Fonseca e Melo salvam match-point e vão à final de duplas no Rio Open
João Fonseca e Marcelo Melo garantem neste sábado, no Rio de Janeiro, vaga na final de duplas do Rio Open de 2026. A dupla brasileira salva match-point, vence os alemães Mark Wallner e Jakob Schnaitter no supertiebreak e mantém o tênis nacional pela quinta vez seguida na decisão do torneio.
Virada no limite mantém tradição brasileira
O jogo que coloca Fonseca, de 19 anos, e Melo, de 42, na final nasce tenso desde o primeiro ponto e termina no limite emocional. Diante de uma Quadra Central lotada, os brasileiros resistem à pressão, salvam um match-point em momento decisivo e confirmam a vaga em uma das partidas mais dramáticas da edição de 2026 do Rio Open.
A vitória vem apenas no supertiebreak, o desempate em que vence quem chega primeiro a 10 pontos com pelo menos dois de diferença, depois de 1h40 de troca intensa de bolas. O placar confirma uma campanha de afirmação da parceria entre gerações, que reúne um dos principais veteranos do circuito e a principal promessa do tênis masculino brasileiro desde Gustavo Kuerten.
Dupla simboliza renovação com experiência
Fonseca cresce na base, brilha em torneios juvenis e, desde 2024, passa a disputar com frequência chaves principais da ATP. Melo carrega mais de 20 anos de circuito profissional, título de Grand Slam nas duplas e presença recorrente no topo do ranking. Quando se juntam em quadra, transformam estilos, idades e momentos diferentes de carreira em uma combinação que volta a funcionar em casa.
O Rio Open, principal torneio de tênis da América do Sul desde sua criação, em 2014, vira palco constante para brasileiros em finais de duplas. Com Fonseca e Melo, o país chega à quinta decisão consecutiva no evento, uma sequência que reforça a especialidade nacional na modalidade. No saibro carioca, onde a bola quica mais devagar e os ralis se alongam, a experiência de Melo na rede e a potência de Fonseca do fundo de quadra pesam nos momentos apertados.
Ao longo da campanha, a dupla acumula vitórias sobre parcerias mais entrosadas da Europa e da América do Norte, consolida o saque como arma principal e cresce nas devoluções sob pressão. Contra Wallner e Schnaitter, o roteiro se repete: equilíbrio nos dois sets, chances desperdiçadas pelos alemães e frieza brasileira na hora de decidir. O match-point salvo no final simboliza a diferença de postura entre quem joga a semifinal como chance rara e quem encara o jogo como parte de uma construção maior.
Impacto esportivo e simbólico para o tênis brasileiro
A presença em mais uma final de duplas faz o tênis brasileiro manter espaço em um calendário dominado por potências com maior investimento, como Estados Unidos, Espanha e Itália. Em um circuito em que a pontuação no ranking da ATP define convites, cabeças de chave e premiações, chegar à decisão em um ATP 500 no Rio de Janeiro tem peso concreto. A campanha rende pontos importantes, aumenta o ganho financeiro e melhora a posição da dupla para o restante da temporada de saibro.
O impacto, porém, vai além dos números. Um torneio transmitido ao vivo para o Brasil e para diversos países coloca Fonseca e Melo em evidência diante de milhões de espectadores. Em arquibancadas com ingressos esgotados, adolescentes com raquetes nas mãos acompanham a rotina de aquecimento, o diálogo entre os jogadores e a vibração a cada ponto. A cena alimenta um ciclo virtuoso: visibilidade incentiva novos praticantes, que, por sua vez, ampliam a base do esporte.
Treinadores de clubes e escolinhas relatam, nos últimos anos, aumento de busca por aulas após semanas de destaque do tênis brasileiro em grandes torneios. Uma final em casa, em 2026, tende a repetir o fenômeno. A partir das imagens de Fonseca, carioca que treina no próprio Rio de Janeiro, e de Melo, mineiro que constrói carreira internacional sólida, jovens enxergam uma trajetória possível, ainda que desafiadora, no circuito profissional.
Expectativa para a final e os próximos capítulos
A vaga na decisão do Rio Open abre uma nova camada de expectativa. No domingo, Fonseca e Melo entram em quadra em busca do título que pode consolidar a parceria e reforçar o status do torneio como vitrine do tênis nacional. A quinta final seguida de uma dupla brasileira cria pressão extra, mas também oferece a chance de transformar regularidade em conquista concreta diante da torcida.
O resultado da final deve influenciar o planejamento da dupla para o restante de 2026, incluindo participação em outros torneios no saibro europeu e possíveis ajustes no calendário de simples de Fonseca. A campanha deste ano já garante mais espaço na mídia esportiva internacional e amplia o interesse de patrocinadores em um mercado ainda restrito no país. Resta saber se a combinação entre juventude e experiência, tão simbólica para o momento do tênis brasileiro, encontra novo ápice no domingo ou se a história da parceria ainda guarda seus maiores capítulos para outras quadras ao redor do mundo.
