Mãe é presa na Flórida após deixar filhos com motorista por 2h
Uma mãe de 32 anos é presa na Flórida, em 22 de fevereiro de 2026, após deixar os dois filhos pequenos sob os cuidados de um motorista de aplicativo por mais de duas horas. A polícia afirma que ela abandona as crianças para beber em um restaurante e é localizada embriagada a mais de três quilômetros de distância.
Motorista aciona polícia após promessa de retorno em “três minutos”
Emily Sabogal entra no carro já aparentando embriaguez, segundo relato do motorista às autoridades e à imprensa local. Ela segura um copo com bebida de cheiro forte, descrita como rum, e pede que o trajeto seja alterado, desviando da rota indicada pelo GPS até um restaurante na região.
No meio do caminho, Sabogal pega o celular do motorista, cancela a corrida e entrega US$ 10 em dinheiro. Diz que vai descer “por apenas três minutos” e deixa no banco de trás os dois filhos, de 4 e 3 anos, sob a responsabilidade de um desconhecido. Não volta.
Os minutos viram quase uma hora. O motorista tenta contato, insiste em ligações, até que consegue falar com a passageira. Ela promete retornar em 12 minutos, mas desaparece novamente. Enquanto aguarda, o motorista observa as crianças, que começam a demonstrar fome e sede, e percebe que a mãe não dá sinais de que pretende reassumir o cuidado dos filhos.
Com o relógio avançando e sem resposta às novas ligações, ele decide acionar o serviço de emergência. Quase duas horas se passam desde que Sabogal sai do carro. Policiais chegam ao local e encontram as crianças ainda dentro do veículo, cansadas, com fome e sede, mas sem ferimentos aparentes. O relato consta em imagens de câmera corporal divulgadas por emissoras como a CBS News.
Acusações de negligência e debate sobre responsabilidade parental
As buscas pela mãe se concentram nas ruas próximas ao restaurante indicado pelo motorista. Sabogal é encontrada a mais de três quilômetros de distância, caminhando nas imediações de um McDonald’s. Os policiais descrevem uma mulher cambaleante, com dificuldade para falar, cheiro de álcool no hálito e incapaz de explicar por que deixou as crianças no carro nem como foi parar ali.
Aos olhos das autoridades da Flórida, o caso não é um mero excesso de bebida. Sabogal responde a uma acusação de crime de negligência infantil e a duas acusações de abandono de menor. Na prática, o Ministério Público local enquadra a conduta como exposição deliberada das crianças a risco grave, pela decisão de deixá-las com um desconhecido por um período prolongado enquanto, segundo a polícia, ela bebia em um restaurante.
A prisão ocorre em 22 de fevereiro de 2026. Dois dias depois, em audiência judicial, ela paga fiança de US$ 1.500 por acusação, um total de US$ 4.500, cerca de R$ 23,4 mil na cotação atual, e é liberada para responder ao processo em liberdade. A Justiça impõe condições, que podem incluir comparecimento periódico e restrições de contato, enquanto o caso segue em tramitação.
A narrativa concentra, em poucas horas, temas que mobilizam autoridades e especialistas em proteção à infância. O episódio expõe um ponto de ruptura na confiança social: um trabalhador de aplicativo, que deveria apenas levar passageiro e criança a um destino, se vê encarregado de decidir o que fazer diante do abandono explícito. Ao acionar a polícia, ele transforma uma situação incômoda em caso criminal e coloca em foco a responsabilidade coletiva pela segurança de menores.
Em estados como a Flórida, leis de proteção infantil permitem intervenção rápida quando há sinais de negligência. Isso inclui desde a abertura de inquérito criminal até eventual atuação de serviços sociais. Situações de abandono, mesmo que por poucas horas, costumam ser tratadas como fator de risco relevante, sobretudo quando envolvem crianças abaixo de 5 anos.
Pressão por políticas de proteção e vigilância sobre uso de apps
O caso de Emily Sabogal se torna mais um exemplo usado por autoridades e organizações de defesa da infância para cobrar respostas práticas. A discussão se desloca da cena individual para o ambiente em que ela acontece: corridas de aplicativo, sem protocolos claros sobre como proceder quando responsáveis deixam menores sozinhos com motoristas.
Empresas do setor já enfrentam questionamentos sobre transporte de crianças desacompanhadas, mas situações como a registrada na Flórida expõem uma zona cinzenta. O motorista, neste episódio, assume um papel improvisado de cuidador, sem preparo específico nem obrigação formal para isso, enquanto tenta equilibrar o dever de proteção àquelas crianças com a própria segurança e a necessidade de continuar trabalhando.
Autoridades locais indicam que episódios assim tendem a pressionar por regras mais rígidas. A discussão inclui desde exigência de comunicação imediata às polícias em casos de abandono até parcerias com conselhos tutelares, serviços sociais e linhas diretas para relatos de risco infantil. Também ganha espaço o debate sobre suporte a famílias vulneráveis, em especial onde o uso abusivo de álcool e outras drogas se mistura com a rotina de cuidado dos filhos.
O impacto se espalha para além da Justiça criminal. Dependendo da conclusão das investigações, Sabogal pode enfrentar restrições severas de guarda, acompanhamento por serviços sociais e inclusão das crianças em programas de proteção. A decisão judicial vai indicar se o episódio é tratado como um desvio isolado ou como sintoma de um padrão de negligência.
Próximos passos no processo e perguntas em aberto
O processo contra Emily Sabogal agora entra na fase de coleta de depoimentos e análise de provas, incluindo as imagens de câmera corporal dos policiais e o registro da ligação de emergência feita pelo motorista. A promotoria avalia se busca um acordo que imponha tratamento e acompanhamento familiar ou se leva o caso a julgamento com pedido de condenação e penas mais duras.
Enquanto isso, órgãos de proteção à infância na Flórida monitoram a situação das duas crianças, hoje afastadas daquele episódio de risco imediato, mas ainda no centro da disputa judicial que envolve a mãe. A repercussão do caso mantém em aberto uma questão incômoda para autoridades, empresas de tecnologia e sociedade: quem responde, e como, quando o elo mais frágil dessa cadeia é justamente quem deveria ser mais protegido.
