Mendonça envia provas do caso Master à PF e reforça CPI do INSS
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determina, nesta 20 de fevereiro de 2026, o envio das provas do caso Master à Polícia Federal. O material abastece as investigações da CPI do INSS e retira das mãos do Senado documentos considerados centrais para apurar suspeitas de irregularidades.
Decisão muda rota de provas e mira transparência
A decisão atinge diretamente o acervo que estava sob guarda do senador Davi Alcolumbre (União-AP), por determinação anterior do então ministro Dias Toffoli. Mendonça inverte a lógica do processo ao tirar o protagonismo da política na custódia das provas e entregar o conjunto de documentos e mídias à PF, braço técnico das apurações criminais.
O caso Master, que já circula há meses nos bastidores de Brasília, envolve suspeitas de irregularidades ligadas à estrutura do INSS e a contratos sob investigação parlamentar. No despacho, segundo interlocutores, o ministro ressalta a necessidade de “investigação aprofundada” e de garantir “a máxima transparência” no manuseio das evidências colhidas até agora. O envio do material abre caminho para diligências mais robustas, como novas quebras de sigilo, perícias digitais e cruzamento de dados com bases internas do governo federal.
A CPI do INSS, instalada em meio a denúncias de fraudes, filas e prejuízos bilionários aos cofres públicos, conta com a PF para dar lastro técnico às conclusões políticas do relatório final. Ao deslocar as provas para a esfera policial, o STF reforça esse elo e sinaliza que os resultados da comissão podem ter desdobramentos penais concretos, e não apenas repercussão retórica.
Impacto direto nas investigações da CPI do INSS
O novo fluxo das provas altera o ritmo das investigações. Na prática, a PF passa a ter acesso integral ao material coletado pela CPI e ao conteúdo que, até aqui, permanecia sob tutela de Alcolumbre, um dos nomes centrais na articulação política do Senado. Investigadores veem na mudança a chance de destravar linhas de apuração que estavam paradas à espera de autorização judicial.
O caso Master ganha peso porque se insere em um cenário de forte pressão sobre o INSS, responsável por mais de 39 milhões de benefícios mensais e por um orçamento anual que ultrapassa R$ 800 bilhões. Qualquer irregularidade sistêmica, mesmo que atinja 1% das concessões, pode significar um rombo de bilhões de reais por ano. A CPI tenta medir o tamanho desse risco e identificar quem lucra com fraudes, desvios ou uso político da estrutura previdenciária.
No ambiente político, a decisão de Mendonça tende a acirrar o debate sobre o alcance das CPIs e os limites da atuação do Judiciário. Aliados do governo veem com reserva o protagonismo do Supremo em processos legislativos, enquanto oposicionistas enxergam na PF uma instância menos sujeita a acordos de bastidor entre partidos. A determinação de enviar o material à Polícia Federal, porém, é lida por juristas como um recado de que o STF cobra resultados objetivos, com responsabilização de eventuais envolvidos.
Para a CPI, a mudança representa ganho de fôlego. Com a PF municiada, aumentam as chances de o relatório final vir acompanhado de pedidos de indiciamento consistentes, baseados em laudos, perícias e cruzamento de informações. A comissão passa a trabalhar com o horizonte de provocar ações penais e civis, em vez de produzir apenas recomendações administrativas.
Próximos passos e incertezas no tabuleiro político
O envio das provas inaugura uma nova fase da investigação, com calendário ainda em construção. A PF deve abrir, nas próximas semanas, um inquérito específico ou anexar o material a procedimentos já em curso sobre o INSS. A partir daí, virão pedidos formais de oitivas, requisições de dados ao Ministério da Previdência e eventuais operações de busca e apreensão, caso o aprofundamento das suspeitas aponte para esquemas estruturados.
No Congresso, senadores e deputados calculam o impacto político de um eventual relatório da CPI sustentado por investigações policiais detalhadas. Governistas temem que novas revelações alimentem discursos de descontrole sobre a máquina pública. Oposição aposta em números e nomes para reforçar a narrativa de falhas graves na gestão da Previdência. O STF, ao reposicionar as provas do caso Master nas mãos da PF, coloca mais uma peça no tabuleiro e deixa aberta a principal pergunta de agora: até onde as investigações vão conseguir chegar dentro da estrutura do INSS.
