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River mira Crespo, mas multa de R$ 4 milhões blinda São Paulo

O River Plate mira Hernán Crespo após a saída de Marcelo Gallardo, anunciada nesta segunda-feira (23). O São Paulo reage com confiança e se apoia em uma multa milionária para segurar o técnico.

River se mexe, São Paulo se protege

A saída de Gallardo, oficializada em Buenos Aires, abre uma das vagas mais cobiçadas da América do Sul. O nome de Crespo circula com força na imprensa argentina desde as primeiras horas após o anúncio, alimentado pela ligação histórica do treinador com o River e pelo bom momento no comando do São Paulo.

Do lado do Morumbis, a reação é imediata, mas sem alarde. A diretoria tricolor trata o interesse como algo natural, reconhece o peso do River no cenário continental e reforça, nos bastidores, a convicção de que o contrato de Crespo é um escudo sólido. Com vínculo até 31 de dezembro de 2026, o treinador tem uma multa rescisória que ultrapassa R$ 4 milhões, equivalente a quatro meses de salário, além de um adicional correspondente a dois meses para sua comissão técnica.

Contrato robusto e confiança interna

A engenharia contratual não é obra do acaso. A direção do São Paulo monta esse pacote justamente para evitar surpresas em meio a um ciclo que considera estratégico. Crespo vive sua segunda passagem pelo clube e chega a esta fase da temporada com a equipe classificada à semifinal do Paulistão, depois da vitória em Bragança Paulista, e em meio a uma maratona que inclui também o Brasileirão.

Integrantes da cúpula tricolor, ouvidos sob reserva, reforçam que o técnico atravessa um momento de alta confiança interna. O futuro dele não é colocado em xeque nem mesmo durante a má fase que marca o início da temporada. Em conversas internas, a avaliação é que Crespo se torna “peça crucial para o momento do clube”, tanto pela gestão de elenco quanto pela identidade de jogo que tenta consolidar.

O clube também calcula o efeito financeiro de uma eventual investida argentina. Para tirar Crespo hoje, o River precisaria desembolsar a multa cheia, sem espaço para descontos significativos. A combinação de cifras em reais, câmbio desfavorável e a necessidade de incluir a comissão técnica no pacote torna a operação mais pesada, mesmo para um gigante sul-americano.

Calendário apertado e risco esportivo

O momento esportivo adiciona camada extra de tensão. O São Paulo tem pela frente o Coritiba, nesta quarta-feira (26), no Couto Pereira, pela quarta rodada do Brasileirão, e encara o Palmeiras no domingo (1º), às 20h30, na Arena Barueri, pela semifinal do Paulistão. Uma mudança abrupta na comissão técnica às vésperas desses jogos poderia desorganizar a rotina do elenco, afetar o ambiente interno e colocar em risco metas traçadas para a temporada.

No River, a escolha do sucessor de Gallardo tende a influenciar diretamente o cenário competitivo do futebol argentino e continental. Crespo aparece como um nome capaz de manter certo grau de continuidade na ideia de jogo ofensiva e protagonista que marca a era Gallardo. Ao mesmo tempo, sua eventual saída do São Paulo poderia redesenhar o mercado de treinadores no Brasil, reacendendo disputas por nomes livres e pressionando clubes que ainda buscam estabilidade no banco de reservas.

A diretoria são-paulina, porém, repete um discurso de tranquilidade. A aposta é que o projeto esportivo, somado ao contrato robusto, pese na decisão do técnico. A multa alta funciona menos como barreira simbólica e mais como lembrete de que a ruptura teria custo esportivo e financeiro relevante para todas as partes.

Mercado aquecido e próximos capítulos

A movimentação do River aquece um mercado de técnicos já pressionado pelo calendário intenso e pela baixa tolerância a resultados ruins. Cada interesse público em um treinador em alta tende a inflacionar multas, renovar contratos e elevar o tom das negociações. Nos bastidores, dirigentes brasileiros observam o caso Crespo como termômetro do quanto clubes sul-americanos estão dispostos a investir para roubar profissionais de mercados vizinhos.

No Morumbis, o planejamento segue amarrado a Crespo. O clube trabalha com a permanência do argentino como cenário principal e descarta, por ora, discutir nomes alternativos. Em Buenos Aires, o River avalia perfis, calcula custos e mede a resistência dos clubes-alvo para definir o sucessor de Gallardo. A questão que permanece aberta é se a combinação de laços afetivos, projeto esportivo e cifras convincentes será suficiente para romper o contrato no Morumbis ou se Crespo, blindado pela multa e pelo respaldo interno, decidirá seguir à frente do São Paulo em um dos momentos mais delicados e decisivos da temporada.

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