA, por sua vez, podem demorar mais para se popularizar. Há dúvidas sobre até que ponto usuários vão confiar em sugestões automáticas de resposta e em editores de imagem integrados à conversa. A Meta aposta que a combinação de conveniência, economia de tempo e mais controle sobre o que fica guardado no aparelho será suficiente para vencer resistências. A disputa agora é por atenção dentro de cada notificação: quem dita o próximo passo da conversa, o usuário ou o algoritmo.
