São Paulo negocia renovação e aposta em Lucas para Choque-Rei
O São Paulo negocia a renovação de contrato de Lucas Moura e trabalha com a perspectiva de tê-lo em campo no Choque-Rei deste domingo, semifinal do Paulistão 2026, na Arena Barueri, com gramado sintético. A decisão final sobre a escalação cabe a Hernán Crespo, mas a cúpula tricolor demonstra confiança na presença do camisa 7 no jogo eliminatório contra o Palmeiras.
Negociação em andamento e pressão do jogo único
Rui Costa, diretor executivo de futebol do São Paulo, confirma nesta tarde, após reunião do Conselho Técnico na sede da Federação Paulista, que o clube já abriu conversas formais para manter Lucas por mais tempo no Morumbi. O atual vínculo caminha para a reta final, e a discussão mira uma extensão de uma ou duas temporadas, em linha com o que o clube considera compatível com seu orçamento para 2026 e 2027.
O dirigente evita dramatizar, mas deixa claro o tamanho do protagonista que tenta segurar. “O Lucas é um jogador que é fundamental, como o Calleri é fundamental”, afirma Rui Costa, ao comentar o peso do camisa 7 no elenco. “O Lucas já sabe do nosso interesse, seus representantes já sabem que nós queremos que ele permaneça e isso vai acontecer naturalmente”, completa, em tom de confiança.
As conversas, descritas como iniciais, seguem em ritmo considerado tranquilo pela diretoria, que diz ter prazos internos para ajustar números e prêmios. “Nós temos prazos internos, temos que construir uma questão muito clara em termos de orçamento. São jogadores que conquistaram o direito de ter uma remuneração significativa, importante”, explica Rui, ao tratar do impacto financeiro da renovação de um atleta de elite, com histórico de Europa e status de ídolo recente da torcida.
A definição contratual, porém, não se confunde com a urgência esportiva de domingo. Às 20h30 (de Brasília), São Paulo e Palmeiras se enfrentam em jogo único na Arena Barueri, valendo vaga na final do Paulistão. O vencedor encara Novorizontino ou Corinthians, que duelam na outra semifinal. O gramado sintético, que já tirou Lucas desse mesmo palco na derrota tricolor por 3 a 1 no mês passado, volta ao centro do debate às vésperas da decisão.
Gramado sintético deixa de ser obstáculo em jogo eliminatório
Lucas ficou fora da partida anterior em Barueri justamente pela preocupação com o piso artificial, que costuma agravar o impacto físico nos joelhos e tornozelos, principalmente em atletas com histórico de lesões. A escolha, naquele momento, carregava um componente de preservação a médio prazo. Agora, com a semifinal em jogo único e a temporada em marcha, o cenário é outro.
Rui Costa admite que a condição do campo é desconfortável para o elenco, mas faz questão de esvaziar qualquer discurso de desculpa antecipada. “O fato de jogar em Barueri num gramado sintético é a condição que nós temos, o adversário conquistou o direito de jogar no seu estádio e o São Paulo tem que enfrentar o Palmeiras em qualquer lugar”, afirma. A mensagem mira a torcida e o próprio vestiário: o clube não pretende usar o piso como álibi se o resultado não vier.
O executivo lembra que o peso da partida muda a régua das decisões. “O Lucas é um dos atletas protagonistas do São Paulo e esse é um jogo eliminatório. Então, a decisão se ele vai jogar ou não é do Hernán, mas eu tenho absoluta convicção que todos os atletas, inclusive o próprio Lucas, sabem da importância de estar nesse jogo e de avançar nessa competição”, diz. A fala expõe a linha adotada pelo clube: o aspecto médico é levado em conta, mas a relevância do confronto empurra titularidades para o limite.
O Choque-Rei em Barueri também funciona como um teste de até onde o São Paulo está disposto a ir para competir em igualdade em contextos menos favoráveis. Ao aceitar o risco calculado de usar Lucas em um gramado que não o favorece, a diretoria sinaliza internamente que, em partidas de mata-mata, a prioridade recai sobre o desempenho imediato. Para o elenco, a presença do camisa 7 tende a funcionar como combustível emocional, sobretudo após o tropeço recente no mesmo estádio.
Renovação, moral do elenco e próximos capítulos
A negociação para estender o vínculo de Lucas atravessa o vestiário. A permanência de um nome desse porte, aos olhos dos jogadores, serve como indicativo de que o projeto esportivo do São Paulo não mira apenas o curto prazo do Paulistão. Segurar o protagonista por mais um ou dois anos sugere planejamento voltado também ao Brasileiro e às competições continentais, além de reforçar a ideia de estabilidade em meio a um mercado inflacionado.
Para a torcida, a notícia das tratativas funciona como antídoto em meio às incertezas de começo de temporada. O clube sabe que um acerto definitivo com o camisa 7 tende a reduzir a ansiedade em relação à janela de transferências e a segurar parte das receitas de bilheteria, pay-per-view e produtos licenciados ligadas à imagem do jogador. A exposição do interesse público, porém, aumenta a pressão para que as partes transformem sinalizações em assinatura, algo que ainda não tem data marcada.
O desfecho da semifinal também influencia o tom das negociações. Uma classificação contra o rival, em confronto nacionalmente transmitido por plataformas como a HBO Max, fortalece a posição política da diretoria e cria ambiente favorável para anúncios positivos na sequência. Uma eliminação, sobretudo se vier com Lucas em campo em condição física visivelmente limitada, abre espaço para questionamentos internos sobre a gestão de risco e pode endurecer conversas salariais.
O próximo capítulo se desenha em duas frentes claras. Dentro de campo, Crespo decide nas próximas horas como equilibrar o risco físico de Lucas com a necessidade de criatividade e experiência em um jogo que não permite erros. Fora dele, Rui Costa e a cúpula tricolor organizam números, cláusulas e prazos para transformar otimismo em contrato assinado. Entre o gramado sintético de Barueri e a mesa de negociações no Morumbi, o futuro recente do São Paulo passa, de maneira direta, pelos passos de Lucas Moura.
