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Queda de asa-delta em São Conrado mata instrutor e turista no Rio

Um voo de asa-delta termina em tragédia na manhã deste sábado (21) na Praia de São Conrado, na Zona Sul do Rio. O instrutor de voo livre Rodolfo Pascoal Ladeira morre no local, e a passageira, a turista Jenny Colon Rodriguez, não resiste aos ferimentos e vem a óbito no hospital horas depois.

Resgate no mar e confirmação das duas mortes

O equipamento cai no mar, a poucos metros da faixa de areia e próximo à área de pouso usada diariamente por praticantes de voo livre. Banhos de sol, pranchas de surfe e turistas na ciclovia se voltam para o mesmo ponto no mar, onde o colorido da asa-delta dá lugar a uma operação de socorro tensa e silenciosa.

O Corpo de Bombeiros é acionado às 11h15 e monta uma força-tarefa no ar e na água. Helicópteros sobrevoam o trecho entre a Pedra da Gávea e o costão de São Conrado, enquanto motos aquáticas avançam sobre a arrebentação. Um barco de passeio que passava pela área se aproxima e ajuda a localizar as vítimas.

Rodolfo é retirado da água com politraumas e tem a morte constatada ainda na praia, segundo relatos de socorristas. Jenny é resgatada em estado gravíssimo e levada para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, referência em trauma na Zona Sul. A equipe médica tenta reverter o quadro, mas a turista não resiste. A morte é confirmada pela direção do hospital na tarde do mesmo dia.

A área de pouso, que em feriados e fins de semana concentra dezenas de voos duplos, se transforma em cenário de comoção. Pilotos, funcionários e curiosos se aglomeram atrás do isolamento improvisado pelos bombeiros. O barulho constante de helicópteros contrasta com o silêncio dos que acompanham a retirada do equipamento da água.

Clube suspende voos e comunidade de voo livre se mobiliza

O clube responsável pelas decolagens em São Conrado divulga nota ainda durante a tarde. A entidade informa a suspensão imediata de todas as operações de voo por, ao menos, três dias. A pausa atinge voos turísticos, aulas de iniciação e voos de pilotos experientes que usam a rampa como base regular.

Na nota, o clube manifesta pesar pela morte de Rodolfo e Jenny e detalha as primeiras providências administrativas. “O Clube já levantou toda a documentação necessária e está trabalhando para dar suporte às famílias”, afirma o texto. A direção promete seguir acompanhando parentes das vítimas em trâmites burocráticos e assistenciais, como traslado, seguro e orientações legais.

A entidade também faz questão de destacar o esforço dos socorristas que atuam no resgate. “Agradecemos aos bombeiros, que lutaram incansavelmente para salvar vidas”, registra o comunicado. O tom da nota reflete o clima entre pilotos, que se reúnem em grupos pequenos nas proximidades da rampa, no alto da estrada das Canoas, em busca de informações sobre as causas do acidente.

A morte de dois participantes em um único voo expõe a vulnerabilidade de um esporte que, embora consolidado há décadas no Rio, ainda depende do equilíbrio delicado entre preparo técnico, condições de vento e manutenção de equipamentos. A Praia de São Conrado, cenário tradicional de voos duplos para turistas brasileiros e estrangeiros, volta a ser pressionada a discutir regras, fiscalização e limites de operação.

Investigação técnica, segurança e impacto no turismo

As causas da queda ainda não são divulgadas. Peritos em segurança de voo e especialistas em esportes aéreos aguardam a remoção completa da asa-delta do mar para dar início à análise dos destroços. A investigação deve levar em conta possíveis falhas humanas, como erro de manobra ou avaliação inadequada do vento, e hipóteses de falha estrutural, como fadiga de material em partes metálicas ou na vela.

O clube avisa que o material passará por uma “avaliação técnica minuciosa” antes de qualquer conclusão. “Os motivos do acidente estão sendo apurados. Estamos aguardando o restante do resgate do equipamento para uma avaliação técnica minuciosa”, diz a nota oficial. A entidade informa que colabora com as autoridades e que entregará registros de voo e dados operacionais para auxiliar os peritos.

A tragédia atinge em cheio a imagem de um dos cartões-postais turísticos do Rio, que vive de paisagens aéreas difundidas em redes sociais e campanhas da prefeitura. Em fins de semana de céu aberto, a rampa de voo livre, no alto da Pedra Bonita, pode registrar dezenas de decolagens por dia, com impacto direto em agências de turismo, hotéis, motoristas de aplicativo e barraqueiros de praia.

No setor de esportes aéreos, o acidente é tratado como sinal de alerta. Pilotos cobram maior rigor na checagem de equipamentos, revisão de rotinas de manutenção e atualização de cursos de segurança. A morte em sequência de um instrutor experiente e de uma passageira turista acende o debate sobre a responsabilidade compartilhada entre profissionais, clubes e órgãos públicos na fiscalização da atividade.

Pressão por respostas e expectativa pelo laudo

O laudo técnico, que deve detalhar a dinâmica do acidente, se torna peça central para o futuro das operações em São Conrado. As conclusões vão orientar não apenas a responsabilização eventual de pessoas ou instituições, mas também ajustes de protocolo que podem incluir limite de ventos para decolagem, intervalos de inspeção mais curtos e exigência adicional de certificação para voos duplos.

A prefeitura, por meio de seus órgãos de turismo e esporte, acompanha o caso. A repercussão nas redes sociais pressiona por respostas rápidas e transparentes. A comunidade de voo livre, que se organiza em clubes e associações, defende que a tragédia não seja tratada como episódio isolado, mas como oportunidade para revisar critérios de segurança e reduzir o espaço para improviso.

Em São Conrado, a rotina de turistas e moradores muda na mesma velocidade em que as asas coloridas desaparecem do céu. A suspensão dos voos por três dias é, por ora, um gesto de luto e respeito. A continuidade da atividade, daqui em diante, depende das respostas que o mar, o equipamento resgatado e a perícia ainda precisam oferecer.

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