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Hugo Souza vive noite de herói e vilão na classificação do Corinthians

Hugo Souza alterna entre herói e vilão na classificação do Corinthians sobre a Portuguesa, neste domingo (22), no Canindé, pelas quartas de final do Paulistão. O goleiro defende um pênalti, falha no gol da Lusa e volta a decidir nos tiros da marca da cal.

Uma noite em que tudo passa pelas luvas do goleiro

O jogo começa travado, nervoso, com a Portuguesa tentando controlar a bola e o Corinthians reagindo em blocos, sem conseguir acelerar. Nesse cenário de equilíbrio tenso, o goleiro do Timão vira protagonista muito cedo. Aos 15 minutos, ele evita o primeiro golpe quando sai rápido nos pés de Maceió, em lance de mano a mano, e mantém o placar zerado.

O alívio dura pouco. Aos 23, Renê invade a área, tenta o drible e cai após contato. O árbitro aponta a marca da cal e o estádio prende a respiração. O próprio Renê coloca a bola para bater. Hugo escolhe o canto esquerdo, se estica e encaixa a cobrança com firmeza. O Canindé, majoritariamente rubro-verde, sente o baque; o banco corintiano explode. Com a defesa, o goleiro chega a 12 pênaltis defendidos com a camisa do Corinthians, marca que consolida a imagem de especialista em momentos de alta pressão.

A defesa alimenta a narrativa de segurança que acompanha Hugo desde a chegada ao clube. Nas redes sociais, torcedores destacam o desempenho em pênaltis e reforçam a confiança no camisa 1 em jogos eliminatórios. A vantagem psicológica parece pender para o lado alvinegro, mesmo com a Portuguesa melhor na construção das jogadas.

O roteiro muda aos 37 minutos. Em bola levantada na intermediária, André Ramalho erra o tempo do cabeceio e apenas desvia, sem afastar o perigo. A sobra cai nos pés de Renê, que ajeita rápido e encontra Zé Vitor na entrada da área. O meia da Lusa bate de primeira, rasteiro, forte, em direção ao canto. A bola passa muito perto dos braços de Hugo, que salta, toca no gramado e vê a rede balançar.

O estádio acorda. A Portuguesa abre 1 a 0 e leva a vantagem para o intervalo. Nas redes, parte da torcida do Corinthians reage na mesma velocidade da jogada. Alguns chamam o lance de “frango”, outros apontam a origem do problema na falha de Ramalho. O debate se instala: até que ponto o goleiro poderia ter evitado o gol?

Pressão, reação e uma disputa de pênaltis quase interminável

O segundo tempo começa com a Portuguesa em vantagem e mais confortável. O time da casa segura a bola, gira de um lado para o outro e força o Corinthians a correr atrás. Dorival Júnior mexe no ataque, coloca Pedro Raul na vaga de Memphis e tenta dar profundidade ao time. A mudança produz algum efeito, mas o Corinthians encontra dificuldade para transformar posse em chances claras.

A Lusa não se retrai. Segue rondando a área de Hugo, testando a concentração do goleiro que já viveu extremos na mesma noite. O Corinthians, por sua vez, parece mais pesado, carrega o placar e o risco de ver o projeto de temporada sofrer um abalo logo no estadual. A classificação para a semifinal do Paulistão vale mais que a vaga: representa fôlego político, moral no elenco e tempo para ajustes antes das competições nacionais.

O relógio corre contra o time de Itaquera. Nos acréscimos, quando o cenário aponta para uma eliminação precoce, surge o respiro. Matheuzinho recebe na direita e lança nas costas de João Vitor. Vitinho domina, ajeita o corpo e finaliza cruzado. A bola entra, o 1 a 1 se firma e o jogo ganha contornos de drama clássico. O empate leva a decisão para os pênaltis e devolve à figura de Hugo Souza o papel central da noite.

A série de cobranças se estende muito além das cinco batidas tradicionais. Garro erra o primeiro chute do Corinthians, e o peso recai sobre os colegas que vêm depois. A cada acerto, a corda se equilibra de um lado e de outro. Zé Vitor converte para a Lusa, Vitinho responde, Renê desperdiça, Matheuzinho iguala. Os nomes se repetem no gramado, agora diante da marca da cal: Eric Botteghin, Gustavo Henrique, Pedro Raul, Maceió, Ramalho, Hudson, Kayke, Salomão, André, Carlos Lima, Allan. São mais de dez cobranças para cada lado, um teste prolongado de nervos.

No fim da fila, quando qualquer erro significa eliminação, a decisão volta para dentro da área. Cauari caminha devagar até a bola. O silêncio pesa para além do estádio, ecoa em milhares de telas. Ele bate, Hugo salta, espalma e encerra o duelo. O Corinthians confirma a vaga na semifinal, e o goleiro, criticado minutos antes, sai abraçado pelos companheiros.

Debate sobre o goleiro expõe os extremos do futebol

A atuação de Hugo Souza condensa, em 90 minutos e uma longa disputa de pênaltis, a lógica cruel do jogo de alto nível. Um braço que não alcança a bola aos 37 minutos vira motivo de críticas, memes e rótulos apressados. Uma mão firme na cobrança decisiva transforma o mesmo jogador em herói instantâneo. O intervalo entre o questionamento e o elogio cabe em exatos 12 passos, a distância entre a marca do pênalti e o gol.

Para o Corinthians, o desfecho mantém viva a campanha no Campeonato Paulista e preserva o ambiente interno. A classificação sustenta o discurso de “time cascudo” em mata-mata e reforça a confiança em decisões, um ativo relevante para 2026, ano em que o clube também mira o Brasileirão e competições continentais. A sequência no estadual dá a Dorival Júnior mais jogos de peso para consolidar o sistema defensivo, ainda exposto em falhas pontuais como a de Ramalho no gol da Portuguesa.

No lado rubro-verde, a eliminação pesa justamente porque a atuação coletiva convence durante boa parte do confronto. A Portuguesa controla o primeiro tempo, cria chances, abre o placar e sustenta a vantagem até os acréscimos. Sai de campo com a sensação de que esteve a poucos minutos de uma classificação histórica, desperdiçada em um único lance e em uma disputa de pênaltis que escapa por detalhes.

A reação nas redes sociais passa a refletir não apenas o desempenho de Hugo, mas também a cultura de julgamento imediato que acompanha o futebol atual. Comentaristas e torcedores discutem se o rótulo de “frango” faz sentido no gol de Zé Vitor ou se a análise precisa considerar a falha anterior de André Ramalho e a força da finalização. A mesma timeline que dispara críticas durante o jogo celebra o goleiro após a defesa decisiva.

Corinthians avança com dúvidas e certezas em torno de Hugo

A vaga na semifinal abre nova fase para o Corinthians, que volta a campo pressionado a mostrar evolução. O time sabe que não pode depender sempre de uma noite inspirada do goleiro e de gols nos acréscimos. A comissão técnica precisa reduzir as brechas defensivas que permitem finalizações limpas de fora da área e expõem o time a riscos desnecessários.

Hugo, por sua vez, sai fortalecido e questionado ao mesmo tempo. A estatística de 12 pênaltis defendidos com a camisa do clube alimenta a imagem de especialista em decisões. A falha no gol sofrido mantém aberto o debate sobre posicionamento e leitura de lance. A fronteira entre erro e redenção, exibida em tempo real diante de milhões de torcedores, será o pano de fundo para as próximas atuações. Na sequência do Paulistão, cada defesa ou bola vazando ao lado de seus braços vai atualizar a resposta para uma pergunta simples e ainda em aberto: até onde o Corinthians pode ir com Hugo Souza como protagonista?

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