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Ciro Nogueira cobra explicação do PL por retirada de Amin da chapa em SC

O senador Ciro Nogueira (PP) cobra publicamente, neste 22 de fevereiro de 2026, uma explicação clara da direção do PL sobre a chapa em Santa Catarina. A crítica surge após o partido priorizar a candidatura de Carol De Toni ao Senado e deixar Raimundo Colombo Amin fora da composição eleitoral no Estado.

Pressão pública expõe racha na articulação

A cobrança de Ciro Nogueira rompe o tom discreto que costuma marcar as negociações entre PL e Progressistas. Ao exigir uma “palavra” da cúpula liberal, o senador dá sinal de que a mudança na chapa catarinense não é tratada apenas como ajuste tático, mas como quebra de compromisso político firmado nos bastidores.

O pivô da tensão é a decisão do PL de colocar a deputada federal Carol De Toni na cabeça da disputa ao Senado por Santa Catarina e excluir Amin da composição. A alteração, comunicada nos últimos dias sem detalhamento público, redesenha o tabuleiro eleitoral no Estado, que concentra mais de 5 milhões de eleitores e é tratado como reduto estratégico da direita desde 2018.

Ciro Nogueira atua hoje como um dos principais articuladores do bloco de direita no Congresso. Ao levar o desconforto para a arena pública, ele busca constranger a direção do PL e resgatar o capital político de Amin, figura tradicional na política catarinense. A mensagem, segundo interlocutores ouvidos reservadamente, é de que acordos não podem ser alterados em silêncio, sob risco de corroer a confiança entre aliados.

Reconfiguração da chapa e risco à unidade

A decisão de priorizar Carol De Toni consolida o protagonismo do PL na disputa ao Senado em Santa Catarina e reduz o espaço formal de aliados históricos. A deputada, ligada ao núcleo mais ideológico da direita, ganha vitrine nacional e tende a reforçar sua base entre eleitores alinhados ao bolsonarismo, que ainda tem força expressiva no Estado.

Amin, por outro lado, fica sem lugar definido nesse primeiro desenho de 2026. A exclusão não significa, por ora, rompimento formal, mas eleva o custo de qualquer recomposição. Em disputas anteriores, a costura entre PL, PP e outros partidos conservadores foi decisiva para vitórias em primeiro turno em cidades-chaves. A mudança agora é lida por dirigentes como sinal de que o PL pretende testar sua musculatura sem dividir tanto espaço.

Nos bastidores, dirigentes regionais avaliam que a manobra pode ter efeito duplo. De um lado, consolida uma candidatura com discurso mais alinhado à base fiel do partido. De outro, afasta segmentos mais moderados, que enxergam em Amin um perfil de conciliação com outras forças locais. Ciro Nogueira vocaliza esse incômodo ao cobrar transparência e justificativa objetiva da direção nacional do PL.

Ao falar em necessidade de uma “palavra” clara, o senador pressiona por uma explicação que vá além de notas protocolares. A cobrança também mira a imagem pública do PL, que tenta se firmar como maior partido do campo conservador, mas enfrenta críticas recorrentes sobre centralização de decisões e pouca abertura para debate interno.

Transparência em xeque e impacto eleitoral

A disputa em Santa Catarina não se limita a um arranjo local. O Estado é termômetro importante para a estratégia nacional do PL. Em 2022, o desempenho robusto da direita catarinense serviu de vitrine para discursos de alinhamento com o Planalto e projetou nomes hoje influentes no Congresso. Alterar a chapa ao Senado sem explicação detalhada arrisca a narrativa de unidade que o partido tenta sustentar na largada de 2026.

A manifestação de Ciro Nogueira abre uma frente de desgaste que pode se ampliar nas próximas semanas. Caso o PL não apresente uma justificativa convincente, cresce o risco de fraturas regionais e de movimentos de distanciamento em outras praças onde PP e PL dividem espaço. Dirigentes calculam que qualquer fissura visível nas chapas majoritárias pode custar alguns pontos percentuais em colégios decisivos, suficientes para alterar o resultado final de uma disputa acirrada.

A cobrança de transparência também dialoga com o eleitorado. Em um ambiente em que redes sociais amplificam ruídos em poucos minutos, mudanças silenciosas em chapas majoritárias tendem a alimentar versões conflitantes. A narrativa de que decisões são tomadas em círculos fechados, sem explicação pública, desgasta não apenas o PL, mas o campo conservador como um todo.

Analistas ouvidos por partidos da base governista e da oposição avaliam que o episódio pode influenciar alianças futuras. Se o PL insistir em impor candidaturas prioritárias sem negociação clara, siglas como o PP podem reduzir o nível de parceria em disputas municipais e estaduais posteriores. Em Santa Catarina, isso pode significar menos palanques compartilhados, menos tempo de TV somado e uma campanha mais fragmentada.

Próximos movimentos e incertezas

A direção do PL é pressionada a se manifestar ainda nas próximas semanas para conter o desgaste. Integrantes da legenda defendem uma sinalização pública até o fim de março, com explicações sobre os critérios que levaram à priorização de Carol De Toni e sobre o espaço futuro de Amin na aliança. O silêncio prolongado tende a alimentar especulações de ruptura.

Ciro Nogueira, ao arrastar a discussão para o debate público, cria um fato político que não se resolve apenas com reuniões reservadas em Brasília. A partir desta cobrança, qualquer gesto do PL em Santa Catarina será lido como recuo, reafirmação de força ou tentativa de acomodar insatisfeitos. O episódio expõe, mais uma vez, a dificuldade dos partidos em conciliar estratégia nacional, ambições regionais e exigência de transparência. A resposta que virá do PL dirá não apenas o destino da chapa em Santa Catarina, mas até que ponto a direita brasileira consegue administrar suas próprias fissuras às vésperas de uma eleição decisiva.

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