Militar dos EUA põe freio a ataque ao Irã e deixa decisão com aliados de Trump
O principal líder militar dos Estados Unidos expressa, em fevereiro de 2026, fortes ressalvas a um ataque ao Irã e empurra a decisão final para dois civis do círculo íntimo de Donald Trump: o genro do ex-presidente e um enviado especial da Casa Branca, encarregados de medir o grau de compromisso iraniano em abandonar o programa nuclear.
Pressão por resposta e freio do comando militar
A discussão sobre uma possível ação militar ganha fôlego em Washington depois de semanas de sinais contraditórios vindos de Teerã. Relatórios internos apontam, de um lado, avanços técnicos no programa nuclear iraniano e, de outro, acenos pontuais de cooperação. Nesse cenário de incerteza, o chefe do Estado-Maior americano decide se afastar do papel de fiador político de um ataque e insiste em mais tempo para avaliar custos e riscos.
Assessores envolvidos nas conversas descrevem um ambiente de tensão. De um lado, parte da equipe de segurança nacional defende uma demonstração de força ainda no primeiro semestre de 2026, antes que o Irã consolide novas capacidades de enriquecimento de urânio. De outro, o comando militar argumenta que um conflito aberto no Golfo Pérsico pode arrastar a região para meses, talvez anos, de instabilidade, com impacto direto sobre o preço do petróleo e a segurança de rotas marítimas estratégicas.
O impasse leva a Casa Branca a deslocar o eixo da decisão. Em vez de um parecer dominante dos militares, o peso recai sobre o genro de Trump, figura central nas negociações de bastidores da administração republicana, e sobre um enviado especial para o dossiê iraniano. Os dois passam a conduzir, em sigilo, reuniões com diplomatas, analistas de inteligência e representantes de aliados-chave, como Israel, Arábia Saudita e países europeus.
O ponto de partida das conversas é sempre o mesmo: até que ponto o Irã está realmente disposto a abandonar, de forma verificável, qualquer ambição de construir uma arma nuclear. A resposta define, em última instância, se os Estados Unidos mantêm a pressão econômica e diplomática ou cruzam a linha para uma ofensiva militar de maior escala. “Sem prova clara de reversão do programa nuclear, a opção de ataque volta à mesa”, resume um funcionário, sob condição de anonimato, em relato a pessoas próximas às negociações.
Programa nuclear, mercados e cálculo político
O histórico recente pesa sobre cada movimento. O acordo nuclear assinado em 2015, abandonado por Trump três anos depois, ainda serve de referência para diplomatas que tentam medir a distância entre promessa e prática em Teerã. Em relatórios circulados em Washington nas últimas semanas, técnicos lembram que, antes da retomada das sanções, o Irã limitava o enriquecimento de urânio a 3,67%. Hoje, estimativas independentes sugerem níveis bem superiores, o que reduz o tempo necessário para a produção de material fisso para uma bomba.
Ao mesmo tempo, a ideia de um novo conflito de grande porte no Oriente Médio assusta mercados. Projeções internas trabalhadas por consultorias próximas ao governo apontam que uma interrupção parcial do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, por apenas 30 dias, pode empurrar o barril para patamares acima de US$ 120. Em 2025, episódios menores de tensão já haviam provocado saltos de 8% a 10% em uma única semana. Investidores acompanham, dia a dia, cada vazamento de informação vindo da capital americana.
No Congresso, o debate se fragmenta. Parlamentares republicanos ligados ao setor de defesa pressionam por um sinal de força, enquanto senadores moderados alertam para o risco de repetir os erros da invasão do Iraque em 2003. Democratas, em maioria apertada em algumas comissões-chave, insistem em exigir autorização formal para qualquer operação de grande envergadura. A divisão reflete o cálculo eleitoral de 2026, ano em que estarão em jogo 435 cadeiras na Câmara e 34 no Senado.
Especialistas em segurança ouvidos em relatórios internos alertam que um ataque limitado, focado em instalações nucleares, dificilmente permanece contido. O Irã tem à disposição milícias aliadas em ao menos quatro países vizinhos e capacidade de atingir bases americanas em um raio de mais de 1.500 quilômetros. “Qualquer erro de cálculo pode transformar uma operação de 72 horas em uma campanha de meses”, avalia um analista veterano, em documento que circula entre conselheiros presidenciais.
Disputa interna, risco regional e próximos passos
O desenho atual da tomada de decisão revela uma dinâmica pouco convencional. O líder militar prefere registrar sua cautela por escrito e verbalmente, mas evita confrontar publicamente o presidente. O genro de Trump, que acumula funções políticas e diplomáticas desde o primeiro mandato do republicano, assume um protagonismo que irrita parte da burocracia tradicional de Washington, acostumada a ver generais e diplomatas de carreira no centro desse tipo de decisão.
A interlocução direta do enviado especial com capitais do Oriente Médio também altera o tabuleiro regional. Israel pressiona por uma posição mais dura, argumentando que a janela para impedir um Irã nuclear se estreita a cada mês. Países do Golfo, dependentes de exportações de petróleo, pedem garantias concretas de proteção a suas infraestruturas caso a escalada avance. Na Europa, chancelerias tentam ressuscitar algum tipo de entendimento diplomático, com prazos e metas claras, para evitar que um único disparo transforme a crise em guerra aberta.
O futuro imediato depende de variáveis difíceis de controlar. Se Teerã aceitar, nas próximas semanas, inspeções adicionais em instalações sensíveis e congelar o nível de enriquecimento, os defensores da via diplomática ganham fôlego. Caso contrário, a pressão interna sobre Trump tende a aumentar, alimentada por aliados que veem na demonstração de força uma forma de reforçar sua imagem de liderança em política externa.
O calendário funciona como linha invisível. Negociadores falam, reservadamente, em um horizonte de 60 a 90 dias para que o Irã apresente sinais concretos de recuo. Qualquer decisão posterior a esse prazo corre o risco de se confundir com a campanha eleitoral americana e de ser lida como gesto mais voltado a seu público interno do que à segurança global. Entre militares, diplomatas, aliados e adversários, permanece a mesma pergunta: quem, de fato, vai arcar com o custo político e humano de apertar o gatilho.
