Tite mira recuperação no Brasileirão e vaga na final do Mineiro
Tite coloca o Cruzeiro sob clima de decisão em uma mesma semana. O time enfrenta o Corinthians na quarta (25) e o Pouso Alegre no sábado (28), em duelos que podem redefinir a temporada.
Semana decisiva para Cruzeiro e para o técnico
No retorno ao futebol brasileiro após a passagem pela seleção, Tite transforma fevereiro em ponto de virada para o Cruzeiro. Em quatro dias, o time tenta se reerguer no Campeonato Brasileiro contra o Corinthians, no Mineirão, e confirmar presença na final do Campeonato Mineiro diante do Pouso Alegre.
O treinador não esconde o peso dessa sequência. Ao ser questionado sobre a relação com o ex-clube, responde com firmeza e recado direto à torcida celeste. “Eu quero fazer uma história no Cruzeiro, essa é minha resposta”, diz, em tom enfático, tentando deslocar o foco do reencontro com o Corinthians para o projeto em Belo Horizonte.
A programação desta semana expõe a corda bamba típica de início de trabalho em clube grande. O Cruzeiro precisa reagir no Brasileirão, onde soma tropeços recentes, e ao mesmo tempo administrar a vantagem construída na semifinal do Mineiro. A margem para erro se estreita quando os dois objetivos se comprimem em 72 horas.
No vestiário, o discurso é de decisão em dose dupla. Jogadores e comissão técnica tratam a quarta-feira como etapa obrigatória para recuperar confiança nacional, enquanto o sábado aparece como porta de entrada para o primeiro título possível em 2026.
Fôlego, ajustes e a busca por menos erro
A vitória por 2 a 1 sobre o Pouso Alegre, no jogo de ida da semifinal do Mineiro, serve de ponto de partida para o plano de Tite. Em sua reestreia pelo Cruzeiro, apenas dois dias após ser apresentado, o atacante Bruno Rodrigues marca um gol e mostra como o elenco ainda tem espaço para novas funções e parcerias. Lucas Silva completa o placar, enquanto Romarinho diminui para o Pousão.
O resultado dá ao Cruzeiro a vantagem do empate no duelo de volta, no sábado, às 18h30, no Mineirão. O Pouso Alegre precisa vencer por dois gols de diferença para chegar à final de forma direta. A diferença numérica parece confortável, mas Tite insiste em tratar o cenário como perigoso para quem se acomoda.
Na projeção da semana, o treinador coloca a preparação física no centro da estratégia. “Tem quarta e sábado. São dois jogos extremamente importantes. Quero falar desse primeiro passo para chegarmos à final. Mas temos um jogo importante na quarta-feira para nos recuperarmos”, afirma. Ele detalha a prioridade interna: “Tem esse quesito, para ter jogadores fisicamente descansados nos dois jogos. Quando o jogador está fisicamente mais solto, as coisas acontecem de forma natural. Os erros são menores, tu erra menos, consequentemente produz mais.”
O discurso expõe uma marca conhecida do trabalho de Tite, agora aplicada a um elenco ainda em formação: controle de carga, atenção a detalhes e tentativa de diminuir ao máximo as falhas simples. A ideia é que a equipe corrija o desequilíbrio entre intensidade e tomada de decisão, frequente em times que misturam jovens em afirmação e nomes mais rodados.
O jogo contra o Corinthians, na quarta, às 20h, chega como termômetro nacional para esse processo. A partida coloca frente a frente um técnico que constrói sua imagem em títulos e trabalhos de longo prazo e um clube onde ele virou símbolo de conquistas. O reencontro é inevitável na narrativa do futebol, mas o treinador tenta blindar o elenco de um roteiro emocional que não interessa na tabela.
Na prática, Tite precisa usar ao menos parte da base que venceu o Pouso Alegre e dos ajustes testados recentemente. O Cruzeiro tenta encontrar alternativas ofensivas sem abrir mão da segurança defensiva, ponto que o treinador costuma tratar como linha vermelha. Um tropeço aumenta a pressão no Brasileiro; uma vitória devolve fôlego e reforça o discurso de reconstrução em andamento.
Impacto para a temporada e pressão por resultado
O encaixe ou não dessa semana decisiva pode redesenhar o ambiente interno na Toca da Raposa. Uma classificação à final do Mineiro combinada com bom resultado contra o Corinthians tende a fortalecer o trabalho de Tite, dar lastro para novas mexidas no time e atrair de volta torcedores que ainda enxergam o projeto com desconfiança.
O cenário inverso cobra um preço imediato. Um tropeço diante do Corinthians, somado a eventual eliminação contra o Pouso Alegre, coloca a diretoria sob questionamento e amplia o barulho externo. A pressão recai sobre escolhas recentes, de contratações ao planejamento físico, passando pela decisão de entregar o comando a um técnico com currículo pesado e exigência proporcional.
O Mineiro, que costuma ser tratado como laboratório no calendário, ganha peso desproporcional em anos de reformulação. A chance de disputar uma final estadual no Mineirão, diante de mais de 50 mil torcedores, vale mais que a taça em si. Representa prova pública de que o time consegue competir em jogos grandes e sustentar vantagem em mata-mata.
No Brasileirão, cada ponto nesta fase influencia projeções de tabela, objetivo em competições continentais e orçamento para 2027. A campanha deste ano interfere diretamente na capacidade do Cruzeiro de negociar jogadores, atrair reforços e manter Tite com margem para erros pontuais, sem que cada queda vire crise de gestão.
Próximos passos e o projeto de “fazer história”
A rotina da Toca da Raposa nos próximos dias gira em torno de planilhas de desgaste, observação clínica e conversas individuais. Tite e sua comissão tentam equilibrar minutos em campo e estabilidade tática, para não transformar o rodízio em time desfigurado. O treinador trabalha com a ideia de que o Cruzeiro precise chegar inteiro aos 90 minutos de sábado, independentemente do que aconteça na quarta.
Enquanto isso, o clube volta a ganhar espaço também no futebol feminino, com o Cruzeiro em disputa no Brasileirão contra o Santos, em um calendário que espelha a pressão por resultado nas duas frentes. A exposição nacional cresce, e o impacto de cada atuação, positiva ou negativa, reverbera mais rápido nas arquibancadas e nos aplicativos de mensagem, onde o canal oficial do clube mantém a torcida em ebulição diária.
O próprio Tite sabe que a frase “quero fazer uma história no Cruzeiro” deixa de ser apenas promessa à medida que o calendário avança. A história, agora, passa por duas noites de fevereiro, contra Corinthians e Pouso Alegre, em que o time precisa mostrar se está pronto para competir em todas as frentes ou se ainda vive de lampejos e boas intenções.
O desfecho dessa semana não fecha o capítulo, mas define o tom das próximas páginas. O Cruzeiro sai dela fortalecido e em rota de títulos, ou segue preso à sensação de que a reconstrução ainda não começou de fato.
