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Jovem de 22 anos é morta em feminicídio em São Paulo

A jovem Priscila Versão, de 22 anos, é vítima de feminicídio em São Paulo nesta terça-feira (24). Ela chega sem vida a um hospital, com marcas de agressão, levada pelo companheiro, que é preso em flagrante como principal suspeito do crime.

Violência extrema dentro de casa

Priscila não resiste às agressões e já dá entrada morta na unidade de saúde, segundo profissionais que a atendem. O corpo exibe múltiplas lesões, compatíveis com espancamento. As informações iniciais apontam para um histórico recente de violência doméstica, ainda sem registro formal em delegacias, mas relatado a amigas e familiares.

O companheiro, que a leva ao hospital por volta da manhã desta terça-feira, tenta explicar que ela teria “passado mal” em casa. As marcas espalhadas pelo corpo, os hematomas de diferentes tonalidades e a ausência de sinais de socorro imediato levantam suspeitas na equipe médica. A polícia é acionada em poucos minutos, e o homem acaba detido ainda no local, como suspeito de feminicídio.

O caso ocorre em São Paulo em um cenário de preocupação crescente com a violência contra a mulher. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2024, o país registra em média um feminicídio a cada 6 horas. Em 2023, foram ao menos 1,7 mil mulheres assassinadas por razões de gênero, quase 5 por dia. Mesmo com leis específicas, como a do feminicídio, em vigor desde 2015, os números seguem em patamar elevado.

Priscila tem 22 anos, está no início da vida adulta e, segundo conhecidos, tenta encerrar a relação marcada por ciúmes, controle e brigas frequentes. O desfecho ocorre dentro do espaço que deveria ser o mais seguro: a própria casa. Vizinhos relatam ter ouvido discussões na madrugada, seguidas de barulhos de impacto e choro. A confirmação oficial desses relatos depende agora do inquérito policial.

Feminicídio expõe falhas na proteção às mulheres

A morte de Priscila reacende o debate sobre a eficácia das políticas de proteção às mulheres em situação de violência. O Brasil possui a Lei Maria da Penha desde 2006 e inclui o feminicídio no Código Penal há quase 11 anos, desde 2015. Mesmo assim, as agressões seguem um padrão conhecido: controle psicológico, isolamento, ameaças, espancamentos e, em muitos casos, assassinato.

Especialistas em violência de gênero destacam que a escalada costuma ser previsível, mas ainda pouco interrompida pelo Estado. “Quando uma mulher chega ao ponto de ser morta, quase sempre houve sinais anteriores de abuso físico e emocional”, afirma uma pesquisadora da área, ouvida pela reportagem. Segundo ela, a resposta pública continua fragmentada, com delegacias especializadas sobrecarregadas e casas-abrigo em número insuficiente para a demanda.

O caso de Priscila ganha ainda mais peso em um contexto recente de outro episódio extremo envolvendo sua amiga, que sofre amputação após ser atropelada e arrastada em uma situação de violência. A sequência de agressões, em um mesmo círculo social, evidencia como a violência de gênero assume múltiplas formas: do espancamento ao atropelamento intencional, passando por ameaças, perseguição e tentativas de homicídio. Em ambos os episódios, a reação vem depois do dano irreparável.

Organizações da sociedade civil usam casos como o de Priscila para cobrar respostas concretas. Elas defendem a ampliação de delegacias 24 horas especializadas em atendimento às mulheres, mais equipes de saúde treinadas para identificar sinais de agressão e a integração de dados entre polícia, Justiça e serviços sociais. A avaliação recorrente é de que, apesar de avanços pontuais, a rede de proteção permanece cheia de vazios, especialmente para jovens como Priscila, com pouco acesso a informação, apoio jurídico e autonomia financeira.

Pressão por mudanças e próximos passos da investigação

A prisão do companheiro de Priscila, ainda na unidade de saúde, demonstra ação rápida das forças de segurança, mas não responde à pergunta central: por que a proteção não chegou antes? O suspeito permanece detido enquanto a polícia coleta depoimentos de familiares, amigos e vizinhos, e aguarda laudos periciais. O exame de corpo de delito deve detalhar o padrão das agressões, o intervalo de tempo entre os ferimentos e a provável causa da morte, informações essenciais para a denúncia do Ministério Público.

Autoridades estaduais prometem reforçar campanhas de conscientização e qualificar o atendimento em serviços de saúde, porta de entrada de muitas vítimas. A expectativa é de que o caso seja incluído em estatísticas oficiais de feminicídio de 2026, ano em que o país já monitora, mês a mês, os impactos da violência de gênero. A depender da repercussão, assembleias legislativas e o Congresso podem enfrentar pressão maior por mudanças em medidas protetivas, monitoramento eletrônico de agressores e ampliação de recursos para a rede de acolhimento.

A morte de Priscila também se torna um ponto de referência em debates escolares, campanhas comunitárias e ações de movimentos de mulheres em São Paulo. Grupos organizam vigílias, atos simbólicos e rodas de conversa para discutir como reconhecer sinais de abuso e como buscar ajuda antes que o ciclo de violência avance. A história da jovem de 22 anos se junta a milhares de outras, muitas sem nome, que compõem a estatística brutal do feminicídio no país.

O inquérito policial segue em andamento, sem prazo divulgado para conclusão. A Justiça decide nos próximos dias se mantém a prisão preventiva do suspeito enquanto o Ministério Público prepara a denúncia. A pergunta que permanece, em meio a números, campanhas e promessas, é por quanto tempo mulheres como Priscila continuarão morrendo dentro de casa, apesar de o perigo ser conhecido e anunciado em tantos sinais ignorados.

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