Com uma a menos, Fluminense busca empate heroico com o Corinthians
O Fluminense arranca um empate por 2 a 2 com o Corinthians, nesta sexta-feira (20), em São Paulo, pela segunda rodada do Brasileirão Feminino, com gol no último lance mesmo com uma jogadora a menos em campo desde o fim do primeiro tempo.
Virada de roteiro em Itaquera expõe novo equilíbrio
O Corinthians controla o início do jogo, faz 2 a 0 ainda antes da metade do primeiro tempo e parece encaminhar uma vitória tranquila em casa. A noite, porém, vira retrato de um campeonato mais competitivo. O Fluminense resiste, se reorganiza com dez em campo e transforma um cenário de quase goleada em ponto precioso fora de casa.
O time paulista abre o placar logo aos oito minutos, quando Belén Aquino recebe pela esquerda, corta para dentro e finaliza cruzado, sem chance para a goleira tricolor. A pressão corintiana continua. Aos 20, um erro na saída de bola do Fluminense entrega a bola nos pés de Jaqueline, que só empurra para o gol e amplia para 2 a 0.
O domínio alvinegro sugere uma noite longa para as cariocas. Em vez de desabar, o Fluminense encontra uma brecha. Aos 34, Patrícia Sochor recebe na intermediária, ajeita o corpo e acerta um chute preciso no ângulo, diminuindo para 2 a 1 e mudando o clima da partida. O gol devolve o time ao jogo e silencia parte da euforia nas arquibancadas.
A reação, porém, sofre um golpe duro pouco antes do intervalo. A zagueira Karine é expulsa em lance de disputa no campo defensivo, deixa o Fluminense com dez e aumenta a sensação de que o Corinthians tem a noite nas mãos. A equipe da casa volta do vestiário com a missão de administrar o placar e aproveitar a superioridade numérica para matar o jogo.
Resiliência tricolor sustenta ponto e muda discurso
No segundo tempo, o Corinthians volta a ocupar o campo ofensivo e cria chances claras para definir a vitória. A bola, no entanto, teima em não entrar. Finalizações saem para fora por pouco, cruzamentos atravessam a área sem desvio e a goleira tricolor segura o que é possível. O placar permanece aberto e a tensão cresce a cada minuto.
O Fluminense, encolhido atrás, aposta em contra-ataques esporádicos e em bolas paradas. O desgaste físico é evidente, mas a equipe se recusa a entregar o resultado. A velha máxima do futebol volta a rondar o estádio: quem não aproveita as chances, corre risco. Aos 50 minutos, no último lance, o castigo chega para as corintianas.
Bruna Pelé aparece na área em jogada trabalhada pelo lado e completa para o gol, selando o 2 a 2 que muda por completo a leitura da noite. O empate leva Corinthians e Fluminense a 4 pontos em duas rodadas e coloca os dois times na parte de cima da tabela, em terceiro e quarto lugar, respectivamente. Para o Fluminense, a igualdade com um jogador a menos desde o fim do primeiro tempo tem peso de resultado de afirmação.
O desempenho tricolor reforça a impressão de que o Brasileirão Feminino de 2026 não se resume a um grupo restrito de favoritas. O Corinthians, dono de campanhas dominantes em anos recentes, encontra mais resistência. O Fluminense, ainda em processo de consolidação entre as principais forças, exibe organização tática, capacidade de reação e elenco capaz de competir em alto nível mesmo sob forte pressão.
Impacto na tabela, nas arquibancadas e no mercado
O empate mantém as duas equipes invictas e adiciona um ponto importante na corrida por vaga no mata-mata, que costuma ser decidida em margens apertadas. Em um campeonato de 15 rodadas na fase classificatória, cada ponto fora de casa contra um adversário direto pesa. O Fluminense, que mira ao menos a repetição das boas campanhas recentes, sai de São Paulo com a sensação de que pode brigar por algo maior.
O resultado também entra no debate sobre arbitragem e gestão emocional em campo. A expulsão de Karine, ainda na etapa inicial, obriga a comissão técnica tricolor a redesenhar o time e testar o elenco em situação-limite. A resposta dentro de campo alimenta o discurso de resiliência. Dirigentes e comissão encontram ali um exemplo concreto para reforçar a confiança do grupo antes de uma sequência de jogos decisivos no calendário.
Fora das quatro linhas, a partida impulsiona a visibilidade do futebol feminino e produz reflexos imediatos no ambiente comercial do clube. As novas camisas do Fluminense, produzidas pela Puma, chegam ao mercado em meio à repercussão do empate e encontram torcedores mobilizados. Lojas especializadas registram aumento na procura, e campanhas com descontos específicos para o torcedor tricolor ganham tração nas horas seguintes ao apito final.
Dirigentes do futebol feminino e executivos de marketing veem nesse tipo de jogo um ativo valioso. Uma partida transmitida em horário nobre, entre dois clubes de massa, com roteiro dramático e definição no último lance, produz engajamento imediato nas redes sociais, amplia a audiência de transmissões e fortalece a argumentação por mais investimento de patrocinadores. A cada rodada, o Brasileirão Feminino se aproxima do lugar que ocupa nas projeções dos dirigentes: um produto capaz de dialogar com grandes marcas e público amplo.
Próximos capítulos e desafios em aberto
O empate em São Paulo aumenta a responsabilidade de Fluminense e Corinthians nas próximas rodadas. Em pontos corridos, desperdiçar chances em casa pode custar caro na reta final. O Corinthians volta a campo sob pressão para transformar volume ofensivo em vitórias, enquanto o Fluminense tenta mostrar que a atuação desta sexta-feira não é episódio isolado, mas padrão competitivo.
O calendário reserva confrontos diretos e viagens longas já nas próximas semanas, cenário que testa elenco, preparação física e capacidade de manter foco em alta. A disputa por vaga na Libertadores, principal vitrine continental, torna qualquer deslize ainda mais sensível. A noite de 20 de fevereiro entra para a memória das Guerreiras do Fluzão como símbolo de resistência, mas também deixa uma questão no ar: até onde esse time consegue ir em um campeonato que se anuncia mais equilibrado do que nunca?
