PL define Douglas Ruas para governo do Rio e lança Castro ao Senado
O senador Flávio Bolsonaro e o governador Cláudio Castro definem, nesta terça-feira (24/2), a chapa do PL para a eleição de 2026 no Rio. O deputado estadual e secretário das Cidades, Douglas Ruas (PL), será o candidato ao governo, enquanto Castro disputará uma vaga no Senado.
PL fecha chapa e mira em base bolsonarista no Rio
A decisão é tomada em uma sala de reuniões na sede nacional do PL, em Brasília, diante de dirigentes do partido e de representantes do PP e do União Brasil. O encontro sela uma costura que vinha sendo trabalhada há meses e coloca, com dois anos de antecedência, o ponto de partida da disputa pelo Palácio Guanabara e pelas duas cadeiras fluminenses no Senado em 2026.
Douglas Ruas, de 37 anos, deputado estadual e atual secretário das Cidades, é oficializado como nome do PL para o governo do estado. Policial civil de carreira e bacharel em direito, ele é apresentado como um quadro capaz de falar ao eleitorado ligado à segurança pública, segmento central no discurso bolsonarista no Rio. Filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, ligado à Polícia Militar, Ruas carrega ainda o peso de um sobrenome já conhecido nas urnas da Região Metropolitana.
Cláudio Castro, hoje no comando do Palácio Guanabara, decide mirar o Senado após um ciclo à frente do governo fluminense. Ele assume o papel de puxador de votos da chapa majoritária, em um movimento que tenta preservar a influência do grupo político no estado mesmo com a renovação do rosto apresentado para o Executivo. “É uma escolha para manter o projeto e ampliar a base”, afirma, nos bastidores, um dirigente aliado, resumindo o espírito da reunião.
Aliança com PP e União Brasil amplia campo governista
Flávio Bolsonaro e Castro não se limitam à definição do candidato ao governo. O encontro também serve para fechar uma aliança com a federação formada por PP e União Brasil para a vice e para o Senado. Ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PP) é escolhido para compor a chapa como vice de Douglas Ruas, reforçando a presença da Baixada Fluminense em um palanque considerado estratégico para 2026.
Na disputa pelo Senado, o desenho é dividido. Uma das vagas fica com o PL, que lança o próprio Cláudio Castro. A outra é reservada ao União Brasil, com o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, como candidato. A fórmula consolida um bloco que reúne prefeitos influentes na Baixada, nomes com capilaridade no interior e a marca bolsonarista, ainda forte em áreas decisivas do estado.
A costura antecipa o calendário eleitoral e pressiona outras forças políticas a organizar seus projetos. O Rio é um dos principais redutos bolsonaristas do país desde 2018. A presença de Flávio Bolsonaro à frente da articulação reforça a intenção de transformar a eleição estadual de 2026 em vitrine para o campo de direita. “O eleitor do Rio sabe quem defende segurança e quem entrega resultado”, diz um aliado de Flávio, em tom de recado a adversários.
A escolha de Ruas, um nome ainda pouco conhecido fora da Grande Rio, é considerada arriscada por parte da própria base, mas aposta no desgaste de velhas lideranças e na busca por renovação. O vínculo com a segurança pública e a trajetória na polícia civil são tratados como trunfos para enfrentar o debate sobre violência, tema que aparece de forma recorrente entre as principais preocupações dos fluminenses nas pesquisas de opinião dos últimos anos.
Disputa estadual se reconfigura e adversários correm para reagir
Com a chapa lançada, o PL tenta largar na frente na corrida pelo Palácio Guanabara e pelo Senado. A definição antecipada tem efeito direto na montagem de palanques municipais e na busca por tempo de televisão e fundo eleitoral. Prefeitos da Baixada, de São Gonçalo e da Região Serrana passam a medir o peso de se alinhar ao bloco bolsonarista ou aguardar outras articulações, em especial do campo lulista e de partidos de centro.
O desenho também mexe com cálculos internos de legendas como PSD, MDB e PSB, que veem parte de seus quadros assediada pelo grupo de Flávio e Castro. Em ao menos 15 cidades com mais de 100 mil eleitores, lideranças locais aguardam os próximos movimentos para decidir se caminham com a chapa de Douglas Ruas ou se buscam outros arranjos. A tendência é que novas alianças e eventuais rupturas comecem a aparecer ainda em 2024, a partir da eleição municipal.
No campo da oposição, a expectativa é de que partidos de esquerda e centro-esquerda, hoje alinhados ao governo federal, tentem explorar eventuais fragilidades da chapa governista, sobretudo na área social. A concentração de caciques da Baixada na majoritária pode abrir espaço para adversários em regiões como o Norte Fluminense e a Costa Verde, historicamente disputadas voto a voto. A segurança pública, bandeira de Ruas, tende a dividir espaço com temas como transporte, emprego e recuperação fiscal do estado.
A presença de Castro na disputa ao Senado também reabre o debate sobre o legado de sua gestão. O governo enfrenta críticas na área de mobilidade, na condução de concessões de transporte e na relação com servidores. Ao mesmo tempo, aliados pretendem exibir obras, programas sociais e dados de investimento como prova de estabilidade após uma década em que o estado alterna crises políticas e prisões de ex-governadores.
Calendário acelera e definição pressiona novas alianças
O anúncio de Flávio Bolsonaro e Cláudio Castro antecipa uma disputa que, oficialmente, só ganha as ruas em 2026, mas que, na prática, começa agora. A partir da definição do PL, outros partidos devem marcar reuniões e congressos estaduais ainda neste primeiro semestre para desenhar seus próprios palanques. Em 2025, a janela partidária para deputados promete novas mudanças, com troca de legendas e ajuste fino nas bases regionais.
Douglas Ruas entra na cena estadual com a missão de se tornar conhecido em um universo de mais de 12 milhões de eleitores, espalhados por 92 municípios. Sua atuação à frente da Secretaria das Cidades e o desempenho nas redes sociais serão observados de perto por aliados e rivais. A dúvida que permanece é se a combinação entre renovação de rosto, discurso de segurança e base bolsonarista consolidada será suficiente para manter o comando do Palácio Guanabara em 2026.
