Vasco demite Fernando Diniz após derrota para o Fluminense no Carioca
O Vasco demite o técnico Fernando Diniz e sua comissão na noite deste domingo (22), após a derrota por 1 a 0 para o Fluminense, no Nilton Santos, pela semifinal do Campeonato Carioca. A decisão é imediata e encerra a segunda passagem do treinador pelo clube, marcada por aproveitamento de 42% e queda de rendimento desde o fim de 2025.
Derrota no clássico acelera ruptura
A diretoria do Vasco deixa o estádio já com a decisão tomada. A derrota no clássico, em um jogo que valia vaga na final do Carioca, funciona como gatilho para uma mudança que vinha sendo amadurecida desde o início da temporada. O time apresenta desempenho irregular, sofre para criar chances claras e não consegue sustentar vantagem nos jogos decisivos.
Fernando Diniz assume o clube em maio de 2025 com a missão de recolocar o Vasco em rota de protagonismo nacional. Conduz o time à final da Copa do Brasil, perdida para o Corinthians, e garante a equipe na 14ª posição do Brasileirão, com 45 pontos e vaga na Copa Sul-Americana. O roteiro, no entanto, deixa de empolgar quando o calendário vira para 2026.
O início do ano mostra um Vasco travado. O time acumula resultados ruins, oscila fisicamente e apresenta falhas defensivas repetidas. Nas quartas de final do próprio Carioca, a equipe precisa dos pênaltis para eliminar o Volta Redonda, após atuação insegura. A classificação alivia a pressão por alguns dias, mas não interrompe a desconfiança sobre o trabalho.
A derrota por 1 a 0 para o Fluminense, em um estádio Nilton Santos dividido, cristaliza a sensação de que o projeto se esgota. O Vasco cria pouco, cede espaços no meio-campo e volta a demonstrar dificuldade para reagir em desvantagem. A queda na semifinal, somada à ausência de títulos desde a chegada de Diniz, pesa na avaliação do comando do futebol.
Números, contexto e fim de ciclo
Diniz deixa o Vasco após 54 partidas nesta segunda passagem: são 18 vitórias, 14 empates e 22 derrotas, com 73 gols marcados e 72 sofridos. O aproveitamento de 42% está abaixo do esperado para um elenco montado para brigar na parte de cima das competições nacionais e regionais. A equipe vive momentos de brilho ofensivo, mas não sustenta regularidade nem consistência defensiva.
O balanço do período expõe um time mais competitivo em mata-mata do que em pontos corridos. Na Copa do Brasil de 2025, o Vasco elimina adversários pesados, chega à decisão e termina com o vice-campeonato diante do Corinthians. No Brasileirão, porém, estaciona em 45 pontos, longe da zona de rebaixamento, mas também distante da briga por vaga na Libertadores. A classificação para a Sul-Americana surge mais como consolo do que como conquista planejada.
A relação entre clube e treinador também carrega o peso da história recente. Em 2021, na primeira passagem, Diniz assume o Vasco na reta final da Série B. Comanda uma reação curta, melhora o desempenho, mas não consegue o acesso à Série A. A frustração daquele período volta ao debate entre conselheiros e torcedores nesta nova despedida.
Ao lado de Diniz, deixam o clube os auxiliares Ricardo Cobalchini e Evandro Fornari, além do preparador físico Wagner Bertelli. A saída em bloco desmonta a estrutura de trabalho montada desde maio de 2025 e obriga o Vasco a reorganizar o departamento de futebol às vésperas do início do Brasileirão. Internamente, o diagnóstico é de fim de ciclo e necessidade de “virar a chave” para evitar que a apatia em campo contamine o restante da temporada.
Dirigentes admitem, em caráter reservado, que o desgaste não é apenas técnico. A pressão da torcida cresce a cada tropeço, as redes sociais amplificam críticas e a cobrança por resultados imediatos atinge o vestiário. O ambiente, descrito como “tenso” por pessoas próximas ao elenco, contribui para acelerar a ruptura.
Impacto esportivo e riscos para a temporada
A saída de Diniz em pleno estadual altera o planejamento traçado para 2026. O Vasco ainda disputa o Campeonato Carioca e mira uma campanha mais estável no Brasileirão, no qual termina o ano anterior em 14º lugar. A troca de comando às vésperas do início da competição nacional eleva o grau de incerteza sobre o desempenho do time nas próximas rodadas.
O clube aposta no interino Bruno Lazaroni para conduzir o elenco enquanto busca um novo treinador. Lazaroni, que já acumula experiências em comissões técnicas no Brasil e no exterior, assume a missão de estabilizar o ambiente, reorganizar o time em campo e impedir nova sequência de resultados negativos. A margem para erros é curta, sobretudo diante da pressão da torcida e da necessidade de manter as finanças equilibradas com premiações e avanços em competições.
A diretoria sabe que uma nova temporada de meio de tabela no Brasileirão compromete receitas de bilheteria, patrocínios e exposição. O vice-campeonato da Copa do Brasil de 2025 injeta recursos importantes nos cofres, mas não se repete em 2026 se o time não conseguir competitividade imediata. O risco de um ano morno preocupa quem monitora o fluxo de caixa do clube.
No vestiário, a mudança de comando abre espaço para disputa de posições e redefinição de hierarquias. Jogadores que perdem espaço com Diniz podem ganhar nova chance com Lazaroni ou com o futuro treinador. Líderes do elenco passam a ter papel ainda mais relevante na tarefa de manter o grupo unido e blindado de crises externas.
Torcedores, que cobram desempenho mais consistente desde o fim da última temporada, acompanham o processo com expectativa e desconfiança. A demissão de um técnico conhecido pelo estilo ofensivo e pelo discurso de protagonismo reacende o debate sobre o rumo esportivo do Vasco, sua política para treinadores e a capacidade de executar projetos de longo prazo.
Busca por substituto e incertezas no horizonte
A diretoria ainda não anuncia o nome do substituto. Dirigentes mapeiam o mercado em busca de um técnico capaz de entregar resultados rápidos e, ao mesmo tempo, oferecer perspectiva de continuidade. O desafio envolve conciliar orçamento, perfil tático e capacidade de lidar com a pressão cotidiana em São Januário.
O mercado de treinadores sente o movimento. A saída de Diniz de um clube de grande torcida mexe no tabuleiro do futebol brasileiro e abre espaço para negociações em cadeia, com possíveis trocas de comando em outras equipes. Empresários e técnicos em busca de espaço observam a situação com atenção.
Bruno Lazaroni, enquanto isso, planeja os próximos treinos com foco em ajustes imediatos. A prioridade é corrigir a instabilidade defensiva, recuperar a confiança do elenco e dar respostas rápidas em campo. Cada jogo até a chegada do novo treinador tende a ser tratado como teste de resistência para jogadores, comissão e diretoria.
A demissão de Fernando Diniz fecha um capítulo que mistura lampejos de bom futebol, vice da Copa do Brasil e frustração no dia a dia. A próxima escolha da cúpula vascaína indicará se o clube consegue transformar a ruptura em oportunidade ou se voltará a repetir o ciclo de trocas frequentes e projetos interrompidos. O torcedor, cansado de promessas, espera que a resposta venha no placar, não apenas no discurso.
