Botafogo domina Boavista na Taça Rio e garotos pedem passagem
Com gols de Justino e Artur, o Botafogo vence o Boavista em Saquarema, na noite de 21 de fevereiro de 2026, e se fortalece na Taça Rio. A atuação segura do time alternativo, comandado por Martín Anselmi, amplia a confiança no elenco e acirra a disputa por vagas entre os titulares.
Time alternativo responde em campo e mantém Botafogo forte na Taça Rio
O relógio passa das 23h em Saquarema quando o apito final confirma o que o jogo já vinha contando. Mesmo com titulares poupados, o Botafogo controla o Boavista, vence com autoridade e transforma uma noite de testes em argumento sólido a favor do elenco. Justino abre o placar, Artur fecha a conta e Arthur Novaes dita o ritmo no meio, em um duelo que expõe mais virtudes do que dúvidas no desenho pensado por Martín Anselmi.
A vitória na Taça Rio não vale troféu imediato, mas pesa no planejamento de 2026. Em um calendário apertado, com decisões em sequência no Carioca e compromissos nacionais pela frente, o Botafogo precisa de um time competitivo além do time titular. A atuação em Saquarema, na prática, mostra que a ideia de rodar o elenco deixa de ser teoria de vestiário e começa a se sustentar em campo.
O jogo nasce com alguma hesitação. Kadu sofre na adaptação como zagueiro pela direita e o sistema de Anselmi, ainda em construção, provoca momentos de confusão posicional. Aos poucos, porém, a estrutura se encaixa. O capitão Justino, nota 7,5, assume a liderança na defesa, corrige espaçamentos e aparece na área rival para abrir o caminho da vitória, em lance que resume sua noite: firme atrás, oportunista na frente.
Arthur Novaes, também um dos destaques com 7,0, se impõe pela bola no pé. Não corre mais que os outros, mas faz o time correr melhor. Pede o jogo, troca passes curtos, varia inversões e dita o tempo das jogadas, evitando acelerações desnecessárias. O Botafogo ganha controle territorial, empurra o Boavista para trás e começa a transformar domínio em chances claras.
No ataque, Artur demora a se soltar. Entra discreto, tenta jogadas simples e respeita o ritmo da partida. Depois do intervalo, muda a chave. Encontra mais espaços entre as linhas, se aproxima da área e, quando a bola certa aparece, não desperdiça. O gol que fecha o placar coroa a nota 7,5 e marca sua atuação mais convincente neste início de temporada, justamente em um jogo observado de perto pela comissão técnica.
Atuações individuais reforçam elenco e aumentam concorrência interna
Em uma noite de avaliações, os números ajudam a contar a história. Raul, com 6,0, faz o que se espera de um goleiro em partida controlada: participa pouco, mas transmite segurança quando acionado. Ythallo, com 6,5, segura bem o lado defensivo e ainda encontra tempo e espaço para uma assistência, evidenciando leitura de jogo madura para a idade.
No meio, Edenílson estreia com nota 6,5. Não brilha, mas cumpre funções essenciais: marcação firme, boa distribuição de passes curtos e presença constante nas coberturas. Ao lado de Arthur Novaes, dá equilíbrio ao setor, protegendo a zaga e liberando os laterais e pontas para atacar. Jhoan Hernández, também com 6,5, anima o lado esquerdo com dribles, lembrando o estilo de Cortez e oferecendo profundidade constante.
Nem todos, porém, aproveitam a chance da mesma forma. Nathan Fernandes, nota 6,0, se movimenta bem, ataca o espaço, mas se enrola com a bola em momentos-chave. Caio Valle, também com 6,0, começa perdido, melhora no segundo tempo, mas desperdiça uma ótima oportunidade que poderia transformar vitória tranquila em goleada. Gabriel Abdias, Kauan Toledo, Arthur Izaque, Bernardo Valim e Kadir recebem 5,5 e vivem noite discreta, com lampejos isolados, como o chute de Izaque no travessão.
No banco de decisões, Anselmi tira 6,5. O técnico mantém a opção por poupar titulares e aposta em um esquema que ainda exige entendimento fino dos jogadores. Em diversos momentos, especialmente no início, a movimentação defensiva revela dúvidas. A resposta vem com o tempo de jogo: a equipe encaixa melhor a marcação, comprime espaços e passa a controlar o ritmo. A vitória sem sobressaltos reforça o argumento interno de que a transição tática, embora lenta em alguns aspectos, avança em linha com os resultados.
Para a torcida, o impacto é direto. O placar, somado às notas positivas de nomes menos badalados, alimenta a sensação de que o Botafogo de 2026 não depende de um time único para competir. Em um cenário de lesões, suspensões e maratona de jogos, essa percepção tem valor real. O clube ganha margem para preservar peças-chave sem abrir mão de competitividade na Taça Rio e em torneios seguintes.
Planejamento, disputa por vagas e o que vem pela frente em 2026
O desfecho da noite em Saquarema deixa o Botafogo em posição confortável na Taça Rio e com um dilema positivo para Anselmi. Justino, Artur e Arthur Novaes passam a pressionar por mais minutos em jogos decisivos, enquanto outros nomes, mesmo com atuação discreta, mantêm-se na briga por espaço em treinamentos e partidas futuras. A hierarquia do elenco não muda de um dia para o outro, mas as conversas internas sobre escalação ganham novos elementos.
O clube trabalha com um horizonte de meses intensos. Até o meio de 2026, a comissão técnica prevê sequências com dois jogos por semana, alternando estaduais, competições nacionais e possíveis compromissos continentais. A exibição contra o Boavista funciona como teste bem-sucedido para esse cenário. Se o time alternativo responde, o treinador ganha liberdade para administrar cargas físicas, reduzir risco de lesões e ajustar o modelo de jogo em diferentes contextos.
O peso simbólico da vitória também conta. A manutenção do moral do grupo, citada repetidas vezes nos bastidores, depende de sinais claros de meritocracia. Quando reservas entram, jogam bem e são reconhecidos, o vestiário percebe que desempenho tem consequência. A nota 7,5 de Justino, a liderança silenciosa de Novaes e o gol de Artur se transformam em argumentos que vão além dos números na súmula.
O Botafogo sai de Saquarema com três pontos, respostas importantes e novas perguntas. A principal delas recai sobre o próximo passo de Anselmi: até que ponto ele estará disposto a mexer na base titular à medida que a Taça Rio avança e os jogos decisivos se aproximam? A atuação contra o Boavista indica que, pelo menos, ele tem opções reais para escolher.
