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Corinthians faz último treino e define base para encarar o Cruzeiro

Dorival Júnior comanda na manhã desta terça-feira (24) o último treino do Corinthians antes de enfrentar o Cruzeiro, quarta (25), às 20h, no Mineirão. Com desfalques importantes, o técnico testa alternativas e encaminha a escalação para manter o time na parte de cima da Série A.

Dorival mexe na base do time em treino no CT Joaquim Grava

No gramado principal do CT Joaquim Grava, a movimentação começa cedo. Dorival interrompe jogadas, orienta posicionamentos e conversa longamente com os jogadores antes de liberar o rachão final. O treino desta terça funciona como síntese de um início de temporada intenso, em que o Corinthians tenta administrar desgaste físico e manter a boa fase em duas frentes: a semifinal do Campeonato Paulista e o bloco de cima do Brasileirão.

O comandante alvinegro precisa lidar com uma lista de desfalques que mexe no miolo criativo e no poder de fogo. O meia Matheus Pereira e o centroavante Yuri Alberto seguem em tratamento de lesão na coxa e não viajam. O ponta Kaio César também permanece no departamento médico e vira outra baixa confirmada. São três ausências que reduziriam, em qualquer elenco, as opções de construção e definição no último terço do campo.

Dorival responde com testes táticos e pequenas mudanças de função. O meia-atacante Zakaria Labyad, um dos reforços desta janela, participa normalmente das atividades, mas ainda não tem presença garantida. A comissão técnica acompanha de perto a resposta física do jogador, de 32 anos, que chega com a missão de oferecer passe qualificado e bola parada em momentos de maior pressão.

A base da equipe, porém, está desenhada. O Corinthians deve ir a campo com Hugo Souza; Pedro Milans, Gabriel Paulista, João Pedro Tchoca e Angileri; Charles, André, Carrillo e Rodrigo Garro; Vitinho e Gui Negão. O desenho indica um meio-campo mais denso, com quatro jogadores capazes de recompor sem a bola e acelerar a transição ofensiva quando recuperam a posse.

Jogo vira teste de resistência física e mental no Mineirão

O contexto da quarta rodada do Brasileirão aumenta o peso da escolha de Dorival. O Corinthians soma 6 pontos, ocupa a quinta colocação e tenta se firmar no pelotão de frente logo no começo da competição. O Cruzeiro vive cenário oposto: é lanterna, com apenas 1 ponto, pressionado por resultados ruins e pela impaciência da arquibancada no Mineirão.

O duelo coloca em campo duas narrativas distintas da temporada. O Corinthians se classifica recentemente para a semifinal do Paulista e dá sinais de evolução coletiva. O Cruzeiro tenta reconstruir confiança em meio a cobranças públicas, questionamentos à diretoria e dúvidas sobre a capacidade do elenco de reagir em curto prazo. Jogar fora de casa, em um estádio historicamente hostil a visitantes, transforma a noite de quarta em teste de maturidade para um grupo que ainda se ajusta ao estilo de Dorival.

A maratona de jogos deixa marcas. Internamente, a comissão técnica admite preocupação com o desgaste de atletas que vêm atuando em sequência. Por isso, o treino desta terça é menos sobre intensidade e mais sobre encaixe tático e tomada de decisão. O trabalho foca bolas paradas ofensivas e defensivas, setor que costuma desequilibrar partidas equilibradas em campeonatos longos.

Os corredores do CT revelam um ambiente de confiança contida. Jogadores comentam a boa largada no Brasileirão, mas evitam euforia. A fala que se repete é a de que “pontuar fora” vira quase obrigação para quem pretende brigar na parte alta da tabela desde as rodadas iniciais. Em um calendário em que cada ponto parece caro, deixar escapar vantagem para rivais diretos pode cobrar preço alto em agosto e setembro.

Escalação define rumo imediato e pressão sobre os dois lados

A escolha de Dorival para o jogo em Belo Horizonte impacta mais do que os 90 minutos no Mineirão. Uma vitória fora de casa, com time mexido e elenco desfalcado, reforça a ideia de grupo competitivo e dá ao treinador ainda mais margem para rodar o elenco nas próximas semanas. Em cenário de resultado positivo, jogadores como Vitinho, Gui Negão e o próprio Labyad ganham espaço e confiança para disputar minutos em confrontos decisivos.

Um tropeço, por outro lado, alimenta discussões sobre a dependência de nomes como Matheus Pereira e Yuri Alberto para furar defesas fechadas. A crítica, nesses casos, costuma mirar em escolhas de formação, no equilíbrio entre proteção da zaga e ousadia ofensiva. A quarta rodada não decide o campeonato, mas ajuda a delimitar o teto de ambição do Corinthians neste primeiro terço de temporada.

Do lado cruzeirense, o jogo tem contornos de urgência. Um novo revés em casa, diante de um adversário que preserva jogadores e ainda assim compete na parte alta, pode aprofundar a crise e ampliar a pressão por mudanças de rota. A lanterna com 1 ponto em quatro jogos costuma acender todos os sinais de alerta em direção ao restante do ano.

Para o Corinthians, a noite em Belo Horizonte também oferece leitura de longo prazo. O comportamento do time sem peças fundamentais revela o quanto o elenco responde às ideias de jogo de Dorival, baseadas em linhas compactas, pressão coordenada e circulação rápida da bola. Se a base funcionar mesmo em cenário adverso, o clube ganha argumentos para manter o planejamento sem sobressaltos até a fase mais aguda da temporada.

O apito inicial no Mineirão encerra o ciclo de ajustes que começa nesta terça no CT Joaquim Grava. A partir daí, a escalação deixa o papel e passa a ser julgada pelo placar, pela atuação e pela tabela do Brasileirão. A resposta que sai de campo pode indicar se o bom momento corintiano é ponto fora da curva ou início consistente de campanha por algo maior em 2026.

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