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Chuva forte coloca nove bairros do Rio em alerta por alagamentos

A Prefeitura do Rio e a Defesa Civil emitem, na tarde deste sábado (21), alerta de estágio 2 para nove bairros da capital por causa de chuva forte e alagamentos. O foco está nas regiões de Anchieta, Campo Grande e Tijuca/Muda, que registram os maiores volumes de água e pontos de inundação. Motoristas e pedestres são orientados a evitar deslocamentos desnecessários.

Alerta acende em meio a tarde de transtornos

A chuva começa ainda no fim da manhã, mas ganha força por volta do meio da tarde e vira o trânsito de partes da cidade de cabeça para baixo. Em poucos minutos, ruas de Anchieta e Campo Grande somem sob a água barrenta, enquanto bueiros não dão conta do volume de escoamento. Na Tijuca e na região da Muda, na zona norte, bolsões de água se formam nas principais vias e avançam sobre calçadas e garagens.

A Defesa Civil entra em estágio 2 de atenção, o segundo nível em uma escala que vai até 4, e aciona o protocolo de monitoramento reforçado. O nível indica risco elevado de alagamentos e deslizamentos, além de possibilidade de desastres naturais em áreas vulneráveis. O Centro de Operações do Rio passa a enviar mensagens por aplicativos, redes sociais e painéis eletrônicos, pedindo que moradores evitem sair de casa sem necessidade.

A recomendação vale principalmente para quem vive em encostas, margens de rios ou áreas historicamente sujeitas a enchentes. A prioridade é reduzir o número de pessoas expostas nas ruas no momento de maior instabilidade. Em nota, a prefeitura afirma que equipes de Comlurb, Defesa Civil e Secretaria de Conservação são deslocadas para pontos críticos, com foco em desobstruir ralos, acompanhar rios e orientar o trânsito.

Os bairros sob maior pressão já aparecem há anos nos mapas de risco do município. Anchieta concentra áreas baixas próximas à linha férrea, que costumam alagar com acumulados acima de 20 milímetros em pouco tempo. Em Campo Grande, ruas extensas e pavimentação antiga funcionam como corredores de água. Na Tijuca e na Muda, a combinação de encostas, rios canalizados e adensamento urbano cria um cenário propício a enchentes repentinas.

Rotina interrompida e medo de novos desastres

Ônibus circulam com atraso e mudam o itinerário para fugir de vias alagadas. Motoristas ficam presos em engarrafamentos que se arrastam por mais de uma hora em trechos que, em dias secos, levam menos de 20 minutos. Comerciantes abaixam as portas às pressas diante da água que sobe pelas sarjetas e ameaça invadir lojas e pequenos mercados.

Moradores relatam que a água sobe em questão de minutos. “Quando vi, a rua já estava como um rio. A gente corre para levantar móveis e desligar tudo da tomada”, conta uma moradora de Campo Grande, de 43 anos, que prefere não se identificar. Na Tijuca, um motorista de aplicativo descreve o cenário como “um labirinto de desvios” para escapar de cruzamentos bloqueados por carros enguiçados.

A prefeitura não divulga, até o início da noite, número consolidado de desalojados ou desabrigados, mas admite que o dia é de atenção máxima. Técnicos da Defesa Civil reforçam que o estágio 2 é um alerta preventivo, pensado para evitar que episódios de chuva intensa se transformem em tragédias. “O objetivo é ganhar tempo e reduzir exposição ao risco. Quando a população atende às orientações, o impacto tende a ser menor”, aponta um engenheiro da área de prevenção de desastres.

As imagens de vias alagadas reacendem memórias recentes de verões marcados por enchentes, deslizamentos e mortes na cidade. Em fevereiro de 2019, temporais deixaram mais de 6 mil desabrigados e pelo menos 10 mortos em diferentes regiões do Rio. Desde então, a prefeitura diz investir em obras de drenagem, piscinões e contenção de encostas, mas especialistas apontam que o ritmo ainda está aquém da velocidade das mudanças climáticas e da expansão urbana.

A tarde deste 21 de fevereiro de 2026 confirma um padrão cada vez mais frequente: janelas curtas de chuva muito intensa, com altos acumulados em poucas horas, alternadas com períodos de forte calor. Meteorologistas indicam que esse tipo de evento tende a se repetir, com maior impacto em áreas com drenagem precária e ocupação desordenada.

Cidade em alerta e incerteza nas próximas horas

O Centro de Operações informa que, apesar da previsão de redução da chuva nas horas seguintes, o solo permanece encharcado em vários pontos, o que aumenta o risco de deslizamentos. Moradores de encostas recebem orientações específicas, como observar trincas em paredes, portas que emperram e barulhos incomuns no terreno, sinais de possível movimento de terra. Em casos de suspeita, a recomendação é sair de casa imediatamente e procurar abrigo seguro.

O impacto sobre a mobilidade deve se prolongar pela noite, com reflexos em plantões de serviços essenciais, entregas e deslocamento de trabalhadores do comércio e da indústria. Empresas de transporte e aplicativos acompanham o avanço dos alagamentos para reprogramar rotas e evitar trechos intransitáveis. Escolas e unidades de saúde em áreas críticas avaliam danos e programam vistorias para o dia seguinte.

A prefeitura promete manter equipes de plantão ao longo da madrugada, com atualizações periódicas a cada 30 minutos nos canais oficiais. A Defesa Civil segue em prontidão para novos chamados e monitoramento de sirenes em comunidades com histórico de deslizamento. Moradores são orientados a acompanhar os boletins oficiais, evitar boatos e registrar ocorrências pelo número 199 ou pelo 1746.

O episódio expõe, mais uma vez, o choque entre as chuvas de verão e a infraestrutura de uma cidade marcada por desigualdade e falta de planejamento de longo prazo. A resposta imediata reduz danos, mas não resolve o problema de fundo. A próxima frente fria, anunciada já para as próximas semanas, deve testar de novo a capacidade do Rio de conviver com a água que insiste em voltar aos mesmos lugares.

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