Tiago Leifert critica postura de Vini Jr após derrota do Brasil na França
Tiago Leifert critica abertamente a atuação e a postura de Vinícius Júnior após a derrota do Brasil para a França, em amistoso disputado nesta quinta-feira (26), em solo francês. Em transmissão ao vivo no YouTube, o ex-apresentador expõe incômodo com o desempenho do camisa 10 e com a cena de descontração do atacante com Mbappé e Camavinga logo depois do apito final.
Derrota em campo e desgaste fora das quatro linhas
O amistoso em território francês termina com o Brasil derrotado e sob questionamentos. A seleção de Carlo Ancelotti perde por 2 a 1, em uma noite de pouca inspiração ofensiva. O resultado em 26 de março de 2026, que em tese serviria como teste de alto nível, acaba abrindo espaço para um debate mais amplo sobre comportamento e liderança em dias de desempenho fraco.
A crítica de Leifert mira o principal nome da equipe. Vini Jr chega ao jogo como símbolo da renovação da Seleção e referência técnica do time. Dentro de campo, porém, o Brasil finaliza cinco vezes no primeiro tempo sem acertar uma única bola no gol de Mike Maignan. O quarteto ofensivo escalado por Ancelotti — Gabriel Martinelli, Raphinha, Vinícius Júnior e Matheus Cunha — não consegue transformar as chances em perigo real.
O narrador, que hoje atua como comentarista digital, reage à atuação do camisa 10 e à imagem que circula logo depois da partida, em que o atacante aparece sorridente ao lado de Mbappé e Camavinga, companheiros de Real Madrid. “Ronaldinho Gaúcho, Raí, Neymar, todos já apanharam bastante depois de uma partida dessa. Dá para colocar uma lista de jogadores que seriam estraçalhados no dia seguinte. Capa de jornal e os caramba. Se fosse o Neymar, jogando desse jeito, perdesse, e desse um sorriso depois”, dispara.
Na sequência, ele reforça a percepção de que o ambiente é mais favorável ao atual camisa 10: “Meu Deus do céu. Mas o Vinícius tem muita boa fé. O vento está a favor, a imprensa, os torcedores, pô tem que aproveitar”. O comentário ecoa rápido nas redes sociais e se soma à repercussão negativa da derrota, descrita por jornais internacionais como uma seleção “de joelhos” diante dos franceses.
Atuação aquém das expectativas e pressão sobre o protagonismo
Os 90 minutos em solo francês expõem uma seleção ainda em busca de identidade ofensiva. Ancelotti confirma a promessa da véspera e escala quatro atacantes desde o início. A teoria de um Brasil agressivo se perde na prática. No primeiro tempo, Martinelli, Matheus Cunha e até o volante Casemiro arriscam chutes de fora da área, mas todos saem ao lado ou por cima da meta. O time tenta, não calibra, e a França aproveita o espaço que encontra.
Mbappé rompe o equilíbrio aos 31 minutos. O craque recebe lançamento de Dembélé, acelera, deixa Léo Pereira e Douglas Santos para trás e toca por cobertura na saída de Ederson. A jogada resume a diferença de eficiência entre as equipes. De um lado, uma seleção que precisa de muitos arremates para ameaçar. Do outro, uma estrela que transforma um lance em gol e muda o roteiro do jogo.
O segundo tempo oferece uma breve sensação de reação. Raphinha sente a coxa direita e dá lugar a Luiz Henrique, que acelera o jogo pela ponta. Aos 9 minutos, Wesley invade a área e é derrubado por Upamecano, expulso na sequência. Com um jogador a mais por mais de 35 minutos, o Brasil tem uma oportunidade rara em amistosos desse nível. A equipe, porém, falha em transformar superioridade numérica em controle.
A França mostra frieza. Aos 19 minutos, em contra-ataque, Ekitiké também escolhe o toque por cobertura para ampliar o placar. O 2 a 0 aprofunda o desconforto em torno do setor ofensivo brasileiro, que passa boa parte do tempo sem conseguir criar situações claras. Ancelotti reage com uma série de mudanças, aciona Danilo, Ibãnez, Igor Thiago e João Pedro, e a seleção ocupa enfim o campo de ataque.
O gol de Bremer, aos 33 minutos, reduz o prejuízo e renova minimamente a esperança de empate. Nos acréscimos, Vini Jr tem chance de evitar a derrota, mas para em Maignan. A última imagem do camisa 10 com a bola contrasta com a cena minutos depois, ao lado dos colegas de clube. É essa contradição — desempenho apagado e semblante leve no gramado, logo em seguida — que alimenta a irritação de parte da torcida e dá combustível ao comentário de Leifert.
Imagem em jogo e debate sobre postura na Seleção
A crítica pública vem em um momento em que Vini Jr consolida espaço entre os protagonistas do futebol europeu e da própria Seleção. O atacante, hoje um dos principais nomes do Real Madrid, chega à faixa de capitão em alguns jogos e herda, na prática, parte da cobrança que por mais de uma década recai sobre Neymar. O contraste traçado por Leifert entre o tratamento dado a diferentes gerações expõe uma questão de fundo: o que se espera de um líder técnico em dias ruins?
Parte da reação nas redes sociais cobra mais indignação e menos leveza após derrotas desse tamanho. Outra parte relativiza as imagens e lembra que relações de vestiário e de clube pesam em jogos entre seleções. A discussão, porém, já ultrapassa o lance e entra em um campo mais amplo, que envolve profissionalismo, comunicação com o público e percepção de comprometimento. Em um cenário em que a seleção convive com jejum de títulos de Copa desde 2002, gestos e expressões contam tanto quanto números em campo.
O episódio também pressiona a comissão técnica. A escolha por quatro atacantes não rende o volume de chances que se espera de um time com essa vocação ofensiva. A incapacidade de aproveitar mais de 30 minutos com um jogador a mais reforça a sensação de desequilíbrio. Para parte da crônica esportiva, a derrota em 26 de março funciona como alerta em letras grandes antes de torneios oficiais.
Próximos testes e cobrança crescente
Os amistosos seguintes da seleção ganham peso que, em teoria, não teriam. Ancelotti precisa mostrar evolução coletiva e, em especial, dar ao ataque uma cara mais consistente. A expectativa é que Vini Jr responda em campo, com atuação à altura do status que constrói na Europa, e, ao mesmo tempo, ajuste a forma de se expor em momentos de frustração esportiva.
A repercussão das palavras de Tiago Leifert indica que o nível de tolerância com atuações discretas do camisa 10 está mais baixo. O jogador entra nos próximos compromissos sob olhar ainda mais atento de torcedores, imprensa e ex-atletas. A pergunta que fica para os próximos meses é se a nova geração da Seleção Brasileira está pronta não apenas para decidir jogos grandes, mas também para lidar com a tempestade que costuma vir depois das derrotas.
