Uefa suspende Prestianni após acusação de racismo contra Vinicius
A Uefa suspende de forma provisória o lateral Gianluca Prestianni, do Benfica, acusado de chamar Vinicius Júnior de “macaco” no primeiro jogo contra o Real Madrid. A decisão é anunciada a menos de 24 horas da partida de volta da Champions League, marcada para 24 de fevereiro de 2026, em Madrid. A entidade tenta esvaziar o clima de vingança que se forma no entorno do confronto.
Suspensão às vésperas do jogo em Madrid
O anúncio sai no momento em que o clima ao redor da partida atinge o limite. Organizadas do Real Madrid se mobilizam há dias para um grande protesto contra o jogador argentino. Nas redes sociais, Prestianni vira alvo de ameaças explícitas, com mensagens que prometem fazer o lateral “pagar” pela ofensa racista diante do mundo.
A direção do Benfica já havia pedido proteção redobrada para a delegação em Madrid, com foco no lateral de 19 anos. A preocupação é compartilhada por autoridades locais e pela própria Uefa, que vê o risco de confronto entre torcedores dentro e fora do estádio. A partida vale vaga na fase de grupos da Champions, e o Real entra em campo com a vantagem de 1 a 0 construída em Lisboa, com gol de Vinicius.
O episódio que leva à suspensão ocorre no primeiro jogo, em Portugal. Sob vaias intensas, Vinicius comemora o gol perto da torcida do Benfica, que o insulta desde o aquecimento. Prestianni se aproxima, ergue a camisa até a boca e, segundo a denúncia, chama o brasileiro de “macaco”, tentando evitar qualquer leitura labial.
Vinicius reage imediatamente e procura o árbitro para relatar a ofensa. O jogo fica paralisado por cerca de 10 minutos. Kylian Mbappé, que atua pelo Real, confirma o relato do companheiro. “Ele disse ‘macaco’. Eu ouvi”, declara o francês, ainda à beira do gramado, em entrevista para a transmissão internacional. As imagens da tensão correm o mundo.
Pressão, imagem e o combate ao racismo
A interrupção de 10 minutos no primeiro jogo serve como alerta para a Uefa. As emissoras globais que transmitem a Champions veem o risco de novo colapso de imagem em horário nobre, desta vez em Madrid. O encontro entre Vinicius e o acusado de racismo promete transformar o gramado em palco de revanche, com câmeras prontas para explorar cada gesto, cada olhar.
A entidade decide agir antes da bola rolar. A suspensão provisória tenta tirar combustível de um jogo que ameaça transbordar do futebol para a violência. Sem Prestianni em campo, a Uefa busca reduzir o foco no indivíduo acusado e proteger o jogador ofendido, que volta a conviver com cânticos de ódio na Espanha. No sábado anterior, na derrota do Real Madrid para o Osasuña, torcedores rivais entoam “Morra Vinicius Júnior, morra!” por vários minutos. A Liga Espanhola abre investigação, mais uma na longa lista de casos envolvendo o atacante.
O Benfica reage com cuidado. Em nota oficial, o clube “lamenta” a suspensão enquanto o processo ainda está em investigação, promete apresentar recurso, mas admite que a medida dificilmente será revertida a tempo da partida em Madrid. Ao mesmo tempo, reafirma o “compromisso inabalável no combate a qualquer forma de racismo ou discriminação” e cita figuras históricas como Eusébio para sustentar esse discurso.
Com a decisão, o Benfica perde o lateral titular justamente no jogo em que precisa vencer por dois gols de diferença para se classificar sem pênaltis. Dirigentes do clube, porém, reconhecem nos bastidores que o clima sem Prestianni em campo tende a ser menos hostil. A equipe entra pressionada pelo resultado, mas sem a sombra de um confronto direto entre acusado e vítima diante de torcidas inflamadas.
Clima mais controlado e disputa em aberto
A medida da Uefa altera a narrativa da partida. O foco deixa de ser o duelo pessoal entre Vinicius e Prestianni e volta a recair sobre o campo. O Real Madrid busca confirmar a vaga com a vantagem mínima de 1 a 0. O Benfica precisa de pelo menos dois gols em 90 minutos para evitar a eliminação precoce e preservar o prêmio milionário da fase de grupos, que supera a casa das dezenas de milhões de euros.
O alívio é sentido também na segurança pública. Sem o argentino em campo, autoridades espanholas esperam manifestações mais contidas, sem as cenas de perseguição prometidas por grupos radicais. A pressão sobre Vinicius, porém, não desaparece. Ele segue como alvo recorrente nas arquibancadas, símbolo de um embate aberto entre racismo e reação institucional no futebol europeu.
Vinicius não se pronuncia até o início da tarde desta segunda-feira, véspera da partida. O silêncio contrasta com o barulho das redes sociais e com a expectativa dos patrocinadores, das emissoras e da própria Uefa. A entidade tenta mostrar resposta rápida, depois de anos criticada por medidas tímidas contra casos de racismo em estádios.
A investigação sobre Prestianni continua, e o lateral ainda pode pegar punição mais longa caso a acusação seja confirmada. O Benfica insiste na defesa do jogador, enquanto tenta administrar o desgaste da sua imagem global, construída também sobre ídolos negros. O Real Madrid se coloca ao lado de Vinicius e cobra punições firmes, atento à repercussão internacional de cada novo episódio.
O apito inicial em Madrid não encerra a história. A suspensão provisória tira um personagem de cena, mas não resolve a questão central: até onde o futebol europeu está disposto a ir para proteger seus jogadores do racismo? A resposta começa a ser escrita no gramado e nos tribunais da Uefa, sob os olhos do mundo.
