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Vitor Reis é convocado por Ancelotti para a seleção em Orlando

O zagueiro Vitor Reis, do Girona, é convocado por Carlo Ancelotti para a seleção brasileira principal nesta quinta-feira (26), em Orlando. Ele substitui Marquinhos, cortado por lesão no quadril, e integra o grupo que enfrenta a Croácia na próxima terça-feira (31). A chamada marca a estreia do defensor de 19 anos na equipe principal.

Lesão de Marquinhos abre espaço para nova geração

A convocação chega em um momento de transição da seleção. Marquinhos sente dores no quadril, fica fora do amistoso contra a França e não tem condições de jogo para encarar a Croácia, às 21h (de Brasília), no Camping World Stadium, em Orlando. A comissão técnica age rápido e confirma Vitor Reis como substituto direto, reforçando o plano de renovação da defesa.

Ancelotti vê no zagueiro um perfil alinhado à ideia de time que tenta misturar experiência e juventude. Vitor chega após uma temporada de afirmação na Europa, em um contexto em que a seleção busca alternativas a nomes consolidados, como o próprio Marquinhos, e tenta antecipar decisões para o ciclo da Copa do Mundo de 2030.

Da base do Palmeiras ao Girona, uma ascensão acelerada

Natural de São José dos Campos (SP), Vitor Reis inicia a carreira no Palmeiras em 2016, ainda no sub-11. No clube, empilha títulos e responsabilidades. É bicampeão brasileiro sub-17 em 2022 e 2023 e assume a braçadeira de capitão da seleção no Mundial sub-17, em 2023, sinal claro de liderança precoce dentro de campo.

O talento desperta atenção fora do país. Em 2023, o jornal britânico The Guardian inclui o brasileiro na lista dos 60 jovens jogadores com maior potencial no mundo. A projeção internacional acelera a carreira. Em 2024, Vitor disputa sua primeira Copa São Paulo de Futebol Júnior, mas vê o Palmeiras cair na terceira fase, diante do Aster Itaquá. Meses depois, já está integrado ao elenco profissional e estreia em junho do mesmo ano, sem voltar mais às divisões de base.

A passagem pelo time principal do Palmeiras é curta, porém intensa. O zagueiro disputa 22 jogos, é titular em 19 e marca dois gols em clássicos contra Corinthians e Flamengo. O desempenho convence o mercado europeu. Em janeiro de 2025, o Manchester City paga 37 milhões de euros fixos, sem bônus, pela contratação, a maior venda da história para um zagueiro brasileiro. O contrato vai até a metade de 2029.

A adaptação na Inglaterra, no entanto, não acompanha o valor do investimento. Entre 2025 e o início de 2026, Vitor Reis entra em campo apenas 5 vezes pelo City. O zagueiro entende que precisa jogar mais se quiser chegar à seleção principal antes da Copa. Pede para ser negociado e, em agosto de 2025, é emprestado ao Girona, clube espanhol do mesmo grupo empresarial do City.

Na Espanha, a realidade muda. Vitor se firma como titular absoluto. Desde o empréstimo, atua em 29 partidas e começa jogando em 28 delas. É o jogador do Girona com mais duelos ganhos na temporada e o segundo com mais passes certos, estatísticas que reforçam a imagem de defensor firme, mas confortável com a bola nos pés. O salto de protagonismo no clube catalão projeta o nome do zagueiro no radar da CBF.

Convocação muda a rota de carreira e pressiona concorrentes

A chegada à seleção brasileira principal muda o patamar de Vitor Reis. A presença em um amistoso de peso, contra a Croácia, em solo norte-americano, amplia a visibilidade internacional do jogador e tende a valorizar seu passe. O City, que ainda detém os direitos econômicos do zagueiro, acompanha à distância um ativo que pode se valorizar ainda mais às vésperas do próximo ciclo de Copa.

Para o Girona, o impacto também é imediato. Ter um titular convocado pela seleção brasileira fortalece o projeto esportivo do clube, que disputa espaço em La Liga diante de gigantes como Real Madrid e Barcelona. O desempenho de Vitor na liga espanhola ajuda a explicar a escolha da comissão técnica brasileira, que busca zagueiros habituados a enfrentar ataques intensos e linhas altas.

Dentro da seleção, a convocação aumenta a concorrência em uma posição que já vive momento de renovação. Marquinhos, ainda referência técnica, convive com problemas físicos recentes. Outros nomes, mais jovens, tentam se firmar como opções de primeira linha. Vitor chega a esse ambiente com a credencial de promessa de longo prazo e a chance de transformar a oportunidade em vaga recorrente nas próximas listas.

A comissão técnica trabalha com a ideia de observar o zagueiro não só em treinos, mas, se possível, em minutos de jogo. O amistoso contra a Croácia, rival de tradição recente em Copas, serve como teste de pressão controlada. Uma atuação segura pode consolidar o defensor na disputa por espaço em futuras convocações para Eliminatórias e Copa América.

Orlando como vitrine e o próximo passo da renovação

Vitor Reis se apresenta à seleção na noite de sexta-feira (27), no hotel onde a delegação está concentrada em Orlando. Já participa do treino de sábado, em preparação direta para o duelo de terça-feira. O cronograma é apertado, mas a comissão entende que o zagueiro chega em ritmo de competição, graças à sequência de jogos pelo Girona.

O amistoso contra a Croácia funciona como vitrine e laboratório. Para Ancelotti, é a chance de testar peças novas e observar como jovens como Vitor se comportam em um ambiente de seleção principal. Para o jogador, é a oportunidade de confirmar que a decisão de sair do banco do City rumo à titularidade no Girona cumpre o objetivo traçado em 2025: entrar no radar da seleção e disputar espaço real no ciclo até a Copa do Mundo. A resposta começa a ser dada em Orlando, e a pergunta que fica é se essa convocação pontual vai se transformar em presença constante nas próximas listas do Brasil.

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