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Quaquá desmente boatos e anuncia R$ 30 mi para indústria do carnaval

O prefeito de Maricá, Washington Quaquá, usa as redes sociais neste 21 de fevereiro de 2026 para desmentir boatos sobre a União de Maricá e anunciar um pacote de R$ 30 milhões em cursos profissionalizantes ligados ao carnaval. A fala ocorre dias após a vitória histórica da escola na Série Ouro e a confirmação do acesso inédito ao Grupo Especial do Rio em 2027.

Vitória na Sapucaí, boatos na internet e recado do patrono

Maricá ainda comemora o título da União de Maricá na Série Ouro quando começam a circular mensagens em redes sociais e aplicativos de conversa sobre supostas mudanças radicais na escola. Os boatos apontam a chegada de nomes consagrados, como o intérprete Neguinho da Beija-Flor e a sambista Tia Surica, como se a diretoria tivesse decidido uma guinada imediata para disputar o título do Grupo Especial. O patrono da agremiação e prefeito da cidade reage em vídeo, gravado em tom informal, para tentar estancar a desinformação.

“Minha gente, aqui ainda não recuperado da vitória, da alegria, da vitória da União de Maricá, subindo pro Grupo Especial. É, dizer que acordei com um monte de fake news aí, de, de Neguinho da Beija Flor vindo ser o cantor da Maricá, o intérprete da Maricá, que enfim, de Tia Surica, imagina? É fake news tentando intrigar”, afirma Quaquá. O prefeito não cita a origem dos boatos, mas aponta uma tentativa de criar atrito dentro e fora da escola em um momento em que a comunidade se organiza para a estreia na elite do carnaval carioca.

Quaquá insiste que a União de Maricá mantém seu planejamento e procura baixar a expectativa em relação à disputa de título logo no primeiro ano no Grupo Especial. “Dizer que nós estamos, estamos chegando devagarzinho, sabemos do nosso papel. É, nós estamos chegando devagar, vamo fazer um belíssimo desfile ano que vem. É, um desfile, é, que vai deixar claro que nós somos uma escola do grupo especial, mas nós não chegamos, inclusive, com nenhuma pretensão de título. Nós vamos fazer um belo carnaval.” A fala funciona como recado à própria torcida e ao mundo do samba: a meta é consolidar presença, não atropelar etapas.

R$ 30 milhões para formação profissional e economia criativa

No mesmo vídeo em que rebate as “fake news”, o prefeito desloca o foco do debate para onde diz enxergar o verdadeiro potencial da vitória na Sapucaí: a economia criativa ligada ao carnaval. Ele anuncia um investimento de cerca de R$ 30 milhões em cursos profissionalizantes para formar mão de obra em diferentes áreas da cadeia produtiva do samba. “Nós vamos fazer um belo carnaval, vamos, de fato, investir, é, cerca de trinta milhões, mas não no desfile. Nós vamos investir em cursos profissionalizantes, pra que nosso povo e nossa cidade vire um polo profissional do carnaval”, explica.

A promessa inclui formação para aderecistas, escultores, artesãos, ferreiros, carpinteiros, costureiras e outros profissionais que trabalham nos barracões, muitas vezes de forma informal e sazonal. A ideia é transformar a empolgação passageira do título em política pública estruturada, com impacto duradouro sobre emprego e renda. Ao direcionar os recursos para capacitação, e não apenas para alegorias e fantasias em um único desfile, a prefeitura tenta ancorar o projeto em argumentos econômicos e não só na euforia da conquista.

Quaquá apresenta o carnaval como indústria e defende que cidades brasileiras ampliem o olhar sobre o tema. “Carnaval é um soft power brasileiro. Brasil e as cidades precisam investir mais no carnaval. É isso que nós estamos dizendo, capitaneados pela Liesa, o carnaval tem e vai cada vez mais ganhar o mundo, e Maricá chega pra contribuir pra isso, né, sabendo vim devagarzinho, pisar nesse chão devagarzinho.” A aposta é que o investimento em qualificação profissional consolide Maricá como referência nacional na produção de carnaval, com potencial de atender outras escolas e eventos culturais além da União de Maricá.

Internacionalização e próximos passos da União de Maricá

O prefeito também revela um plano de internacionalização da União de Maricá e do próprio carnaval carioca, em parceria com a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa). “Nós também vamos, com a União de Maricá, levar a União de Maricá pras principais praças do mundo, sempre convidando uma coirmã, porque nós queremos, junto com a Liesa, junto com um belo trabalho que o Gabriel David vem fazendo à frente da Liesa, nós queremos contribuir pra internacionalização do carnaval e também, obviamente, pegar nossa cantinho ali internacionalizar Maricá, fazer de Maricá essa cidade mundial”, afirma.

Na prática, o projeto prevê apresentações da escola em diferentes países, em circuitos culturais e turísticos, com a participação de outras agremiações do Rio. A estratégia tenta usar o desfile vitorioso na Série Ouro como vitrine para inserir Maricá em um mapa mais amplo de eventos e parcerias, reforçando a cidade como destino turístico e cultural. O discurso de “chegar devagarinho” ao Grupo Especial convive com uma ambição de longo prazo, que mira o mercado global de entretenimento ligado ao samba.

Enquanto costura esses planos, a União de Maricá aproveita o momento de alta popularidade. A escola realiza neste domingo, 22 de fevereiro, um desfile comemorativo na orla de Itaipuaçu, no Circuito Claudinho Guimarães. A concentração começa às 18h, na Rua Paraná, com dispersão na Rua Rio de Janeiro, na Avenida Benvindo Taques Horta. Componentes, ritmistas e integrantes voltam a vestir as fantasias e adereços que garantiram notas máximas em diversos quesitos na Marquês de Sapucaí.

O evento serve como vitrine do novo status da escola e como teste de mobilização da comunidade para os próximos anos. A cidade observa, entre orgulho e expectativa, como a agremiação que acaba de chegar ao topo da Série Ouro vai administrar a pressão do Grupo Especial, o combate às notícias falsas e a promessa de transformar R$ 30 milhões em empregos, formação e projeção internacional. O próximo desfile na Sapucaí, em 2027, tende a mostrar se o plano de avançar “devagarzinho” resiste à passarela mais cobiçada do carnaval brasileiro.

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