Sob críticas, Paulo Henrique vive início de ano turbulento no Vasco
Paulo Henrique, lateral-direito do Vasco e destaque da temporada 2025, vira alvo de críticas após atuação abaixo do esperado na derrota para o Fluminense, no domingo, 22 de fevereiro de 2026. O desempenho reacende dúvidas sobre sua recuperação física depois de lesão e aumenta a pressão em São Januário.
Da seleção ao questionamento em 90 minutos
O lateral chega ao clássico cercado pela lembrança recente de um 2025 brilhante, com convocações para a Seleção Brasileira e até gol marcado com a camisa amarelinha. A imagem de jogador em ascensão, visto como um dos principais ativos do elenco, contrasta com a versão insegura que aparece no duelo contra o Fluminense.
O confronto, disputado no estádio que recebe o clássico carioca neste domingo, expõe um Paulo Henrique distante do ritmo que o projetou. A lesão sofrida no início da temporada atrasa o retorno à forma física ideal e se traduz em erros técnicos e decisões tardias, sobretudo na saída de bola, setor em que o Vasco mais sofre ao longo dos 90 minutos.
O Fluminense assume o controle desde os primeiros movimentos. A equipe tricolor pressiona alto, força falhas na construção vascaína e transforma cada recuo apressado em risco. A maior parte das investidas nasce de equívocos na saída de jogo, muitos deles pelo lado defendido por Paulo Henrique, que hesita em oferecer opção de passe e perde divididas em velocidade.
A vantagem tricolor se consolida aos 31 minutos do primeiro tempo. Em escanteio ensaiado, Bernal desvia de cabeça e encontra Kevin Serna livre para concluir no canto de Léo Jardim. O gol premia o domínio territorial do Fluminense e aprofunda a sensação de desorganização defensiva do Vasco, que reage de forma desordenada, apostando em cruzamentos e bolas paradas.
O melhor momento vascaíno surge em chute de fora da área de Johan Rojas, que obriga Fábio a boa defesa. A tentativa isolada evidencia a dificuldade do time em transformar posse em chances claras. Nas laterais, o apoio de Paulo Henrique é tímido e abre espaço às críticas nas arquibancadas e, sobretudo, nas redes sociais.
Atuação abaixo da média vira termômetro da paciência da torcida
As reações digitais começam ainda durante o jogo e ganham força após o apito final. Torcedores do Vasco associam a atuação de Paulo Henrique a um início de ano aquém das expectativas. Depois de 2025 espetacular, o lateral entra em 2026 lesionado, perde semanas importantes de preparação e volta sem o mesmo arranque.
Nas redes sociais, termos como “irreconhecível” e “três centavos” se repetem em comentários sobre o camisa vascaíno. A expressão, usada para descrever o atual rendimento do jogador em comparação ao auge recente, sintetiza o clima de frustração com o desempenho individual e coletivo. A cobrança se dirige também à comissão técnica, acusada de acelerar o retorno do atleta.
A derrota para o Fluminense ocorre em meio a um ambiente já pressionado. Em 23 de fevereiro, um dia após o clássico, torcedores discutem nas redes quem seria o substituto ideal para Fernando Diniz, alvo de contestação crescente. A discussão sobre o comando técnico se mistura à avaliação do elenco, e o nome de Paulo Henrique aparece como símbolo dessa fase de transição.
O jogo, que termina com expulsão de Bernal após falta em contra-ataque puxado por Adson, também reforça a percepção de um time emocionalmente descontrolado. A própria Ferj divulga na segunda-feira, 23, a súmula com o relato de que o jogador “partiu para cima” do adversário, o que alimenta debates sobre disciplina e organização em campo.
A comparação com outros personagens do futebol carioca potencializa o incômodo. No mesmo fim de semana, torcedores do Flamengo reagem à atitude de Arrascaeta, classificada como “estranha”, enquanto palmeirenses comentam a postura de Carlos Miguel com a frase “Ele aprendeu”. O contraste com figuras em alta ou em debate reforça a sensação de que Paulo Henrique, antes exemplo de ascensão, entra no bloco dos observados com desconfiança.
Pressão crescente e temporada em aberto
O desempenho do lateral em um único clássico não determina, por si só, o rumo da temporada, mas funciona como alerta interno. A comissão técnica precisa equilibrar a necessidade de resultados imediatos com a gestão física de um jogador que, aos 25 anos, ainda é visto como ativo importante para o clube, inclusive em futuras negociações.
A sequência do calendário, com jogos decisivos pelo estadual e, depois, competições nacionais, reduz a margem para novos tropeços. Cada rodada sem boa atuação de Paulo Henrique tende a alimentar o debate sobre alternativas no elenco e eventuais mudanças de esquema. Internamente, o departamento médico e a preparação física são pressionados a apresentar prazos claros para a plena recuperação do lateral.
A relação com a torcida também entra em ponto crítico. A mesma arquibancada que celebra convocações para a Seleção Brasileira, em 2025, agora reage com impaciência a cruzamentos errados e desarmes perdidos. A reconstrução dessa confiança passa por sinais visíveis em campo: intensidade sem bola, participação ofensiva mais agressiva e redução de falhas na saída de jogo.
O clube convive ainda com o desafio de administrar a exposição pública do atleta. Cada lance viralizado, cada compilado de erros ou críticas com termos como “três centavos”, amplia o desgaste psicológico. O risco é transformar uma oscilação física, comum após lesão, em crise de confiança prolongada.
Os próximos jogos indicam se a noite ruim contra o Fluminense entra para a conta das turbulências momentâneas ou marca uma virada de chave na trajetória de Paulo Henrique no Vasco. A resposta, dentro e fora de campo, ajuda a definir não só o papel do lateral em 2026, mas também o quanto o clube está disposto a proteger um de seus protagonistas recentes em meio à impaciência crescente de uma torcida acostumada a cobrar rápido e alto.
