Ciencia e Tecnologia

DC prepara primeiro megaevento do Universo Absolute para 2026

A DC Comics confirma para o quarto trimestre de 2026 o primeiro grande evento do Universo Absolute, revelou o editor Chris Conroy no ComicsPRO ’26. A trama promete reposicionar a Liga da Justiça como um grupo de bilionários disposto a conter heróis que inflamam a população contra a elite.

Um universo alternativo chega ao seu primeiro grande teste

Desde a estreia, o Universo Absolute funciona como um laboratório narrativo da DC, com realidades alternativas e foco em histórias fechadas de seus principais heróis. Ao longo de pouco mais de dois anos, o selo investe em especiais e pequenos encontros entre personagens, mas evita um grande evento que exija leitura cruzada de várias revistas. Essa escolha começa a mudar agora.

No painel realizado durante o ComicsPRO ’26, encontro anual de varejistas de quadrinhos nos Estados Unidos, Chris Conroy detalha a ambição do próximo passo. Sem anunciar título, número de edições ou equipe criativa, o editor crava uma janela de lançamento entre outubro e dezembro de 2026 e faz uma promessa direta ao leitor. “Faremos do nosso jeito, o jeito Absolute: fácil de entender, fácil de acompanhar e sem interromper o fluxo das histórias atuais”, afirma. “Você não precisará explicar para um novo leitor o que é um crossover. Vamos construir da mesma forma que fizemos em Absolute Evil.”

Uma Liga da Justiça bilionária contra heróis populares

A grande virada está na própria ideia de Liga da Justiça dentro desse universo. Aqui, o grupo não reúne ícones altruístas, mas figuras bilionárias com histórico de manipulação, crime e poder. Coringa, Veronica Cale, Ra’s Al Ghul, Dra. Elenore Thawne e Hector Hammond formam um núcleo que não age apenas por vilania clássica, e sim por interesse de classe. Eles enxergam os heróis como faíscas de revolta em uma sociedade desigual.

Nessa realidade, cada aparição de um vigilante ou meta-humano inspira manifestações, organização comunitária e questionamentos sobre fortunas acumuladas. A resposta da elite é montar uma espécie de “Liga da Justiça corporativa”, com recursos ilimitados, tecnologia de ponta e influência política. O conflito proposto para o evento aponta para choque entre quem lucra com a ordem estabelecida e quem passa a enxergar o heroísmo como instrumento de mudança social.

O desenho do projeto segue o modelo de Absolute Evil, minissérie que se destaca pela estrutura enxuta. Em vez de espalhar a história por dezenas de revistas, a DC promete um arco central que o leitor consegue acompanhar em sequência, sem precisar conferir checklists extensos. A estratégia mira o público que abandona grandes sagas por cansaço ou confusão, problema recorrente em eventos de super-heróis desde os anos 1990.

Impacto no mercado e na própria linha da DC

O anúncio chega em um momento de disputa acirrada pela atenção do leitor de quadrinhos. Em 2025, o mercado norte-americano registra oscilações de dois dígitos entre quedas em revistinhas mensais e crescimento em encadernados e versões digitais. Um evento localizado em um selo específico, com começo, meio e fim bem definidos, tenta capturar tanto o leitor semanal quanto quem prefere esperar o volume completo.

Ao centralizar o conflito na tensão entre heróis populares e uma elite organizada, a DC se alinha a discussões presentes fora das páginas. O discurso sobre bilionários, concentração de renda e poder de plataformas digitais movimenta política e cultura desde, pelo menos, a virada de 2020. Colocar Coringa e Ra’s Al Ghul como rostos de um clube de ultrarricos torna essa disputa mais explícita e deve alimentar a recepção crítica da obra.

Para o Universo Absolute, o evento representa um divisor de águas. A partir dessa mega trama, a linha deixa de ser apenas uma coleção de visões autorais isoladas e passa a construir uma cronologia própria, com repercussões a longo prazo. A expectativa é que a saga resulte em uma nova equipe central de heróis, reunida em reação direta à “Liga bilionária”. Essa formação tende a orientar novos títulos a partir de 2027 e abrir espaço para personagens que hoje aparecem apenas em participações pontuais.

O que vem a seguir para leitores e para a DC

Nos próximos meses, a editora deve divulgar o nome oficial do evento, a quantidade de capítulos e o time criativo responsável pela trama. Pelos prazos habituais de produção, roteiros precisam estar encaminhados ainda no primeiro semestre de 2026 para que as edições cheguem às lojas físicas e plataformas digitais entre outubro e dezembro, sem atrasos. A comparação inevitável será com sagas recentes da própria DC e da concorrente Marvel, que, muitas vezes, exigem dezenas de revistas para contar uma única história.

Se cumprir a promessa de clareza e acessibilidade, o primeiro grande evento do Universo Absolute pode redefinir a posição do selo dentro da estratégia global da DC. Um resultado forte em vendas e repercussão crítica tende a garantir novas ondas de projetos fechados, com liberdade para questionar figuras de poder e revisar o papel da Liga da Justiça. Resta saber se o leitor está disposto a seguir uma realidade em que o maior símbolo de união entre heróis veste terno de bilionário e trata o heroísmo como ameaça à ordem.

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